8 março 2017
8 março 2017, Comentários 0

A Fundação Educandário Pestalozzi, criada (1944) a partir do ideal da professora Maria Aparecida Novelino e de seu marido o médico Dr. Tomás Novelino ofereceu as dependências de seu ginásio esportivo para acomodar as mais de 1.000 pessoas que se reuniram no sábado, dia 04.03.2017 para ouvir Divaldo Franco apresentar o mini seminário “Seja Feliz Hoje”.

Divaldo inicia o desenvolvimento do tema relatando a experiência da escritora americana Ruth Stout retratada em o livro “If you Would Be Happy” (Se Você Pudesse Ser Feliz); Narra a, autora, que quando contava com 4 (quatro) anos de idade observava pela janela da sala os seus irmãos mais velhos sepultando no quintal o corpo de um animal de estimação. A cena levou-a às lágrimas de tristeza.
Seu avô, percebendo-lhe a tristeza, segurou suavemente suas pequeninas mãos para em seguida leva-la até a janela disposta em oposição àquela em que assistia a cena triste.

 

 

 

Da janela o avô apontou-lhe uma roseira em flor e sem esperar saltou-a junto com a menina que extasiada acabou por esquecer-se da tristeza de alguns momentos atrás.

Decorridos alguns minutos, o avô levou-a de volta ao centro da sala e mostrou-lhe as janelas dispostas uma em oposição à outra e lhe ensinou:
— Em nossas vidas, sempre existem abertas duas janelas. Uma voltada para a tristeza e a outra que olha para a felicidade. A verdadeira sabedoria está em escolher aquela janela onde se quer ficar. Quando você estiver debruçada na janela da tristeza, lembre-se que do outro lado, a janela da felicidade está aberta. E então, mude de janela. E quando estiver na janela da felicidade, recorde-se que atrás alguém está chorando e necessita do seu apoio. Evite permanecer na janela da tristeza desdenhando o dom da felicidade que Deus nos disponibiliza. Quando, porém, você estiver fruindo a felicidade, lembre-se de que alguém necessita de uma cota de alegria, que você pode dar.

Após a bela narrativa, Divaldo extrai dela uma sábia conclusão: Problemas, sofrimentos e tristezas fazem parte da viagem da vida, posto que ela é dinâmica. Em sendo assim, a verdadeira felicidade, portanto, é saber administra a tristeza não lhe permitindo obscurecer a nossa alegria de viver.
A felicidade não é algo que VIRÁ, mas é algo que trabalhamos AGORA e que decorrerá da maneira como nos conduzamos neste momento, porque a felicidade é o resultado das nossas ações e as ações, por sua vez, são a materialização da nossa verbalização que defluem do nosso pensamento. Tudo tem início na área mental, para depois se transferir para a fala e posteriormente para as ações.

Em seguida Divaldo aborda a filosofia da Grécia e detalha o pensamento e definições das diversas escolas filosóficas sobre a felicidade:
1. Epicuro afirmava – pelo pensamento Epicurista ou hedonista – ser a felicidade alcançada com o TER coisas e prazer indutores da felicidade. Porém, junto com o verbo TER está atrelado o verbo PERDER.

2. Mais tarde surgiu Diógenes do pensamento Cínico que afirmou que a felicidade é NADA TER. Desdenhando os bens transitórios passou a habitar um tonel. Desconsiderou, em Corinto, o convite que lhe fora feito por Alexandre Magno, desprezando a honra de governar o mundo ao seu lado e admoestando-o por tomar-lhe o que chamava “o meu sol”. Diógenes constatou, porém mais tarde, que o nada ter acabava por gerar a escravidão pelo desejo de ter.

3. Surge, então, Zenon de Cicio constatou que a infelicidade é gerada pelo medo. O medo de perder aquilo que se tem. O medo de mão se conseguir aquilo que se deseja. O medo de sofrer, de adoecer, de morrer. Baseado nessa constatação ele desenvolveu o pensamento estoico, que ensinava ser a felicidade a necessidade de se banir da vida a afetividade e a emotividade causadoras do apego e produtoras de infelicidade. Além domais o homem deveria enfrentar as vicissitudes e os sofrimentos com serenidade, libertando-o da infelicidade. A felicidade estoica é RESIGNAR não ter medo seja da morte, de perder o que se possui.

4. Posteriormente Sócrates com o pensamento de que a felicidade é SER e não ter coisas transitórias. Sócrates combatia os males que os homens produzem para gozarem de benefícios imediatos, objetivando, com essa atitude de reta conduta, o bem geral, a felicidade comunitária. Felicidade seria o bem da alma, através da conduta justa e virtuosa.

Divaldo, fala então da interpretação da Doutrina Espírita sobre a felicidade ao nos ensinar que o ser humano deve aprender a ser feliz de acordo com as circunstâncias, incorporando e vivendo a certeza da transitoriedade do seu corpo físico e da sua eternidade espiritual. Filosofia esta, sintetizada no pensamento de Allan Kardec: “A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não da situação material em que ele vive”.

Contudo para que essa conquista seja permanente a transformação deve ser de dentro para fora. Mas como operacionalizar a reforma íntima preconizada por Jesus e enfatizada pela Doutrina Espírita?

Divaldo dá o roteiro buscando uma vez mais o repositório da Doutrina Espírita o Livro dos Espíritos onde Kardec indaga aos Espíritos Superiores na questão 919: Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

A resposta sucinta dos Tarefeiros do Cristo não deixa margem alguma a dúvidas:
“Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”
Esse é a nossa prioridade: A viagem Interior que nos auxiliará no reconhecimento das múltiplas imperfeições que aguardam serem, ainda, identificadas para depois, então, serem transformadas em virtudes como também daquelas outras que apesar de já reconhecidas aguardam nossa decisão firme para sublimá-las.

Urge o desenvolvimento da Consciência cuja melhor definição vem de Carl Gustav Jung: Consciência é quando o Ego (a máscara que afivelamos à face e que luta por defender a qualquer preço nossa Individualidade) toma conhecimento dos conteúdos psíquicos. É o estado quando eu sei o que DEVO fazer porque POSSO fazer.
Após breve intervalo, Divaldo inicia a segunda parte do seminário falando do escritor russo Leon Tolstoi (1828 — 1910) um dos grandes nomes da literatura russa do século XIX e que publicou os romances Guerra e Paz e Anna Karenina obras que o consagraram no meio literário mundial.

A fama, o destaque e reconhecimento da aristocracia russa – seus pares, pois ele era Conde – não conseguia, contudo preencher o vazio que ele sentia e em um gesto inesperado, abdicou de seus títulos e passou a viver de forma simples junto dos agricultores de sua antiga propriedade, levando uma existência simples e em proximidade à natureza, pois buscava o Reino de Deus e Sua justiça.

Em 1.894 publicou aquela que seria identificada como a grande obra de não ficção de Tolstói: O Reino de Deus Está em Vós, obra em que Tolstói defende a ideia de que o cristianismo não é uma doutrina abstrata, mas uma proposta prática para a vida.

O livro gerou tanta polêmica que foi proibido pelo czar da Russia, e seu autor excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa e por essa razão foi publicado pela primeira vez na Alemanha, pois fora banido em seu país de origem, a Rússia.

Anos mais tarde esse livro foi lido por um indiano radicado na África do Sul e que pela cor da sua pele sofria ignominiosa descriminação. Advogado por formação acadêmica, professando o hinduísmo, esse jovem encontrou a motivação para seguir sua missão.
Era Mohandas Karamchand Gandhi (1869—1948) que deixou a África do Sul e voltou para a, então, colônia inglesa da Índia, onde se tornou, mais conhecido como Mahatma (A Grande Alma) Gandhi e, pacificamente, libertou o povo da subjugação inglesa, utilizando-se da Não-Violência.

E o livro que inspirou Gandhi caiu, anos mais tarde, nas mãos do americano Martin Luther King Junior (1929—1968) um pastor protestante que se tornou um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo.
Ações de gigantes da humanidade que resultaram na libertação de quase 1 bilhão de vidas graças as páginas de um livro que fala de Jesus e estimula a vivência dos postulados morais do Mestre Nazareno.
Divaldo cita a comovente história de Ananda relatada – em toda sua emoção e detalhes – no livro de Dominique Lapierre (1931), Muito Além do Amor.

Ananda, jovem hindu da classe dos Párias, que aos 13 anos foi expulsa de casa por manifestar a Hanseníase. Abandonada foi sequestrada violentada sexualmente e colocada em um prostibulo até o momento em que as feridas da Lepra tornaram-se evidentes resultando na sua expulsão daquele antro.

Uma vez mais abandonada e quase morta de fome foi acolhida por Madre Teresa de Calcutá que não só lhe salvou a vida física tratando-a da moléstia e alimentando-a como também, e principalmente, devolvendo-lhe a dignidade e a vontade de ser útil a seu próximo e inundada de felicidade adotou o Cristianismo passando a integrar a congregação religiosa das Missionárias da Caridade, ordem fundada por Madre Teresa.

Eclodia em todas as partes do Mundo o surto de AIDS fazendo-se acompanhar de terrível preconceito em virtude da ausência de tratamento e cura, o que relegava os aidéticos ao mais completo abandono.
Madre Teresa, fazendo-se acompanhar de outras 10 irmãs da Ordem – incluindo Ananda – que iniciaram, em Nova York, a assistência aos desvalidos, incluindo alguns prisioneiros homicidas e condenados à pena de morte

Um dos condenados afeiçoou-se por Ananda e ela esquivou-se. Um dia ele disse-lhe que era rejeitado por ser aidético. Ela lhe respondeu, tranquila, que não se tratava disso, mas porque era casada com Jesus, e afirmou:
— Perco a vida, mas não O trairei.
O facínora, tomado de um ódio covarde aplicou em Ananda , quando ela estava atendendo outro paciente, sangue retirado do próprio corpo que iria contaminá-la.

Ela sorriu para ele e afirmou sem medo, nem ódio ou raiva:
— Seja feita á vontade de Jesus – e seguiu naturalmente com as suas tarefas.
O condenado morreu poucas semanas depois. Ananda prosseguiu sua missão e nunca desenvolveu a doença.

— Milagre? – pergunta Divaldo
— Não. Amor e a felicidade de servir seguindo Jesus, Modelo e Guia de toda a Humanidade, prossegue Divaldo. A adoção de um objetivo superior para a nossa existência
Consciente dos objetivos superiores da vida, passaremos a compreender que não devemos postergar a felicidade para o Natal, para o Carnaval ou outra data comemorativa. Não vinculemos a felicidade a nada e nem a ninguém. Não vivamos presos àquilo que nos faltem.
SEJAMOS FELIZES HOJE!

TEXTO: Sandra Patrocinio
FOTOS: Djair de Souza Ribeiro

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