22 dezembro 2017
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Movimento Você e a Paz – Divaldo Franco

Salvador, Bahia, 17 de dezembro de 2017.

 

Em continuidade a programação do Movimento Você e a Paz na cidade de Salvador/BA, na sua vigésima edição, o evento foi levado a efeito na área externa do Shopping da Bahia. O público, tomando todos os espaços disponíveis, se fez participativo, reafirmando o desejo de uma construção segura de paz íntima. Cássia Aguiar e seu grupo musical, e Joca com sua banda animaram os presentes que participaram efetivamente, interagindo com os músicos, em um momento de grande alegria.

 

O Padre Manoel Olavo Amarante foi chamado ao palco para representar as caravanas nacionais e internacionais presentes. Demétrio Ataíde Lisboa, Presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção e Mansão do Caminho; Marcel Mariano, Ruth Brasil Mesquita e Divaldo Pereira Franco completaram o palco sob a supervisão da organizadora do Movimento Telma Sarraf. João Araújo, mestre de cerimônia, coordenou as apresentações. O Movimento Você e a Paz reafirma o desejo de querer paz, buscando construir uma sociedade mais solidária, mais fraterna e com mais beleza. Pensar em paz e agir com pacificação, exteriorizando-a de tal forma que ela se estabeleça onde estejas e com quem te encontres, é a orientação da Mentora Joanna de Ângelis. A paz em mim ajudará a paz no mundo, vencendo a violência, o maior flagelo da atualidade.

 

Ruth Brasil Mesquita classifica o ser humano como potência de paz. Ela destacou que a falta de comunicação entre as criaturas humanas tem gerado grandes transtornos, até mesmo para compreender a atitude de crianças classificadas como hiperativas. Algumas há, que em aprendendo a matéria de pronto, se desinteressam por outras quaisquer explicações ou orientações. Duas meninas, gêmeas, foram levadas ao psiquiatra a pedido da escola, pelo comportamento que apresentavam, sempre irrequietas. Na consulta se comportaram exemplarmente, agindo como duas meninas tranquilas, normais, motivando o psiquiatra dizer que o problema eram os pais e a escola.

 

O ser humano se encontra consigo mesmo quando a paz está dentro dele. Assim, outras criaturas que escapam aos modelos tradicionais de comportamento, sofrem pela incompreensão e desconhecimento de seus potenciais. É necessário buscar uma qualificação apropriada para se trabalhar com criaturas que vem inovando atitudes comportamentais no seio da sociedade humana.

 

Marcel Mariano, apresentando um quadro estatístico do índice de violência no Brasil, superior aos dos países envolvidos em conflitos bélicos, ressaltou a necessidade de uma educação qualificada e que desenvolva o sentimento de cidadão responsável para atuar na sociedade. Para tal, disse ser necessária a mudança da grade curricular para as escolas brasileiras, introduzindo disciplinas voltadas a formação do caráter e do civismo. Hoje, o ser tecnológico perdeu o interesse pelo seu semelhante, distanciando-se, frequentando as redes sociais, não percebe que as relações humanas se diluem.

 

Os tratados de paz firmados entre as nações não são duradouros. O acordo é quebrado logo após, pois que o ser humano, belicoso, não se pacificou. É preciso desenvolver uma cultura de paz, começando pela família, levada para a escola e para as ruas, gerando gentileza, brandura e serenidade. O Movimento Você e a Paz está nas ruas para contribuir com o ser humano a se pacificar, conjugando o verbo pazear. A paz deixou de ser somente um substantivo, para se tornar um verbo, já constante nos dicionários, indicando que para se ter paz será necessário agir, isto é, pazeando.

 

Divaldo Pereira Franco, o idealizador de magnífico movimento pacifista, frisou que Israel após 400 anos de grande provação, imaginava que deus havia silenciado, deixando de mandar a sua mensagem de ternura e amor. Experimentava as injunções violentas, passando a pertencer aos sírios sob o império romano, ditando-lhes comportamento e impondo-lhes a cultura. A história avança, o pensamento grego de Esparta cedeu lugar ao canto de Atenas.

 

Caio Júlio Cesar Otaviano governou para um povo feliz, que experimentava um pouco de paz e o povo feliz possui como referência a casa imperial, assinalando o século em que viveu. Neste mesmo período nasceria aquele que seria a luz do mundo, Jesus, o filho de José. Seu berço dividiu a história da humanidade, antes e depois. Pacífico e pacificador, Sua mensagem é de amor. Em apenas três anos Ele mudou um panorama que perdurava há sete mil anos. Qual era a sua peculiaridade? Dava sentido a vida dos sofredores e que com suas mãos curou e amparou atendendo e dando o licor da alegria de viver.

 

O Homem Jesus servia e cumpria a lei, havendo em si autoridade moral, e por isso o chamavam de Senhor. Ele curou cegos, dobrou os orgulhosos, seus feitos de amor e de paz ecoavam nos vales e montanhas despertando as consciências tumultuadas. Em cada caso, um novo ensinamento, uma nova maneira de ver e entender a vida.

 

Para ilustrar o poder do amor e da paz, Divaldo contou a história de Mohamed, o Justo. Era muçulmano. Examinava todos os casos segundo a ótica do livro sagrado. Possuía um sentido apurado sobre justiça, amor e caridade. Em determinada ocasião, segue contando Divaldo, o monarca meditava, ao tempo em que passeava em seus jardins, quando teve sua atenção despertada por uma balbúrdia. Acercou-se e viu uma mulher em andrajos. Estava agachada e chorava. Com ela havia algumas frutas. Seu Grão-Vizir, ou primeiro ministro, acusava-a.

 

Ante o quadro, Mohamed – O Justo indagou seu ministro sobre os acontecimentos, sendo informado que aquela mulher havia furtado frutos do pomar real, e isto era um crime. Mohamed dirige-se à mulher e pergunta-lhe sobre a acusação. Ela disse que era viúva e tinha um filho muito doente em casa, que estava faminto, à beira da morte. Desesperada saiu a mendigar. Nada conseguiu. Havia ido à feira para, pelo menos, recolher as sobras, os descartes naturais. Inacreditavelmente, neste dia, nada sobrou ou foi descartado.

 

Retornando ao lar, sem nada levar, e ao passar pelo pomar real observou inúmeras frutas no chão, que por certo não seriam aproveitas. Sabia ser proibido colher frutas naquele pomar e que poderia ser punida. Sua angústia era demasiada. Pensava no filho à beira da morte. Recolheu algumas frutas na barra de sua saia. Foi apanhada cometendo o crime. Inteirado que a sentença era a lapidação, propôs Mohamed – o Justo que passassem à execução ali mesmo onde o crime havia acontecido.

 

Seu Grão-Vizir disse-lhe que a criminosa deveria ser apedrejada no templo, local sagrado onde estavam depositadas as pedras para tal mister, e que ali, onde se encontravam, não haviam pedras. Mohamed, então, retirou seus anéis, apanhou as pedras preciosas que adornavam suas vestes, sugerindo aos demais que fizessem o mesmo. Começou a lançar suas joias contra a criminosa. Fez o mesmo com a gema que adornava seu turbante. Os demais, relutantes, o acompanharam.

 

A mulher estupefata não compreendeu e, aturdida ouviu seu Soberano dizer-lhe para recolher todas as pedras e que as vendesse para dar de comer aos seus filhos, estando livre a partir daquele momento, pois a sentença havia sido cumprida, e que Alá a abençoasse e que não voltasse mais a fazer o que fizera.

 

Destacou o lúcido orador que o brasileiro fez uma inversão de valores. Voltamo-nos contra as vítimas, enquanto os algozes são tratados com deferência e falsa postura. Onde estão os títeres, os sádicos, os administradores venais? De onde eles vieram? São frutos da sociedade violenta que ajudamos a construir, pois que a violência está em cada indivíduo. É uma herança do primarismo do homem que gastou um bilhão e quinhentos mil anos para desenvolver a sensação de medo e de ira e somente a menos de cem mil anos é que o homem começou a desenvolver o sentimento do amor.

 

No período da razão, dos sentimentos, deveria o homem a aprender a desarmar-se contra o seu semelhante para passar a amá-lo. A criatura conflitada consigo mesma se constitui belicosa, aceitando toda e qualquer provocação ou ofensa, agredindo por que não sabe amar. Há que se viver, disse o Semeador de Estrelas, de tal forma que o mal dos maus não lhe faça mal, mas que o bem dos bons produza harmonia e progresso espiritual.

 

O psicólogo e teólogo norte-americano Rollo May afirma que a sociedade humana perdeu o rumo por causa da perda das tradições, da solidariedade. Jesus, o homem dócil, acolhedor, amoroso e dotado de profunda compaixão com os que sofrem, possui um coração pleno de amor. A vida não é constituída somente por aflições. O céu e as estrelas nos convidam a desenvolver a paz interior, respeitosa, construída na intimidade de cada indivíduo.

 

Declamando o Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues, Divaldo finalizou o seu discurso, passando, todos, a entoarem o hino do Movimento Você e a Paz: a canção Paz pela Paz, de Nando Cordel. Com sentida emoção os presentes se abraçaram formulando votos de paz uns para os outros, congraçando almas, produzindo paz íntima.

 

Texto: Paulo Salerno

Fotos: Jorge Moehlecke

 

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