5 junho 2014
5 junho 2014, Comentários 0

A primavera, nestes dias, embeleza Paris ainda mais. Oportunamente, numa das pontes sobre o Sena, um homem havia posto um cartaz que dizia: “Ajudem-me! Sou cego”. Poucas moedas eram recolhidas durante todo o dia de mendicância. Oportunamente, ele ouviu passos seguros na sua direção, sentiu um perfume masculino especial, ouviu que alguém tomara do papelão onde escrevera sua solicitação e rabiscara algo com rapidez. Logo depois, afastou-se.

De imediato, as moedas eram atiradas ao recipiente que segurava com abundância, assim como algumas notas, o que muito o surpreendeu. Ao cair da tarde, ouviu os mesmos passos do estranho da manhã. Após um silêncio breve, ele indagou ao desconhecido: – O que escreveu no meu cartaz que fez a coleta de hoje ser pródiga? O outro respondeu: – O seu pedido era pessimista, sem significado. Sensibilizado com o seu problema, escrevi: “É primavera em Paris e eu não posso ver!”

Naturalmente, o texto era quase o mesmo, no entanto, o último era portador de um apelo subliminal encantador, que tocava todos aqueles que contemplavam a beleza, compensando o outro, o que era impedido de vê-la.

Estou em Paris e a primavera é deslumbrante. Verifico, porém, que existem muitos cegos que se queixam da vida, de tudo que lhes acontece, e esperam apoio, solução dos próprios problemas através do esforço dos outros. Atrevo-me a informá–los: – É primavera espiritual para a Humanidade e nem todos podem ou querem vê-la.

Apresentado à Humanidade o Evangelho de Jesus, que é uma permanente primavera de bênçãos, o Espiritismo convida-a a que abandone a cegueira a que se entregam os seus membros, para que reflexionem ante o sol do conhecimento imortalista as ocorrências da vida e o prazer de amar e de servir. Existem, porém, no turbilhão dos sofrimentos, aqueles que não querem ver, infelizmente são os piores, os cegos incuráveis. Jesus também lhes tem oferecido a primavera luminosa e eles continuam a recusá-la.

Divaldo Franco escreve 5º quinta-feira, quinzenalmente – Jornal A TARDE

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