9 março 2017
9 março 2017, Comentários 0

Divaldo Franco
Professor, médium e conferencista

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Anteriormente, nos morros, silenciavam os tamborins após o último dia do Carnaval e se
desenhavam as expectativas para o ano seguinte.

Agora, ao tomar as ruas, praças e avenidas das cidades, não param os trios elétricos nem os
ritmos, em razão das sucessivas celebrações da festa alucinante.

Um amigo jovial, na quarta-feira de cinzas, disse-me: é o dia em que os foliões correm aos
bancos, a fim de terem dimensão dos gastos, transferindo contas e tentando deter cobranças.

Do ponto de vista psicológico, parece-me que os efeitos são mais profundos e perturbadores,
porquanto muitos indivíduos que se permitiram exageros estão despertando para a realidade e
constatam que o Carnaval terminou, agora são outros os compromissos e responsabilidades.

Aqueles dias que se multiplicaram em razão da exorbitância do prazer deixam sinais graves e
conflitos mais complexos do que a catarse daqueles que antes se apresentavam com sede de
gozo, não totalmente saciada.

Distúrbios emocionais na afetividade apresentam-se, a exaustão se prolonga, as decepções e
desencantos multiplicam-se, as enfermidades desgastantes aparecem e todo um cortejo de
inquietações se manifesta.

Sucede que a luxúria, a promiscuidade, os excessos de qualquer natureza, por mais que sejam
experienciados, mais atormentam as suas vítimas, exigindo-lhes continuidade até a perda do
sentido existencial.

A vida física não é um banquete no bosque da ilusão ou na ilha da fantasia sexual, mas se
trata de um compromisso com a imortalidade do ser, que se encontra em processo de
desenvolvimento dos valores divinos nele ínsitos, que necessitam exteriorizar-se, a fim de
proporcionar a iluminação.

Em razão disso, os valores éticos tornam-se indispensáveis para a superação dos impulsos
perturbadores, decorrentes da fase animal, na qual predominam os instintos, para a correta
aplicação das conquistas da lógica, da razão, do estado numinoso.

Os divertimentos e o repouso, as alegrias festivas e os programas de espairecimento têm por
finalidade reabastecer o Espírito, para facilitar-lhe a aprendizagem das lições de
sublimação e de conquistas transcendentes. São necessárias, mas não indispensáveis como se
pensa, porquanto o próprio trabalho na sua multiplicidade de apresentação proporciona
renovação íntima e prazer, alegria e mesmo felicidade que são essenciais ao bem viver.

Adaptando-se a um programa de valorização da vida, o ser humano pode passar perfeitamente
bem, sem as paixões dissolventes nem os exaustivos gozos que se generalizam no dia a dia,
mas principalmente nos grandes festejos dentre os quais o Carnaval é um exemplo daninho.
O corpo é o veículo de que o Espírito se serve para a plenitude…

Divaldo Franco escreve quinta-feira, quinzenalmente.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 09/03/2017

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