14 dezembro 2015
14 dezembro 2015, Comentários 0

Centro Espírita Caminho da Redenção – 12 Dez 15

 

Na tarde de 12 de dezembro de 2015 aconteceu mais um encontro, o segundo, de estudo das obras da série psicológica ditadas pela Benfeitora Joanna de Ângelis e psicografia de Divaldo Franco. Contribuindo para a elevação do padrão vibratório, o momento musical envolvente promoveu grande harmonia. Os expositores foram o casal Cláudio e Iris Sinoti, com a abertura a cargo de Divaldo Franco. O tema foi: Fatores de Perturbação – Rotina e Ansiedade, baseado na obra O Homem Integral. Divaldo expressou a sua gratidão aos presentes que lotaram o auditório do Centro Espírita Caminho da Redenção. Além das pessoas residentes em Salvador, haviam representantes de outras cidades da Bahia, de outros Estados e do Exterior.

Cláudio Sinoti, apresentando informações sobre os últimos feitos na área espacial, destacou as explorações científicas em Vênus e Marte, entre outros, com emprego de altas tecnologias. Apesar desse fantástico conhecimento, o homem ainda não desenvolveu a consciência de si mesmo, desconhecendo seus fatores perturbadores.

 

Utilizando-se da obra citada, Cláudio discorreu sobre os fatores que perturbam a criatura humana, que basicamente restringe as suas ações em possuir, dominar, gozar por momentos, constituindo-lhe a meta a que se lança desarvorado. A miséria econômica e a agressividade produzida pelo abandono social transformam as cidades em palco para o crime e todas as suas consequências, como o medo asfixiante, a indiferença pela ordem, pelos valores éticos.

Abordando um dos fatores de perturbação, a rotina, Cláudio esclareceu que o que o homem tem de pior é fazer as coisas de forma inconsciente, com indiferença pelo outro. Cláudio estimulou os presentes a descobrirem quais as suas rotinas que não precisam mais percorrer. Nas palavras de Joanna de Ângelis, na obra citada, capítulo 1, “A cisão da corrente do pensamento cartesiano, na dicotomia do corpo e da alma, ensejam uma radical mudança de hábitos da sociedade, dando surgimento a uma série de conflitos que irrompem na personalidade humana e conduzem a alienações perturbadoras.”

Quando não se renova o entusiasmo de viver, os desafios para enfrentar proposições novas, a criatura perde o contato com si mesma, absorvida pela rotina, classificada por Joanna de Ângelis como uma ferrugem na engrenagem de preciosa maquinaria, que corrói e arrebenta. O homem é o resultado do trabalho de bilhões de anos de transformação para viver experiências e iniciativas constantes, renovadoras. Os sentimentos entorpecidos aprisionam as criaturas, incapacitando-as para cometimentos de elevação espiritual, por se encontrarem indiferentes.

Os suportes morais e espirituais contribuem para a mudança de rotina, abrindo espaços mentais e emocionais para o idealismo do amor ao próximo, da solidariedade, dos serviços de enobrecimento humano, é a orientação segura da Benfeitora, autora da obra o Homem Integral. É necessário, frisou o expositor, uma renovação incessante, alterando hábitos. Finalizando, e levando o público para um nível alto de emotividade, narrou a saga da vietnamita Kim Phuc, à época, uma menina com cerca de 9 anos de idade que teve seu corpo quase totalmente queimado pelo efeito das bombas de Napalm. Despida de suas vestes queimadas, correndo em desespero, sua fotografia percorreu o mundo. Ela é um exemplo de fé, de perdão e amor a Deus.

Iris Sinoti apresentou um belo trabalho sobre a ansiedade, também com base na obra O Homem Integral e outras. A ansiedade, disse, faz parte da vida moderna. O mal do Século, a depressão, em múltiplos casos, possui sua geratriz na ansiedade. O ansioso não vive o momento presente, está sempre vivendo na expectativa do que possa acontecer no futuro imediato e mediato. Ameaças de guerra, danos ecológicos, violência urbana são fatores desencadeantes para a ansiedade.

Geraldo José Ballone, no livro Da Emoção à Lesão, cap. 7, afirma: Diz-se que a simples participação da pessoa na sociedade contemporânea já é, por si só, um requisito para o surgimento da ansiedade, de modo que viver ansiosamente passou a ser uma condição do homem moderno, ou um destino comum e ao qual todos estamos atrelados de alguma maneira. Sendo a ansiedade uma das características mais habituais da conduta contemporânea, o homem esquece-se de viver o seu momento atual, o mais importante.

A ansiedade nada mais é do que a tensão entre o agora e o depois, Carl Gustav Jung. Iris discorreu sobre a ansiedade normal, necessária à sobrevivência do ser humano, sendo um instrumento de adaptação do indivíduo às exigências da própria vida. Um sentimento de apreensão, uma sensação de expectativa de algo a acontecer, um estado de alerta, a pressa de concluir um trabalho que ainda não começou, são indicativos de ansiedade. A ansiedade produz uma perturbação emocional.

O medo é o sentimento inseparável da ansiedade. Ela possui manifestações e limites naturais, perfeitamente aceitáveis, por exemplo, quando se aguarda uma notícia, uma resposta, etc. A ansiedade tem a função de alertar, de advertir sobre a necessidade de adaptação iminente, capacitando a pessoa para adotar medidas eficientes de enfrentamento à uma situação qualquer.

Joanna de Ângelis afirma em O Homem Integral: Impulsionado ao competivismo da sobrevivência e esmagado pelos fatores constringentes de uma sociedade eticamente egoísta, predomina a insegurança do mundo emocional da criatura. Sem um ideal e pressionado pelo sistema repetitivo, de fazer as mesmas coisas, comporta-se, a criatura, de maneira semelhante aos demais. Assumir a condição de ser sempre um triunfador, de obter sempre o sucesso, de estar sempre feliz, ser um vencedor a qualquer custo, o indivíduo perde a identidade e a individualidade, esquecendo-se do ser que é.

Quanto maior for a autoestima e o nível do autoamor, menor será o grau de ansiedade do indivíduo. A ansiedade pode gerar efeitos fisiológicos, tornando-se patológicos, gerando efeitos psicológicos. O grande desafio contemporâneo para o homem é o seu autodescobrimento, ensina Joanna de Ângelis, em O Homem Integral. É dever de cada um identificar a sua realidade emocional, as aspirações legítimas e as reações diante das ocorrências do cotidiano. São valiosas as lições do Cristo sobre o amor ao próximo, a solidariedade fraternal, a compaixão. O recurso da oração, geradora de energias otimistas e de fé, proporciona equilíbrio e paz, sentindo-se feliz.

É necessário que cada um se conecte ao amor, atento aos sentimentos que experimenta, confiando na grandeza da vida, não desperdiçando o nobre momento da atual reencarnação. Se desejas ser amado, ame! Assim, Iris finalizou seu belo trabalho conclamando ao amor incondicional a si mesmo e ao próximo, sem perder as ricas oportunidades de fazer o bem, tornando-se em uma criatura melhor, solidária e fraterna.

 

À noite, às 20h00min, depois de uma tarde abençoada com temas enriquecedores, Divaldo Franco, conduzindo as atividades normais para as noites de sábado, afirmou que quando a criatura possui guardada a paz de Jesus dentro de si, nada a perturbará. Utilizando-se de histórias com conteúdo enobrecedores e guardando cunho humorístico, levando o público ao riso farto e expressivo, discorreu sobre a estupidez humana, a idiotia.

Expondo conceitos sobre a ansiedade, o magistral orador se apoiou nos conceitos de Rollo May, psicólogo norte-americano, que estuda e conceitua os caracteres de transtorno psicológico – o medo, a solidão e a ansiedade; em Emilio Mira y Lopes, psicólogo, autor de Os quatro Gigantes da Alma – O medo, a ira, o amor, o dever; nas informações produzidas pela Dra. Elisabeth Hartmann que diz que a rotina é a falta de amor. A ansiedade, disse o orador por excelência, é um evento psicológico natural.

Mantendo o público sempre muito bem-humorado, narrou episódio em que se viu fora do corpo, produzindo boas risadas em relação a comicidade dos eventos que presenciou neste curto espaço de tempo. É necessário não ter ansiedade, tendo em vista que o ansioso perde o equilíbrio emocional. A Dra. Hartmann sugere quebrar a rotina fazendo algo diferente. Basta a cada dia a sua aflição, ensinou o Mestre de Nazaré, devendo a criatura considerar as ocorrências como naturais da vida.

Focalizando sua exposição nos princípios éticos e nos ensinamentos de Jesus, Divaldo foi enriquecendo o seu público, ávido de saber, com conteúdo de fácil percepção. Jesus superou a ética até então conhecida e formulada pelos filósofos de todos os tempos. Apresentando exemplos de vivência de Chico Xavier, Divaldo disse que o culpado vê culpas. Cada um deve confiar e entregar-se a Deus, com oração, com bom serviço, estimulado para não se deixar abater pelos quatro gigantes da alma. A solidariedade, a caridade e o amor ao próximo são atitudes enobrecedoras a serem perseguidas por quem deseja tornar a vida em o evangelho de Jesus.

Finalizando, e estando o público altamente motivado e atento, o Embaixador da Paz e da Bondade exortou a que cada um tenha uma conduta pautada nos ensinos de Jesus, entregando-se as ações do amor, exaltando-O na ação do bem, enriquecendo-se de bênçãos, combatendo a rotina e a ansiedade. Como exemplo, apresentou em breves palavras, a conduta humilde e nobre do Dr. Juliano Moreira, baiano de Salvador, psiquiatra negro, nascido em 1872.

Texto: Paulo Salerno

Fotos: Jorge Moehlecke

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