9 abril 2015
9 abril 2015, Comentários 0

Divaldo Franco
Professor, médium e conferencista

O comportamento humano, sem dúvida, é muito paradoxal. Dificilmente podemos aguardar equilíbrio neste oceano de níveis de consciência em que nos encontramos mergulhados. Durante muito tempo e ainda hoje, felizmente em menor intensidade, desforçávamos da atitude infeliz de Judas quando traiu Jesus, malhando-o de maneira cruel e animalizante, como ainda ocorre em momentos de linchamento de algum atormentado criminoso contra quem as massas se voltam… Jesus, a quem dizíamos amar, não titubeou em perdoar a todos os algozes responsáveis pelo Seu exemplo de abnegação e de misericórdia, nos últimos momentos e mais dolorosos do Seu martírio. Nós, entretanto, os que dizíamos segui-Lo, atendendo a comportamentos doentios do passado, culpamos e não perdoamos ao povo no qual Ele nasceu e que seria responsável perpetualmente pelo que a alucinação de alguns psicopatas e aliciados pelo poder do Sinédrio impuseram a Pilatos que o condenou à morte.

Transformamos o substantivo judeu em exemplo de crueldade, como se não fôssemos de alguma forma, quase todos, igualmente asselvajados quando estão em jogo os interesses do ego. E Judas passou à posteridade como sendo o infame que, em toda Semana Santa, deveria ser malhado, arrebentado e destruído… Em momento de equilíbrio a Igreja Católica, oportunamente, “liberou” os judeus da culpa da crucificação e Judas da perseguição inclemente. Ainda ressumam em alguns países e cidades interioranas do Brasil o hediondo espetáculo que o tempo irá apagar da memória humana.

Todos necessitamos de perdão e de autoperdão. A contribuição valiosa das doutrinas psicológicas demonstra que perdoar é saudável, e feliz é sempre aquele que o exerce em relação ao próximo, assim como a si mesmo, brindando-se oportunidade de correção e reconciliação. Utilizemo-nos, religiosos ou não, dos dias evocativos da Páscoa judia para alguma reflexão em torno de Jesus e de Sua doutrina, perdoando e perdoando-nos.

Revisão de texto: Lívia Mª Costa Sousa

Divaldo Franco escreve quinta-feira, quinzenalmente.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 09-04-2015

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