27 fevereiro 2017
27 fevereiro 2017, Comentários 0

Segunda de Carnaval. Momo e sua corte dominam as atenções de um número incontável de pessoas em busca das extravagâncias do sentido, em Goiânia mais de 3.000 pessoas se ajuntam na entrada do Centro de Convenções buscando a oportunidade de assistir a mais uma palestra de Divaldo Franco.
Divaldo Franco ocupando a tribuna dá início a exposição emoldurando o tema – Seja Feliz Hoje – com a narrativa da história do médico americano Tadeu Merlin, favorável a aplicação da Eutanásia (do grego Morte Branda) em casos de doenças terminais.

Com esse pensamento povoando seu cérebro, o Dr. Merlin foi convocado a efetuar um atendimento de emergência para tentar salvar a vida de uma parturiente e seu bebê que não vinha à luz mesmo após 20 horas de trabalho de parto.

Quando, finalmente, a criança veio ao mundo o Sr. Merlin deu-se conta de que a mesma era portadora de uma deficiência congênita no pé o que o impediria de ter uma vida normal. Esse fato, associado ainda, à penúria econômica da mãe, despertou no médico materialista a ideia de acabar com os enormes sofrimentos que aquela criança teria.

 

 

 

Aproveitando que a mãe do bebê dormia, extenuada pelo largo período do parto, o Dr. Merlin preparou a injeção que levaria o recém-nascido à morte sem despertar suspeita. Porém, algo que o médico não soube explicar, deteve sua iniciativa e com esforço abandonou a efetivação da eutanásia.

Os anos se dobraram e várias décadas mais tarde o agora famoso e bem sucedido Dr. Merlin vivia uma vida tranquila ao lado da filha e de Barbara a netinha de 5 anos que encantava sua vida.

Em um acidente de trânsito, desencarnaram a filha e o genro do Dr. Merlin deixando Barbara sob seus cuidados.

Ao completar 7 (sete) anos, porém, a linda Barbara foi alvo de uma virose pertinaz. Os diversos médicos consultados afirmavam que a morte da criança ocorreria em poucos dias, sob dores terríveis. Os médicos aconselharam o Dr. Merlin a suavizar os momentos finais da netinha querida aplicando-lhe a eutanásia.

Em desespero o Dr. Merlin buscou ajuda junto a um médico da periferia de uma cidade do meio oeste americano que vinha efetuando estudos com essa doença.

O jovem médico avaliou Barbara e confirmou o veredito dos demais profissionais. A morte de Barbara ocorreria em poucos dias.

Vendo o sofrimento do avô, o médico ofereceu um tratamento experimental e sem certeza de resultados, o que foi prontamente aceito pelo Dr. Merlin. Após algumas semanas de tratamento a vitalidade e a saúde, voltaram a animar Barbara.

Quando o Dr. Merlin foi agradecer o jovem médico, o avô de Barbara deu-se conta de que o médico que havia devolvido a saúde de sua netinha era portador de uma deficiência física no pé e que ele se movimentava com dificuldades. Ao abordar o assunto com o médico, o Dr. Merlin descobriu que o profissional que salvara a netinha era a criança que há 35 anos ele quase aplicara a equivocada solução da eutanásia.

Com a emoção dominando os corações dos atentos ouvintes, Divaldo inicia a abordagem sobre o real sentido da vida enfatizando a felicidade formulando uma questão: O que é a Felicidade? É o prazer?

E ele mesmo nos responde: Não. Felicidade não é prazer.

Para os antigos a real felicidade era a vivência dos códigos morais preconizados pelos Upanichades (escrituras do hinduísmo) ou a filosofia presente no Bhagavad Gita.

Segue Divaldo abordando o tema passando por Pitágoras e os pensamentos de Sócrates que estabelece uma finalidade ética para a vida que é a de Bem viver e não a de Viver bem, aproveitar, ter prazer.

Após uma imperceptível pausa Divaldo – de maneira leve, esclarecedora e com sutis toques de fino humor – aborda a filosofia da Grécia e detalha o pensamento e definições das diversas escolas filosóficas sobre a felicidade:

1. Epicuro afirmava – pelo pensamento Epicurista ou hedonista – ser a felicidade alcançada com o TER coisas e prazer indutores da felicidade. Porém, junto com o verbo TER está atrelado o verbo PERDER.

2. Mais tarde surgiu Diógenes do pensamento Cínico que afirmou que a felicidade é NADA TER. Desdenhando os bens transitórios passou a habitar um tonel. Desconsiderou, em Corinto, o convite que lhe fora feito por Alexandre Magno, desprezando a honra de governar o mundo ao seu lado e admoestando-o por tomar-lhe o que chamava “o meu sol”

3. Surge, então, Zenon de Cicio e o pensamento estoico, que ensinava ser a felicidade a necessidade de se banir da vida a afetividade e a emotividade causadoras do apego e produtoras de infelicidade. Além domais o homem deveria enfrentar as vicissitudes e os sofrimentos com serenidade, libertando-o da infelicidade. A felicidade estoica é RESIGNAR não ter medo seja da morte, de perder o que se possui.

4.  Posteriormente Sócrates com o pensamento de que a felicidade é SER e não ter coisas transitórias. Sócrates combatia os males que os homens produzem para gozarem de benefícios imediatos, objetivando, com essa atitude de reta conduta, o bem geral, a felicidade comunitária. Felicidade seria o bem da alma, através da conduta justa e virtuosa.

Divaldo, fala então da interpretação da Doutrina Espírita sobre a felicidade ao nos ensinar que o ser humano deve aprender a ser feliz de acordo com as circunstâncias, incorporando e vivendo a certeza da transitoriedade do seu corpo físico e da sua eternidade espiritual. Filosofia esta, sintetizada no pensamento de Allan Kardec: “A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não da situação material em que ele vive”.

Estamos na Terra para construir um mundo melhor.

E com essa mensagem de ternura, carinho e de felicidade Divaldo relembra as inesquecíveis palavras de Jesus quando nos ensina através das Bem aventuranças:

— Bem aventurados os que choram porque serão consolados

A felicidade não tem data para acontecer, pois muitas vezes condicionamos a felicidade quando atingirmos tal ou qual situação. Igualmente a felicidade não depende de termos ou possuirmos algo transitório

Com a emoção dominando os corações dos atentos ouvintes, Divaldo nos diz que a felicidade é possível através do amor. Basta amar, sem a preocupação de ser amado. Se você ama e é amado olhe com ternura e carinho o teu afeto e seja feliz – agora. Se você não é amado agradeça a Deus a caminhada solitária pelos vales das sombras pois “que Deus é o meu pastor e nada me faltará”. Se você sente falto de alguma coisa eleva o pensamento a Deus e Lhe peça que te obsequie com a dádiva, mas de conforme com os padrões do Seu entendimento e vontade e não conforme a nossa.

Podemos – hoje ainda -sermos felizes apesar dos problemas que nos acontecem e que basta não revidarmos os males que nos fazem e nem retribuir com ódio as ignomínias que nos façam. Oerder a paz: Jamais! Contaminarmo-nos com o mau? Nunca!

Aquele que conhece Jesus NÃO TEM O DIREITO de ser infeliz, mesmo nesse momento de muita angústia que, qual uma sombra, procura impedir o brilho da real e verdadeira felicidade.

Os olhares de todos deixavam transparecer o impacto daquelas palavras e sentia-se a presença da felicidade… enquanto isto, lá fora, uma multidão seguia buscando o prazer iludidos de terem obtido a felicidade.

Fotos: Sandra Patrocinio
Texto: Djair de Souza Ribeiro

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