20 novembro 2016
20 novembro 2016, Comentários 0

“A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não da situação material em que ele vive”. Allan Kardec

Foi na Sede Social do Clube da Saudade na cidade de Araras – SP, que o Presidente Voluntário da Clínica Sayão, Sr. Ismael Biaggi, escolheu para receber Divaldo Franco e a um público de 1.400 pessoas para participar do seminário de quase 3 (três) horas sobre o tema “A Felicidade é Possível”.

Assumindo a tribuna Divaldo cita o pensamento humanista: “As pessoas foram criadas para serem amadas e as coisas foram feitas para serem usadas. A razão pela qual o mundo está um caos é porque as coisas estão sendo amadas e pessoas estão sendo usadas”.

 

 

Em seguida Divaldo Franco cita o pensamento do psicólogo existencialista norte americano Rollo Reece May, (1909 —1994) que afirma ter a sociedade elegida como parâmetros para a felicidade:

Individualismo: Doutrina moral  e social cujo conceito é o de valoriza a autonomia individual na busca da liberdade e satisfação das inclinações naturais e que se traduz na liberdade do indivíduo frente a um grupo, à sociedade ou às pessoas

Sexualismo: Comportamento ligado à sociedade mercantilista e consumista, na qual o ato sexual é priorizado e banalizado, desvirtuando sua razão natural.

Consumismo. Compulsão e modo de vida que leva o indivíduo a consumir de forma ilimitada bens, mercadorias e/ou serviços, em geral supérfluos, em razão do seu significado simbólico (prazer, sucesso, felicidade).

O Individualismo produz como uma das consequências o medo de amar uma vez que AMAR significa “aprisionar-se” conflitando com o conceito individualista de liberdade, mas que na realidade não passa de libertinagem.

Para melhor ilustrar o pensamento Divaldo Franco recorre à obra do escritor norte-americano Arthur Miller chamada “A Morte do Caixeiro Viajante” .

Nessa obra – uma crítica aos valores materialistas – o autor narra a história de Willy Loman um caixeiro-viajante, pai de família, que busca realizar o caminho percorrido por várias pessoas que, começando do nada, lograram obter riqueza, destaque social, fama, poder.

O sonho (ilusão) do personagem transforma-se em pesadelo, quando sua estratégia falha – após anos de muito sucesso – e ele se vê (na meia idade) fracassado e desempregado. Outro fator a angustiar o protagonista da história é o fato de que  seu fracasso não mais lhe permitirá dar aos seus filhos um futuro promissor como ele havia planejado.

Com sentimento de culpa, pelo destino de seus filhos e pela situação econômica em que vive, Willy busca o suicídio como meio de sua “purificação”.

Dando uma ligeira pausa para que os presentes assimilassem o impacto da narrativa, Divaldo retorna resumindo as conclusões.

O individualismo e seus comparsas – o egoísmo, a indiferença, a ausência dos sentimentos nobres da amizade e do amor – geram as tragédias humanas e sociais dos dias atuais.

Em seguida Divaldo formula uma questão: Quando foi que a criatura humana começou a pensar? E para respondê-la Divaldo recorre ao psicólogo norte-americano John Broadus Watson (1878 —1958) pesquisador do comportamento humano com ênfase nos fatos objetivos (estímulos e reações) que apresenta o processo antropo-psicológico da criatura humana que inicia sua viagem com a manifestação do Instinto desdobrado em suas 3(três) abrangências: O Instinto de Reprodução; O instinto de Alimentação e o instinto de Repouso.

Logo mais o homem primitivo passa a observar as forças da Natureza agindo à sua volta, e desenvolve sua primeira emoção: O Medo que o capacita fisiologicamente para enfrentar ou fugir das situações perigosas.

A partir do medo surgem, então, a ira, a cólera, o ódio e o desejo de vingança.

O Doutor e professor Emilio Mira y Lopez (1896-1964) apresenta-nos o desenvolvimento do pensamento humano:

Pensamento Arcaico Fase na qual a criatura foca suas prioridades nas suas necessidades básicas (alimento, abrigo e reprodução).

Pensamento Egocêntrico Onde prevalece a individualização e onde tudo é meu e tudo que me pertence é melhor mais bonito, mais importante.

Pensamento Racional  Fase na qual se busca o apoio da convivência gregária (em grupo)

Pensamento Cósmico Fase na qual prevalecem os sentimentos nobres que culminaram no desenvolvimento do sentimento sublime do amor.

Amar, então, é uma meta que devemos perseguir em nossa existência.

Com o objetivo de ilustrar a solidariedade como caminho que nos leva ao amor, Divaldo nos narra a história do médico e escritor escocês Archibald Joseph Cronin (1896 —1981) conhecida como o Anjo da Noite.

Vítima do cansaço e esgotamento físico uma jovem enfermeira acaba dormindo no seu posto e em decorrência uma criança sob seus cuidados acaba morrendo.

O médico expulsa-a do hospital e ameaça denunciá-la, o que acaba não fazendo.

Anos mais tarde, agora, lendo o jornal londrino ele toma conhecimento de uma senhora conhecida pela abnegação e sacrifício que dedica aos órfãos da guerra de uma pequena cidade. Seu empenho é tão grande que ela jamais dormia cuidando das crianças traumatizadas e doentes.

Ela dedica ao médico que lhe havia perdoado a negligência do passado todo reconhecimento e amor pela nova oportunidade.

Após o intervalo Divaldo retoma ao tema do seminário, abordando as narrativas da escritora norte-americana Ruth Stout (1884 – 1980) que relata suas próprias experiências existenciais buscando auxiliar os jovens na busca de um propósito na vida  e aborda a lição inesquecível que recebeu na infância sobre as 2 (duas) janelas existentes na vida de todos nós, aquela que se abre para a tristeza e o sofrimento e uma outra que nos permite identificar  a alegria e a beleza da vida.

Com essa história tocante Divaldo deixa claro que diante das experiências de aflição, dor e sofrimento devemos nos lembrar de que há uma outra janela – a da alegria – que devemos buscar.

Mas a recíproca é também verdadeira e assim, todas as vezes que estivermos debruçados sobre a janela da alegria, devemos nos recordar que muitos de nossos irmãos encontram-se no sofrimento e tristeza e nos cabendo o dever de nos  deslocar na direção deles para lhes oferecer a nossa solidariedade e o nosso carinho.

Com a emoção dominando os corações dos atentos ouvintes, Divaldo inicia a abordagem sobre o real sentido da vida enfatizando a felicidade citando o pensamento de Vicente de Carvalho: “A felicidade está onde nós a pomos, mas nós nunca a pomos onde nós estamos”.

A psicóloga e antropóloga norte-americana Susan Andrews em o livro “A Ciência de Ser Feliz” define a felicidade como sendo a combinação entre o grau e a frequência das emoções positivas, o nível médio de satisfação que a criatura obtém durante um longo período e a ausência de sentimentos negativos (tristeza, mágoa, ressentimento e raiva).

A tristeza somatiza-se em Angústia. A angústia leva à Perda do Sentido existencial, que por sua vez gera a Perda de Afetividade que vai levar à Depressão.

A depressão gera o Vazio Existencial que leva, por final, ao desejo de morrer.

Não se trata de que desejamos a morte. Na realidade aspiramos a “libertação” da terrível Angústia e do Nada Interior.

Os modernos psiquiatras e psicólogos indicam a AÇÃO para evitar a tristeza e a angústia, evitando a mente vazia, mediante atividade física.

Evite o ressentimento mediante a aplicação do perdão àqueles que nos infelicitaram.

A seguir Divaldo desmistifica as ilusões daquilo que consideramos Felicidade o chamado “canto das sereias”

A primeira grande ilusão: A felicidade é proporcionada pela riqueza material.

Divaldo desmitifica que o dinheiro proporciona felicidade utilizando indicadores estatísticos socioeconômicos americanos:

Entre as décadas de 1950 a 1990 o PIB – a soma de todas as riquezas da sociedade –  americano multiplicou-se três vezes, mas ocorre um suicídio a cada 15 minutos e vem crescendo à taxas de 2% ao ano. Sem mencionar as tentativas frustradas que ocorrem a cada dois minutos

A segunda grande ilusão é: A felicidade é proporcionada pela juventude.

A felicidade é de qualquer época e não fica limitada a uma faixa etária exclusiva e que jovem somos todos nós quando podemos olhar para trás sem constrangimentos de nosso passado por termos vividos retamente, pois quando temos algo de que nos envergonhamos, perdemos a juventude.

Como a visão na juventude é, invariavelmente, desvirtuada, pelos fatores peculiares dessa idade (a imaturidade psicológica, a facilidade de se deslumbrar) o sentido da vida mostra-se sob a aparência que não corresponde à realidade. Só, posteriormente, quando a maturidade oferecida pela velhice envolvem nossas emoções é que adquirimos o conhecimento real do sentido da vida.

Citando, ainda, a psicóloga Susan Andrews as pessoas em torno dos 50 anos são as que se consideram mais felizes.

A terceira ilusão: A Felicidade é proporcionada pelo sucesso.

Fosse isso verdade os artistas, esportistas, executivos e todos aqueles que obtiveram sucesso em suas trajetórias amados ou invejados pelas multidões não cometeriam suicídio.

Sucesso nos dá alegria pois nos proporciona o prazer por atender ao nosso narcisismo, mas deixa um tremendo vazio quando, um dia, se acaba nos envolvendo na solidão e no desenvolvimento do vazio existencial.

“O maior perigo para a maioria de nós não está em definir o nosso objetivo muito alto e ficarmos aquém, está na definição do nosso objetivo muito baixo, e alcançarmos a meta.” Citou Michelangelo Buonarroti.

A quarta grande ilusão: Felicidade é igual a prazer.

“A visão hedonista sobre a existência humana tem levado multidões às alucinações do prazer, numa interpretação totalmente equivocada sobre a realidade do ser”. Ensina-nos Joanna de Ângelis em o livro Triunfo Pessoal (LEAL)

O ser humano deve aprender a ser feliz de acordo com as circunstâncias, incorporando e vivendo a certeza da transitoriedade do seu corpo físico e da sua eternidade espiritual.

Concluindo o seminário Divaldo estendeu a todos o convite que lhe foi formulado por Joanna de Ângelis de que devemos abrir o carinho das nossas emoções e sentimentos ao nosso próximo buscando aqueles que são “invisíveis” na sociedade, os esquecidos e marginalizados, contribuindo para torná-los dignos e socialmente visíveis.

Nesse sentido, Divaldo narra suas experiências pessoais quando foi procurado por um espírito desencarnado pelo suicídio e que teve seus sofrimentos mitigados pelas preces que Divaldo havia feito por 10 anos em favor desse desconhecido e invisível a todos. Narrou-no, ainda que, convidado por Joanna de Ângelis, abraçou um simples garçom e ao estabelecer diálogo com ele, veio a descobrir que o abraço recebido o fez abandonar a decisão de cometer suicídio, posto que experimentava a injunção do câncer.

Emocionados – e felizes – lentamente todos foram se retirando com os ensinamentos de Jesus ainda repercutindo na acústica da alma, convidando-nos a todos a sermos felizes, sendo instrumento da felicidade.

Fotos: Sandra Patrocinio
Texto: Djair de Souza Ribeiro

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