27 fevereiro 2017
27 fevereiro 2017, Comentários 0

O Teatro Rio Vermelho localizado no Centro de Convenções de Goiânia abrigou os mais de 2.000 pessoas para ouvir Divaldo Franco desenvolver o tema proposto pelos organizadores do 33º Congresso Espírita do Estado de Goiás: Amor, Sexualidade e Seus Desafios.

Assumindo a tribuna Divaldo deu início +a palestra narrando a tocante história de Moisés Mendelssohn (1729-1786) avô do célebre compositor, pianista e maestro alemão Felix Mendelssohn (1804-1847).

Moisés Mendelssohn era um homem feio, baixo e possuidor de uma grotesca corcunda.

Certa feita conheceu a lindíssima filha de um comerciante e por ela se apaixonou perdidamente, porém, a jovem ao lhe ser apresentada demonstrou profunda repulsa pela sua desagradável estética.

 

 

 

Mas Moisés não se deixou abater por ter sido repelido pela linda Frudge e num gesto de muita ousadia perguntou –lhe:

– Você acredita que os casamentos são combinados no céu, antes de nascermos?

Evitando olhar aquela figura tosca a jovem respondeu:

– Sim, acredito.

-Também, acredito – completou Mendelssohn.

E sem deixar que o silêncio constrangedor dominasse aquela conversa, ele emendou:

– Quando me preparava para nascer, Deus mostrou-me aquela que seria, mais tarde, a minha esposa.

– Ela era bela, muito bela. Deus, porém, anunciou:

-Sua mulher será bela, porém trará uma corcunda a lhe marcar a aparência física.

Diante dessa informação, ousei levantar os olhos ao Altíssimo e lhe suplicar:

– Senhor, uma mulher com corcunda será uma tragédia. Permita, por misericórdia, que eu seja corcunda e que ela seja perfeita.

E Deus, na sua infinita bondade resolveu atender minhas súplicas e me fez nascer encurvado.

Pela primeira vez Frudge olhou diretamente nos olhos de Mendelsshon e fitando-lhe os olhos apaixonados deu-se conta de que aquela fora a mais pungente declaração de amor que ela jamais havia imaginado receber.

Emocionada, tomou a mão do rapaz entre as suas e aceitou-o como noivo vindo, posteriormente, a se casar com ele.

Após a narrativa desta tocante história a emoldurar o tema, Divaldo passou a aprofundar suas observações.

O amor não se apega, não sofre a falta, mas frui sempre, porque vive no íntimo do ser e não das gratificações que o amado oferece.

O amor deve ser sempre o ponto de partida de todas as aspirações e a etapa final de todos os anseios humanos.

Equivocadamente o sexo é considerado – por um grande contingente de pessoas – como sinônimo de amor.

Todavia, o sentimento do amor é muito mais amplo e abrangente, uma vez que representa a somatória dos sentimentos e anseios que formam a base de nossas ações no bem.

O sexo, desacompanhado do amor, é SENSAÇÃO herança do instinto dominador, enquanto que o amor é a EMOÇÃO a ser conquistada pelos caminhos da elevação espiritual e moral.

Quando o sexo se impõe sem o amor, a sua passagem é rápida, frustrante e insaciável.

A mitologia grega define Eros como sendo o deus do Amor, mais especificamente o amor físico.

Eros teria nascido – espontaneamente – do caos primitivo como manifestação da vida afetiva.

Posteriormente passou a representar a Paixão, e teria tido uma origem diferente, mais poética, agora como filho de Hermes e Afrodite, ou ainda filho de Cronos e Gê  ou ainda, de Afrodite e Marte.

Nessa situação passou a representar o desejo sexual, a função resultante do prazer sensualista, dos prazeres e satisfações sexuais.

Após essa síntese da Mitologia que considera Eros e Amor  como uma único sentimento, Divaldo interpõe o conceito a moral espírita-cristão para o qual o amor é superior aos desejos sexuais, enquanto Eros, que pode ser portador de sentimento afetivo, caracteriza-se pela libido, sempre canalizada para os prazeres e satisfações imediatas da utilização do sexo.

O amor é permanente, enquanto Eros é transitório.

O amor felicita, proporcionando alegrias duradouras. Eros agrada e desaparece ávido, como fogo que arde e consome o combustível, pra em seguida se tornar em cinzas que se esfriam.

Eros toma conta dos sentidos e responde pelas paixões descontroladas, pelos conflitos da insatisfação, que levam ao crime e ao desespero, pois, ao eleger como  objetivo imediato e impostergável, o atendimento dos desejos do desequilíbrio sexual, é responsável pela alucinação que vige nos grupos e indivíduos perturbados.

Manifestando-se pela posse descontrolada, não confia, e se deixa contaminar pelo ciúme e pela insegurança, num crescendo desvairado até culminar em patologias sexuais devastadoras e perversões alucinantes.

O amor dulcifica e acalma, espera e confia. É enriquecedor, e, embora se expresse em desejos ardentes que se extasiam na união sexual, não consome aqueles que se lhe entregam ao abrasamento, porque se enternece e vitaliza, contribuindo para a perfeita união.

O AMOR utiliza-se de Eros, sem que se deixe ser por ele controlado, Eros, porém, raramente se utiliza do sentimento de pureza e serenidade qualidades características do AMOR.

E como advertência final, Divaldo esclarece a respeito dos descalabros e da inversão de valores dos dias atuais.

O sexo praticado de forma vil atrai Espíritos igualmente atormentados e doentes que se vinculam ao indivíduo, levando-o a processos de obsessões terríveis e de difícil libertação.

Desvios de comportamento sexual, aberrações nas práticas do sexo, condutas extravagantes e subvertendo as funções estabelecidas pelas Leis da Vida, produzem perturbações, que não se restabelecem com facilidade, senão através de dolorosas reencarnações.

Fitando do alto da tribuna o imenso público que ouvia suas considerações Divaldo arremata com uma observação a ecoar nas consciências atentas.

Ninguém se engane quanto aos compromissos do sexo perante a vida e tome o cuidado de não enganar a outrem, pois cada um responde sempre pelo que inspira e pelo que faz.

O sexo não foi elaborado para o prazer vulgar, senão para as emoções superiores na construção das vidas, ou para as sensações compensativas quando amparado pelas dúlcidas vibrações do amor, mantendo a afetividade e a alegria de viver.

Os dias atuais são de libido e de paixões descontroladas e pela predominância dos desejos que desgovernam as mentes e aturdem os sentimentos sob o comando de Eros.

Todavia, o amor está sendo convidado a substituir a ilusão que o sexo desregrado produz, acalmando as ansiedades enquanto eleva os seres humanos.

Amor ou Eros?

Jesus, modelo e guia,  nos apresenta a resposta: “Onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”

(Mateus 6:23)

 

 

Fotos: Sandra Patrocinio
Texto: Djair de Souza Ribeiro

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