28 fevereiro 2016
28 fevereiro 2016, Comentários 0

Na manhã de 28 de fevereiro de 2016, a Federação Espírita do Estado do Rio Grande do Norte, fundada em 29 de abril de 1926, comemorando seu 90º aniversário foi presenteada com o Workshop Tesouros Libertadores, ministrado pelo maior orador espírita da atualidade, Divaldo Pereira Franco.

Com o auditório do Hotel Holiday Inn, completamente lotado o médium e conferencista sugeriu a todos uma viagem  terapêutica em busca da empatia.
Divaldo Franco foi acarinhado pela FERN com uma Placa comemorativa de seus 90 anos assim como um buque de fotos do Lançamento do Movimento Você e a Paz na cidade de Natal.

Após a apresentação musical do Grupo Canto de Paz que musicou algumas poesias de Auta de Souza e a prece feita pelo Presidente da Federação Eden Lemos, o Seminário teve início com reflexões sobre vários aspectos a respeito dos tesouros. Aqueles que são de sabor permanente e aqueles que transitam pelas nossas mãos, às vezes, escravizando-nos.

 

“Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21) disse Jesus. Mas que tesouros?  Existem tesouros que libertam e tesouros que aprisionam. O ter é sempre razão de sofrimento. Os tesouros valiosos são os de qualidade, são atemporais: o amor, que liberta-nos da paixão que é posse. E tudo aquilo que nós desejamos com o interesse de possuir escraviza-nos. E é por isso que aqueles que se submetem aos valores terrestres; ao poder; às coisas que projetam o ego, estão sempre insatisfeitas, porque essa busca ávida não tem limite. O limite é o infinito.

Segundo Divaldo, é necessário que a posse tenha um caráter de transitoriedade com o qual nós nos afinizaremos porque ter ou deixar de ter é uma condição de ordem simplesmente mental. O necessário, o indispensável, a vida vem nos dando, da mesma forma que veste as flores de cores e a natureza de beleza e providencia todo e qualquer tipo de recurso para a vida, também aqueles que dizem respeito a nossa vida, estão providenciados.

Mas nós, criaturas humanas, graças ao nosso processo antroposociopsicológico possuímos a avidez de ter, buscando mais segurança, o que nem sempre se dá, e muitas vezes esse ter produz no indivíduo a avareza e no outro, a disputa por tomar-lhe. Ademais, toda vez que nós temos somos sacudidos pelo medo de perder, deixamos de ser o possuidor e nos tornamos o possuído.

Ao abordar, Os Quatro Gigantes da Alma, de Emílio Mira y Lopez, o palestrante deu-se conta de que aqueles eram os gigantes da alma à época em que analisou a obra mas na atualidade nós teríamos os mesmos propósitos sob novos rótulos: a rotina, a ansiedade, a solidão e o medo. Esclareceu, ainda, minuciosamente as cinco características da pessoa humana como a personalidade, a identificação, o conhecimento, a consciência, e a individualidade.

Divaldo Franco referiu-se a Freud que construia a arquitetura  da psicanálise com base em nossas experiências vivenciadas e ao jovem Jung que em Zurique procurava entender porque existia o complexo de inferioridade, de superioridade, o narcisismo, todas essas manifestações neuróticas e psicóticas. Ele buscou a palavra arquétipos para definir o momento quando o inconsciente registrou o fato e jogou a culpa na consciência. Todos nós temos culpa consciente ou inconsciente. Temos algum complexo de inferioridade, temos um pouco de narcisismo. Todos nós temos marcas antigas. De repente, recordamos de um fato desagradável, raramente de um agradável pois esse não produziu muitas marcas porque nós fruímos e vivemos mas o desagradável nós recusamos, castramos, apagamos da nossa consciência mas ele não é eliminado, vai para o arquivo do inconsciente. E de vez em quando o inconsciente libera e passamos a ter tristeza, melancolia, angústia, a sensação de que alguém não gosta de nós, de que alguém está nos perseguindo, temos esses estados neuróticos de culpas inconscientes guardadas em nosso mundo interior. Fez referência a teoria da anima (parte feminina na alma do homem) e do animus (parte masculina na alma da mulher).

No retorno do primeiro intervalo, oportunidade em que, o agora cidadão macaibense, Divaldo Franco atendeu a uma imensa fila para autógrafos e fotos, todo auditório se emocionou com as palavras do mestre acerca da grandeza do amor, como o amor é fascinante e seu poder miraculoso como psicoterapia.

Um sentimento que se dá sem pedir nada pois quem ama se sente feliz com a felicidade do outro, mesmo que recusado, isso é secundário, pois quem ama se plenifica com o outro aceitando ou não.

Nesse sentido, Freud, que foi extraordinário, pecou pelo excesso porque cada um de nós temos muitos afetos declarados ou ocultos sem a presença de qualquer manifestação da libido, sexual, da  libido narcisista, da libido de querer exibir-se, e da libido do conflito dessa ou daquela natureza.

E a tese Socrática: Conhece-te a ti mesmo. Educar para Sócrates, educere não era transmitir informação, era sofismar, buscar informação que está dentro de nós.

O psicanalista freudiano nos mandaria a uma auto análise, fazer a nossa regressão até a infância, ao período dos traumas; o psicoterapeuta junguiano buscaria os nossos arquétipos, aquilo que nós temos no inconsciente e não sabemos, as nossas frustrações, as nossas antipatias, através do diálogo, dos sonhos e das associações iria descobrindo  o que o nosso inconsciente está mandando para fora e a consciência não identificou. Nós cultivamos certos hábitos sem nos darmos conta. Quantos conflitos banais que temos que podemos resolver pelo auto amor, é só começar a amar-se, a descobrirmos como somos únicos, e que nossas vidas tem um sentido muito grande, parece vaidade mas não é, todo mundo é único, cada um de nós é único, que jamais por melhor que seja o meu modelo, eu serei sempre uma cópia, então é muito melhor ser o modelo, então que me copiem mas nós não copiemos ninguém. Que tenhamos uma meta, um objetivo, uma busca que é um trabalho de auto conquista de natureza transcendental, então, é claro, quando nos entregamos a essa busca descobrimos o milagre do amor terapêutico.

Outro momento marcante do encontro foi quando o conferencista contou um caso seu pessoal em que um médico lhe deu apenas 28 dias de vida em razão de um problema cardíaco e na ocasião ele tinha 60 anos de idade. Mesmo contra recomendação médica de repouso absoluto, mas atendendo a recomendação de Joanna de Ângelis, Divaldo participou de uma sessão mediúnica, recebeu comunicação, psicografou, incorporou uma entidade sofredora e ao término da sessão, às  21:30 hs, ele não sentia mais a angina pectoris, já respirava sem dor. Daí constatou como o espiritismo é terapêutico, os guias espirituais haviam lhe dado passes, e haviam produzido uma dilatação automática da artéria que estava bloqueada pelo colesterol.  …” sou fanático pelo espiritismo que para mim é um hobby, não é um dever, é uma plenitude, é a presença de algo que a mim me realizou, então eu semeio.

O Espiritismo nos dá a explicação lógica da vida. Explica os por quês. Diz qual é a finalidade do existir e nos fala de um Jesus que não está mais crucificado para expirar pena. A paixão de Jesus não é numa semana. A paixão de Jesus somos nós. É todos os dois mil anos que ele nos espera para que façamos a nossa revolução interna e sejamos cidadãos, ao invés de sermos cristãos assassinos que não tenhamos religião mas sejamos cidadãos honestos. Nada pior do que ter uma religião e disfarçá-la cometendo crimes, melhor não ter, porque aquele que não tem religião e age bem é um homem de bem, conforme Allan Kardec escreve em o Evangelho Segundo o Espiritismo. Então essa doutrina é um tratado de terapia. Precisamos, também, sermos mais otimistas, cultivarmos o otimismo, termos ciência de que somos seres imortais, estamos vivendo na carne, desenhando esse papel extraordinário da evolução que nos vai levar a plenitude.

Mas será que nós somos mesmo uma individualidade? E cita o neurocirurgião Alexander Eben, que era um cético, nunca acreditou em vida após a morte até passar por uma experiência dramática. Entrou em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e voltou convencido de que existe vida do outro lado. E publicou dois livros: Uma Prova do  Céu e Mapa do Céu, e está absolutamente convencido de que a morte não leva à destruição da individualidade, do espírito.

Divaldo citou também o livro Inteligência Espiritual, lançado pela física e filósofa americana Dana Zohar que aborda a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. Um estudo baseado no Quociente Espiritual (QS) que pesquisado e divulgado por cientistas de várias partes do mundo descobriram o que está sendo chamado “Ponto de

Deus” no cérebro. Uma terceira inteligência que implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS está ligado à necessidade humana de ter um propósito na vida e o usamos para desenvolvermos valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.

E O Semeador de Estrelas encerra  o agradável encontro com mais uma mensagem :…” A vida tem um sentido, e o nosso tesouro libertador é exatamente viver para essa vida. Sem medo de amar. Vamos adotar a empatia. Não tente conhecer-se apenas a ti mesmo. Tentemos nos colocar no lugar do outro. Sentir a dor e a alegria do outro. Vamos perceber que o outro também tem problemas e precisa de nós. Amemos aos invisíveis. Que a nossa grandeza moral nos enriqueça com esse tesouro libertador que é o amor, que possamos amar, evocando a figura incomparável de Jesus Cristo: …” eu vim para os doentes porque os sãos não necessitam de mim. Eu venho para aqueles que tem a necessidade de amor”…

Texto e fotos:  Maria Rachel Coelho

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