22 dezembro 2017
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Movimento Você e a Paz – Divaldo Franco

Salvador, Bahia, 13 de dezembro de 2017.

Nunca necessitamos tanto de paz, a sociedade tem fome, fome de justiça, de bondade, de amor. (Divaldo Franco)

Teve início em 13/12/17 a vigésima edição do Movimento Você e a Paz em Salvador/BA. No ano de 2017, após percorrer outras cidades da Bahia e de diferentes Estados, e com apresentações em outros países das Américas e da Europa, o Movimento Você e a Paz culmina com grande sucesso com as apresentações na capital baiana. As próximas atividades serão, 15/12 – Farol da Barra, às 19h30min; 17/12 – Shopping da Bahia, às 18h00min; e 19/12 – Praça do Campo Grande, a partir das 18h00min, quando ocorre o encerramento, comemorando a data oficial da paz no município de Salvador.

Com o Dique do Tororó engalanado, criando um clima pacífico, bucólico e de tranquilidade, o público se fez presente em grande número, tomando todos os espaços para ouvir a mensagem de paz. O momento artístico esteve sob a direção da cantora Cássia Aguiar que, com sua performance, animou o público muito participativo.

 

João Araújo, o mestre de cerimônia, externou a gratidão do Movimento Você e a Paz à Rede Bahia de Televisão, que muito tem feito em prol da divulgação desse evento ímpar. Representando as caravanas nacionais e internacionais presentes participaram do palco Francisco Ferraz, do Paraná, e Milciades Lezcano, da Federação Espírita do Paraguai, respectivamente. Igualmente compuseram o palco Demétrio Ataíde Lisboa, Presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção e da Mansão do Caminho, André Luiz Peixinho, Presidente da Federação Espírita do estado da Bahia, e os expositores do evento, Ruth Brasil Mesquita, Marcel Mariano e Divaldo Franco.

Com a certeza de que todos desejam a paz e uma sociedade mais humana e justa, o Movimento Você e a Paz se apresenta em praça pública, mobilizando milhares de pessoas que anseiam por paz e justiça social.

Ruth Mesquita se expressou destacando que todos almejam a paz, que é possível viver em paz, pois que esse sentimento faz parte do psiquismo do homem, que a cada dia aprende a lidar, com mais eficácia, com as vicissitudes da vida, vivendo em estado de paz, sem se deixar perturbar pelos tormentos e sobressaltos inerentes à vida.

Marcel Mariano homenageou, postumamente, o Monsenhor Gaspar Sadoc, dedicado servidor da paz, repetindo a frase inicial de seus discursos sacros: Povo de Deus! Destacando um evento alarmista que vem sendo divulgado por meio da mídia eletrônica, disse que há hoje os crimes cibernéticos, verdadeiro terrorismo a provocar pavor entre as pessoas. Naturalmente que a Internet apresenta recursos e conhecimentos construtivos, porém, o mal encontrou nesse nicho uma ferramenta para disseminar a violência, perturbando sobremaneira a sociedade humana, em ações destrutivas. Deixando uma mensagem de esperança, Marcel destacou a importância de Jesus na vida dos cristãos, que devem homenageá-lo, permitindo que a Sua mensagem renasça em seus corações.

Divaldo Pereira Franco, o idealizador desse movimento divulgador da paz e em sendo Embaixador da Paz no Mundo, discorreu sobre as ações pacifistas de Léon Tolstói, escritor russo que se converteu ao cristianismo, abdicando de seu título de nobreza, tendo adotado e difundido o conceito da não-violência.

Ele buscou uma vida simples e próxima à natureza. Difundiu suas ideias em panfletos, ensaios e peças teatrais, a criticar a sociedade e o intelectualismo estéril a tal ponto que influenciou um importante admirador: Mahatma Gandhi que, por sua vez, fascinado pela mensagem do Cristo, influenciou, através da obra de Tolstói, o pastor Martin Luther King Jr em sua trajetória pacifista, de não-violência, libertando seus irmãos oprimidos pelos conceitos e conflitos raciais. É o amor a se expressar libertando o homem, tornando-o mais feliz e fraterno. Gandhi teve a oportunidade de afirmar, embora não sendo cristão, que se a humanidade perdesse todos os livros e se o Sermão da Montanha fosse preservado, esse bastaria para que a humanidade construisse uma vida feliz.

Não resolve ser contra a violência, é necessário ser a favor da não-violência. Foi com esse pensamento que Divaldo Franco, sob a orientação de sua mentora espiritual, Joanna de Ângelis, fundou há vinte anos o Movimento Você e a Paz. Inicialmente voltado aos jovens nas escolas, não prosperou por falta de receptividade. Apresentando-se, então, nas praças públicas, o Movimento vem se reafirmando e crescendo, sensibilizando corações, esclarecendo mentes, atraindo multidões.

A canção Paz pela Paz, de Nando Cordel, composta especialmente para o Movimento, tornou-se o seu hino oficial, uma marca característica. A Organização Mundial da saúde estabeleceu que a violência é uma doença da alma, e somente na alma ela pode ser tratada. A saga é transformar a violência em ternura, de silenciar o rancor, de passar incompreendido de vista baixa por que o coração está eivado de certeza de que o bem triunfa. A humanidade necessita de paz. Nunca a necessitamos tanto quanto hoje.

A sociedade vive armada contra si mesma, que se degrada para se esquecer da sua pequenez, que se deixa vencer pela drogadição para fugir da consciência, que explode na intimidade do lar. Nunca necessitamos tanto de paz, a sociedade tem fome, fome de justiça, fome de bondade, fome de amor.

Narrou, o ínclito orador, arauto do evangelho e do amor, que estando em uma grande urbe, encontrou alguém chorando. Era noite, tremeluziam as luzes do natal, e não falando fluentemente o idioma do desafortunado, e ouvindo na intimidade da alma: leva-lhe uma palavra, que te custa? Tu não podes dialogar muito, mas podes dizer-lhe o essencial, voltou àquele recanto escuro em que alguém chorava terrivelmente, tocou na pessoa, perguntando-lhe se poderia ajudar.

Os olhos lacrimejantes, parecendo duas estrelas, fitaram com surpresa a presença de Divaldo que lhe disse: acredite em Deus, isto vai passar, acredite em Deus! Permita-me dar-lhe um abraço. A pessoa debruçou-se sobre o ombro de Divaldo, chorou copiosamente e despediu-se. Sensibilizado, Divaldo disse ter acreditado que aquela criatura era Jesus. Era Jesus chorando na grande urbe, procurando alguém que o consolasse. Era o Cristo de Deus diante de tanta opulência, de tanto poder e de tanta miséria, de grande angustia, de alto índice de suicídio, de indignidade, de drogadição. Era Jesus lamentando.

Divaldo, então, agradeceu a Jesus, lembrando de uma lenda antiga, onde Pedro, ao enfrentar dificuldades em Roma, quando os primeiros cristãos eram perseguidos, havia tomado a decisão de se refugiar, para preservar a vida, encontrou Jesus que lhe disse que estava indo para morrer com aqueles que havia abandonado. Eu vou atendê-los nas masmorras, nas arenas, eu vou socorrê-los nas fogueiras, eu vou morrer com eles nos dentes das feras. Pedro voltou sobre seus próprios passos e foi ter com os que estavam sendo imolados nas fogueiras, devorados nos circos e crucificados, dando a sua vida em nome do amor, de Jesus.

Almas queridas que me ouvis permitam-me repetir uma frase do Nobel Albert Schweitzer que com estoicismo disse: Senhora Duquesa, enquanto os nobres não darem a vida, os vulgares nada farão. É necessário que eu vá para lá afim de que outros, um dia, tocados pelo meu exemplo, possam também participar da grande campanha de amor aos miseráveis.

É necessário, disse Divaldo, que não escutemos o canto de sereia das ilusões mentirosas do prazer, que aceitemos viver em gáudio e júbilo, com consciência tranquila do dever retamente cumprido, em paz, desfrutando de harmonia, com o coração pacificado, e que nos seja lícito amar sem nos envergonharmos. Será necessário dizer ao outro, eu te amo, a fazer silêncio para que o outro fale, sendo mensageiro da paz. Será necessário acalmar o lobo interno para que a felicidade e a paz se instalem, amando incondicionalmente, seja quem for, mesmo aqueles que se demonstrem contrários.

Desejando um feliz natal com um ano novo de paz e prosperidade, Divaldo encerrou o inolvidável evento no Dique do Tororó, entoando com o público a canção Paz pela Paz, de Nando Cordel, sob aplausos intensos e abraços efusivos. É o semeador arando os corações e lançando-lhes as sementes do amor e da paz.

Texto: Paulo Salerno

Fotos: Jorge Moehlecke

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