17 novembro 2016
17 novembro 2016, Comentários 0

Divaldo Franco-São Beranardo de Campo / SP – 17/11/2016
“Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor”. Lázaro, Paris 1862. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XI Amar o Próximo como a Si Mesmo, A Lei de Amor, item 8.

 

A noite do dia 17 de novembro de 2016 representou para a instituição espírita Lar da Criança Emmanuel, o Centro Espírita Obreiros do Senhor e o Centro Espírita Maria Amélia o coroamento de esforços que, desde 2010, se mobilizaram para as comemorações de meio século de fundação desses núcleos de amor e caridade.

Nessa data o tribuno Divaldo Franco apresentou-se no Centro de Formação dos Profissionais de Educação “Ruth Cardoso” em São Bernardo do Campo, levando a mais de 2000 pessoas a mensagem de esperança, consolação e amor, sempre baseada nos ensinamentos de Jesus e Kardec.

Do alto da tribuna Divaldo iniciou sua conferência com uma frase sintética mas abrangente em seu significado: “O problema da criatura humana é a própria criatura humana”.

 

A partir desse introito Divaldo discorre sobre o processo antropo-psicológico da criatura humana que inicia sua viagem com a manifestação do Instinto desdobrado em suas 3(três) abrangências:

1. O Instinto de Reprodução;

2. O instinto de Alimentação;

3. O instinto de Repouso.

Avançando um pouco mais e observar as forças da Natureza agindo à sua volta, o homem primitivo desenvolve sua primeira emoção: O Medo que o capacita fisiologicamente para enfrentar ou fugir das situações perigosas

A partir do medo surgem, então, a ira, a cólera, o ódio e o desejo de vingança.

Agrupados em suas cavernas e observando a fragilidade e dependência das crias tem início o desenvolvimento dos pródromos do nobre sentimento que somente muito mais tarde se consolidará em sua estrutura psicológica: o amor.

E para nos falar desse amor Divaldo – com a habilidade e competência habitual desvenda-nos os pensamentos dos grandes estudiosos da criatura humana.

Citando o sociólogo, médico psiquiatra e psicólogo o professor Emilio Mira y Lopez (1896-1964) que, do ponto de vista psicológico o ser humano é constituído de cinco (5) elementos:

1. Personalidade (A máscara que afivelamos à face).

2. Conhecimento (São as aquisições intelectivas e formada pelas lições de aprendizagem)

3. Identificação (São as sintonias daquilo com o que nos afinizamos)

4. Consciência (Que atuando com o Conhecimento formam a base do discernimento). A consciência possui níveis diferenciados como conceituou Pedro Ouspensky:

4.1. Consciência de sono SEM sonhos (Só pensa em si próprio: É meu)

4.2. Consciência de sono COM sonhos (Já passamos a ter ideais e não somente o desejo de acumular)

4.3. Consciência de sono ACORDADO (A consciência que não mais está sonolenta pelo egoísmo)

4.4. Consciência de mesmo. (Quando o Ego – a máscara que afivelamos à face e que luta por defender a qualquer preço nossa Individualidade – toma conhecimento dos conteúdos psíquicos). Em outras palavras: É quando eu sei fazer o que DEVO quando POSSO e – também – fazer o que POSSO quando DEVO). Nesse ponto Divaldo ilustra que as crises – morais, sociais, econômicas – vem do fato de realizarmos o que PODEMOS quando NÃO DEVEMOS e fazer o que DEVEMOS quando NÃO PODEMOS.

Ainda no item de Consciência de SÍ mesmo Divaldo alonga maiores esclarecimentos e enumera as 7 (sete) funções que a Consciência vai permitir controlar na máquina orgânica: I) Função Emocional; II) Função Intelectiva; III) Função do Instinto; IV) Função dos Movimentos; V) Função Sexual (Expressões Feminina _Anima – e Masculina – Animus – permitindo equilibrar a psicologia à anatomia); VI) Função Emoção Superior e VII) Função Intelectiva Superior.

4.5. Consciência Cósmica. (Já não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim. Paulo – Gálatas 2:20)

5. Individualidade (O elemento que o egoísmo procura defender a todo custo).

Finda esse périplo pela conceituação acadêmica da consciência Divaldo adentra à parte final da conferência abordando a parte moral do tema:

Allan Kardec, através da questão 625 de O Livro dos Espíritos, indaga aos Espíritos Superiores: Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu aos homens, para lhe servir de modelo e guia?

Ao que os Numes tutelares da humanidade respondem sinteticamente: Jesus;

Jesus é o Modelo, Guia e Mestre de toda a Humanidade que, com seu amor incondicional por todos nós, é exemplo para nossos comportamentos e que nos indica a direção a seguir além de nos legar ensinamentos imortalizados na forma sucinta do Sermão da Montanha, principalmente nas Bem Aventuranças.

Jesus vem subverter o entendimento dos conceitos gerados pela falta de consciência da época e que perduram até os dias atuais. Herói era aquele destruía aos inimigos e Vitorioso era aquele que conquistava a todos e a tudo esmagando e derramando o sangue.

Para aqueles que já têm a consciência iluminada pelos ensinamentos do Cristo o Herói é aquele que vence a Sí mesmo e Vitorioso é aquele que controla as suas más inclinações e vence as suas tendências malignas.

O Espiritismo vem despertar a nossa consciência para a necessidade de encontrarmos um sentido psicológico para a vida deixando a fase do primarismo representado pelos instintos e as sensações.

O sentido da vida, conforme nos ensinou Jesus, é AMAR.

Nós somos mais do que o ser definido pelos antropologistas: Bípede e emocional. Somos também aqueles que trazemos na alma a presença de Deus e nascidos para amar, pois o amor é o ápice do nosso processo evolutivo ético e moral.

Divaldo silencia e arremata: A vida tem que ter um significado: O desenvolvimento do amor.

Concluindo o seminário Divaldo estendeu a todos o convite que lhe foi formulado por Joanna de Ângelis de que devemos abrir o carinho das nossas emoções e sentimentos ao nosso próximo buscando aqueles que são “invisíveis” na sociedade, os esquecidos e marginalizados, contribuindo para torná-los dignos e socialmente visíveis.

Divaldo narra sua experiência pessoal quando, convidado por Joanna de Ângelis, abraçou um simples garçom e ao estabelecer diálogo com ele, veio a descobrir que o abraço recebido o fez abandonar a decisão de cometer suicídio, posto que experimentava a dolorosa injunção do câncer.

Emocionados – e felizes – lentamente todos foram se retirando com os ensinamentos de Jesus ainda repercutindo na acústica da alma, convidando-nos a todos a sermos felizes. HOJE.

Fotos: Sandra Patrocinio
Texto: Djair de Souza Ribeiro

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