18 novembro 2016
18 novembro 2016, Comentários 0

O Centro Regional de Eventos foi o local escolhido pela União das Sociedades Espíritas (USE) – Intermunicipal de São José do Rio Preto e Região para recepcionar um público de cerca de 4,500 pessoas que reuniram-se para ouvir Divaldo Franco na noite de 18 de novembro de 2016.

Assumindo a tribuna Divaldo inicia a conferência transmitindo – do alto de sua experiência – uma constatação inequívoca e que forneceu aos expectantes presentes a direção do tema da noite: “Todos nós buscamos planejar nossa vida e encaminhar um futuro repleto de felicidade e esperança, porém, por maior que seja a nossa dedicação aos planos delineados, a vida se nos defronta com ocorrências inesperadas e imprevistas que conspiram e subvertem nossos planos”.

Um breve stacatto e Divaldo encaminha uma nova direção e passa a narrar a história do médico americano Tadeu Merlin, favorável a aplicação da Eutanásia (do grego Morte Branda) em casos de doenças terminais.

Com esse pensamento povoando seu cérebro, o Dr. Merlin foi convocado a efetuar um atendimento de emergência para tentar salvar a vida de uma parturiente e seu bebê que não vinha à luz mesmo após 20 horas de trabalho de parto.

Quando, finalmente, a criança veio ao mundo o Sr. Merlin deu-se conta de que a mesma era portadora de uma deficiência congênita no pé o que o impediria de ter uma vida normal. Esse fato, associado ainda, à penúria econômica da mãe, despertou no médico materialista a ideia de acabar com os enormes sofrimentos que aquela criança teria.

Aproveitando que a mãe do bebê dormia, extenuada pelo largo período do parto, o Dr. Merlin preparou a injeção que levaria o recém-nascido à morte sem despertar suspeita. Porém, algo que o médico não soube explicar, deteve sua iniciativa e com esforço abandonou a efetivação da eutanásia.

Os anos se dobraram e várias décadas mais tarde o agora famoso e bem sucedido Dr. Merlin vivia uma vida tranquila ao lado da filha e de Barbara a netinha de 5 anos que encantava sua vida.

Em um acidente de trânsito, desencarnaram a filha e o genro do Dr. Merlin deixando Barbara sob seus cuidados.

Ao completar 7 (sete) anos, porém, a linda Barbara foi alvo de uma virose pertinaz. Os diversos médicos consultados afirmavam que a morte da criança ocorreria em poucos dias, sob dores terríveis. Os médicos aconselharam o Dr. Merlin a suavizar os momentos finais da netinha querida aplicando-lhe a eutanásia.

Em desespero o Dr. Merlin buscou ajuda junto a um médico da periferia de uma cidade do meio oeste americano que vinha efetuando estudos com essa doença.

O jovem médico avaliou Barbara e confirmou o veredito dos demais profissionais. A morte de Barbara ocorreria em poucos dias.

Vendo o sofrimento do avô, o médico ofereceu um tratamento experimental e sem certeza de resultados, o que foi prontamente aceito pelo Dr. Merlin. Após algumas semanas de tratamento a vitalidade e a saúde, voltaram a animar Barbara.

Quando o Dr. Merlin foi agradecer o jovem médico, o avô de Barbara deu-se conta de que o médico que havia devolvido a saúde de sua netinha era portador de uma deficiência física no pé e que ele se movimentava com dificuldades. Ao abordar o assunto com o médico, o Dr. Merlin descobriu que o profissional que salvara a netinha era a criança que há 35 anos ele quase aplicara a equivocada solução da eutanásia.

Com a emoção dominando os corações dos atentos ouvintes, Divaldo inicia a abordagem sobre o real sentido da vida enfatizando a felicidade citando o pensamento de Vicente de Carvalho: “A felicidade está onde nós a pomos, mas nós nunca a pomos onde nós estamos”.

Podemos ser felizes apesar dos problemas que nos acontecem e citou o exemplo de vida de Viktor E. Frankl, autor do livro Em Busca de Sentido e sobrevivente dos campos de extermínios nazista, que afirma: “Se percebemos que a vida realmente tem um sentido, percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser um ser humano, é trabalhar por algo além de si mesmo. A vida para ser digna tem que ter um objetivo”.

A felicidade é possível através do amor. Basta amar, sem a preocupação de ser amado, pois todo aquele que deseja ser amado é “criança” ferida da psicologia Junguiana, equivalente a dizer ser uma criança que, apesar de ter se tornada adulta, ainda não amadureceu emocionalmente e continuam carregando as mágoas infantis e que vivem cheias de ressentimento.

Com esse introito Divaldo passa a discorrer então sobre o pensamento e definições das diversas escolas filosóficas sobre a felicidade:

1. Epicuro afirmava – pelo pensamento Epicurista ou hedonista – ser a felicidade alcançada com o TER coisas e prazer indutores da felicidade.

2. Mais tarde surgiu Diógenes do pensamento Cínico que afirmou que a felicidade é NADA TER. Desdenhando os bens transitórios passou a habitar um tonel. Desconsiderou, em Corinto, o convite que lhe fora feito por Alexandre Magno, desprezando a honra de governar o mundo ao seu lado e admoestando-o por tomar-lhe o que chamava “o meu sol”

3. Surge, então, Zenon de Cicio e o pensamento estoico, que ensinava ser a felicidade a necessidade de se banir da vida a afetividade e a emotividade causadoras do apego e produtoras de infelicidade. Além domais o homem deveria enfrentar as vicissitudes e os sofrimentos com serenidade, libertando-o da infelicidade. A felicidade estoica é RESIGNAR

4. Posteriormente Sócrates com o pensamento de que a felicidade é SER e não ter coisas transitórias. Sócrates combatia os males que os homens produzem para gozarem de benefícios imediatos, objetivando, com essa atitude de reta conduta, o bem geral, a felicidade comunitária. Felicidade seria o bem da alma, através da conduta justa e virtuosa.

Divaldo, fala então da interpretação da Doutrina Espírita sobre a felicidade ao nos ensinar que o ser humano deve aprender a ser feliz de acordo com as circunstâncias, incorporando e vivendo a certeza da transitoriedade do seu corpo físico e da sua eternidade espiritual. Filosofia esta, sintetizada no pensamento de Allan Kardec: “A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não da situação material em que ele vive”.

Estamos na Terra para construir um mundo melhor.

E com essa mensagem de ternura, carinho e de felicidade Divaldo relembra os ensinamentos de Jesus quando questionado por Poncio Pilatos se Ele era Rei, o Mestre lhe respondeu:

— Meu Reino não é deste mundo!

Palavras muito simples mas que nos revela ser a verdadeira felicidade não transcorre na Terra (plano físico) – conquanto aqui se inicie – mas sim no no mundo espiritual, ou o Reino de Deus conforme dizia Jesus.

Fotos: Sandra Patrocinio
Texto: Djair de Souza Ribeiro

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