14 dezembro 2016
14 dezembro 2016, Comentários 0

Movimento Você e a Paz
Divaldo Franco
Salvador, 14 de dezembro de 2016
Texto e fotos: Paulo Salerno

No Dique do Tororó tudo estava preparado. Iluminação, palco, as águas engalanadas por luzes multicores. O conjunto emprestava sua beleza para compor uma harmonia ímpar. Respirava-se paz. Com o público chegando e se acomodando no gramado, o Coral Encontro de Luz, da Federação Espírita do Estado da Bahia, regido pelo Maestro Milton Cezar, foi dando o tom para a noite que começava a se fazer presente, preparando corações e mentes. Carla Vizi e Rudinei Monteiro, formando bela dupla, com belas interpretações, arrancaram muitos aplausos do público participativo, assim como o Coral.

 

Os pronunciamentos aguardados foram iniciados por Ruth Brasil Mesquita que teceu comentários sobre o livro Eu Posso Falar, de Manuel David Coudris, destacando a vida inteligente e sensível existente ainda no ventre materno. Nesse caso específico, registrando os diálogos entre filho e mãe. Uma experiência excepcional e extraordinária vivida pela gestante, a sensitiva Mirabelle Coudris e seu filho não nascido, registradas durante a meditação na primavera de 1984, na Áustria. As informações daí advindas tiveram comprovações posteriores com o emprego de métodos sofisticados. Destacou a oradora eloquente que a vida deve ser preservada, e todos os que preservam a vida já se encontram em condições pacíficas, possuidoras de paz íntima. Ruth deixou sua mensagem em favor da vida, repudiando o aborto criminoso, assassinando no ventre materno aquele ser que não pode se defender.

Marcel Mariano sublinhou que os indivíduos da atualidade brasileira, em sua esmagadora maioria, percebem que o crime e os criminosos estão banalizados. Já não se surpreendem, ou se escandalizam, ante os crimes hediondos e bárbaros, numa clara demonstração de que os corações se encontram petrificados, agressivos. Não basta endurecer as leis, é necessário reestruturação do sistema prisional, humanizando as condições carcerárias, trabalhar as causas geradoras dos crimes, da violência. Levar em conta que o criminoso, o violento é um doente social. Toda uma assistência, por profissionais habilitados e capacitados, deve ser disponibilizada para auxiliar na recuperação dos violentos e criminosos. A educação, outro pilar que deve dar sustentação na construção de uma família, de uma sociedade pacífica, deve ser desde já planejada e posta em execução, oferecendo para as gerações futuras as condições para uma vida de paz e harmonia.

João Araújo, mestre-de-cerimônias, fazendo uma homenagem a Nilson de Souza Pereira, pacifista e pacificador por excelência, leu o Poema A Dádiva, do escritor libanês Gibran Khalil Gibran (1883 – 1931), que entre outros versos, destacamos: Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas. Há os que pouco têm e dão-nos inteiramente. Esses confiam na vida e na generosidade da vida e seus cofres nunca se esvaziam. Há os que dão com alegria e essa alegria é sua recompensa. Há os que dão com pena, e essa pena é seu batismo. E há os que dão sem sentir pena, nem buscar alegria e sem pensar na virtude. Dão, como num vale o mirto espalha sua fragrância no espaço. Pelas mãos de tais pessoas Deus fala; e através de seus olhos Ele sorri para o mundo.

O idealizador do Movimento Você e a Paz, desencadeado em 1998, Divaldo Pereira Franco vem se destacando e sendo reconhecido como um verdadeiro pacifista, pacificado e pacificador. Seu pronunciamento foi um verdadeiro alerta, destacando, no caso abordado, o uso de drogas, que degrada o ser humano, desestrutura a família, corrompe a sociedade, destrói vidas, gerando de continuum, violência crescente. A história real, acontecida em Nova Iorque, EUA, espelha com cruel realidade a experiência de inúmeras famílias. O pai, por injunções econômicas e sociais, tanto quanto a mãe, não possuem tempo para seus filhos, para atender as suas necessidades afetivas, que imaginam suprir dando coisas. Raríssimamente dão-se aos filhos.

O jovem adolescente em tela, na ânsia de saciar suas necessidades afetivas, busca nas drogas o amor que não lhe alcança. Se utilizando de mentiras e estratagemas, vai se perdendo no labirinto diabólico e perverso da drogadição e todos os componentes que formam esse séquito de horrores. Em uma discussão doméstica, filho e mãe vivem um dilema profundo, o pai intervém, e sentindo-se ameaçado por uma faca, atira no filho, matando-o.

Em seu julgamento, por júri popular, o pai é absolvido. Tem a liberdade, porém, a consciência é um juiz implacável que não dá tréguas. O pai atormentava-se perguntando para si e para quem pudesse ajudá-lo a encontrar uma resposta, uma razão, para aqueles fatos envolvendo sua família. Como o pai havia concedido uma entrevista, e que foi publicada, Divaldo sentiu a necessidade de lhe escrever. Na missiva, afirmava que palidamente compreendia. Observou que na entrevista não havia falado sobre religião com o filho, a presença de Deus na vida de cada um, que havia dado tudo o que o jovem necessitava. Orientava para que agisse diferente com o segundo filho, que desse menos coisas e doasse-se mais, que estivesse mais presente, que oferecesse assistência amorosa, segurança doméstica, exemplos de dignidade. Junto à carta, Divaldo enviou O Livro dos Espíritos. A carta jamais foi respondida.

No ano de 2000, a UNESCO diagnosticou que a guerra no mundo começa em cada indivíduo, e que a violência é uma doença social que começa no Espírito, segundo a Organização Mundial de Saúde. Neste mesmo ano, entre os dias 28 e 31 de agosto, em Nova Iorque, EUA, aconteceu o Primeiro Encontro Mundial de Líderes Religiosos, promovido pela Organização das Nações Unidas. Participaram representantes de 140 países e de 120 religiões, as mais diversas, desde as indígenas. As propostas ali estabelecidas deveriam ser analisadas após o transcurso de 20 anos. Estabeleceram seis regras para que fossem evitadas as guerras, como segue:

1º – Seja pacífico; 2º – Mantenha a ordem; 3º – Procure sempre fazer o melhor ao seu alcance; 4º – Ame a natureza; 5º – Ouça o outro para compreender; e 6º – Redescubra a solidariedade. O emérito educador e orador espírita concitou a que cada um fosse mais mediador; a ser ponte, construindo soluções; a sentir prazer em servir; a doar; a construir o futuro através de famílias equilibradas; a sensibilizar corações em conflito; a ser mais compassivo, convidando a que cada indivíduo seja mais feliz, abrindo o coração à paz. A oração é poderosa impulsora da transformação moral, preparando os dias felizes do porvir. Jesus é a figura máxima do amor e da paz. Quem Lhe segue o exemplo, procede bem, age corretamente, sabe amar, desenvolve o sentimento da gratidão, tanto à vida, quanto a Deus.

Com o Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues, o extraordinário evento foi encerrado. Ato contínuo, foi cantada a canção Paz pela Paz, de Nando Cordel. O público, entusiasmado e imbuído de sentimento pacifista entoou junto, aplaudindo, abraçando-se, enquanto fogos de artifício eram lançados ao alto, saudando antecipadamente a celebração da paz mundial, que se avizinha. O público, como nos eventos precedentes, além dos presentes, foi formado pelos moradores da vizinhança, que de seus prédios, participavam ativamente.

Abraços,
Jorge Moehlecke

 

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