20 novembro 2014
20 novembro 2014, Comentários 0

A impaciência toma conta das criaturas humanas dando lugar à agressividade e à violência. Na louca busca de atendimento a diferentes questões em simultâneo, a irritação e a intranquilidade vencem as resistências morais e conduzem as suas vítimas a aflições perfeitamente desnecessárias.

No livro O poder da paciência, publicado pela editora Sextante, a sua autora, M. J. Ryan, reflexiona que alguns McDonald’s, nos Estados Unidos, prometem atender o cliente em até um minuto e meio, ou, do contrário, o pedido é grátis; a consulta com um médico, no mesmo país, é normalmente de oito minutos, enquanto que num restaurante popular, em Tóquio, a cobrança é feita pelo tempo em que se come o repasto; e repete o lema usado pelo presidente da divisão de computadores portáteis da Hitachi, de que “a velocidade é de Deus, o tempo é o diabo”.

Além dessas, outras situações embaraçosas em torno do tempo convidam a pessoa à perda de paciência, praticamente por correria sem justificativa. Esse comportamento asfixiante retira a alegria de viver, a satisfação de esperar, o período de convivência que auxilia os relacionamentos afetivos. Tudo tem que ser feito às pressas. Raiva de filas, ódio de esperas, ânsia de primeiro lugar em tudo caracterizam o estranho comportamento humano, empurrando o ser para o mau humor, a reclamação, o estresse.

Nunca houve no mundo tanta comodidade como nos dias de hoje e, nada obstante, tem-se a impressão que é necessário fruir-se ao máximo, agitar-se sem cessar para estar presente em todo lugar ao mesmo tempo sem oportunidade de refazimento. A paciência, também conhecida como “ciência da paz”, é indispensável às realizações realmente nobilitantes, aos estudos profundos e às construções duradouras. Já afirma velho refrão que “a pressa é inimiga da perfeição”. Chega o momento de ter-se que parar, a fim de interrogar-se qual é realmente o sentido da vida e a sua felicidade. Logo virá a resposta: agir com paciência!

Divaldo Franco escreve 5º quinta-feira, quinzenalmente – Jornal A TARDE

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