24 maio 2016
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DIVALDO FRANCO NA EUROPA – 2016

Mannheim, 24 de maio de 2016

Na última terça-feira, 24, o médium e orador espírita Divaldo Franco proferiu uma conferência na cidade de Mannheim, Alemanha, com o tema “Renovação, Valores Ético-Morais”.

O evento foi realizado na “Trafohaus”, com a presença de mais de 140 pessoas, e teve tradução consecutiva de Edith Burkhard.

A conferência foi iniciada com a evocação de um brado em forma de questionamento, contido no livro “Estes Dias Tumultuosos”, de autoria de Pierre van Paassen. O jovem convocado para a guerra, em pleno front, escrevia uma carta a seu pai quando foi atingido pelos inimigos e morto. Na carta, ficou registrado o seu questionamento em forma de desabafo: por que temos de matar a quem nem conhecemos? Por que tenho de matar a outros jovens como eu, que também não têm culpa pela guerra? Por que assassinar outros seres humanos?

 

Foi recordado que, de acordo com a teoria da evolução das espécies e da seleção natural, os mais fortes e resistentes sobrevivem. No entanto, ao longo da História, os pensadores teriam sempre buscado encontrar uma ética que os seres humanos pudessem seguir, a fim de que sociedade funcionasse em regime de paz e harmonia. Assim, surgiria o primeiro tratado de ética , elaborado por Aristóteles. Mas antes dele, Moisés, o grande profeta, já teria elaborado um código com os 10 mandamentos da Lei Divina, de modo a organizar a sociedade em torno de deveres e normas de conduta. E, mais tarde, Jesus sintetizaria todas as leis divinas e todos os ensinamentos dos profetas em um único mandamento, o Amor.

Tais regras de conduta teriam razão de ser em função de a criatura humana ainda não ter superado as suas paixões, as suas más inclinações, agindo de modo a gerar perturbações em si e no meio em que vive.

Conforme explicado, Sigismund Freud estabelecera que o ser humano, em seu comportamento, transitava entre Eros (o amor-libido) e Tânato (morte), numa constante busca da realização de um prazer epicurista. Por sua vez, Carl Gustav Jung, quem melhor mostrou as necessidades humanas, por meio da teoria dos arquétipos, conciliando as propostas materialista e espiritualista, teria asseverado ser imperioso à criatura humana eleger para si uma meta psicológica profunda, vivendo-a em sua existência, sendo o amor o mais excelente e terapêutico de todos os objetivos existenciais.

Fácil seria de se concluir que a chave para uma vida harmônica, plena e feliz, do ponto de vista do indivíduo, mas também da sociedade, seria a educação do ser, realizada a partir da formação em si de caracteres positivos, de valores ético-morais de profundidade. Dentro da concepção espírita, seria o esforço realizado pelo homem para a sua transformação moral para melhor, evitando ser arrastado por suas más inclinações; e, sob a ótica da Psicologia Junguiana, seria a conciliação entre o ego e o Self.

Divaldo recordou que Jesus deixara uma regra de ouro como orientação segura para uma conduta ética: não fazer a outrem aquilo que não gostaria que lhe fizessem.

Foram apresentados relevantes exemplos de vidas pautadas numa conduta profundamente ética, a partir de valores morais superiores, como a do escritor russo Liev Tolstói, que, após ler o texto dos Evangelhos em grego, portanto, do original, compreendeu que ali estava contida uma nova ética para a Humanidade, dentro de padrões divinos, e abdicou de seu título nobiliárquico, escreveu um livro sobre a mensagem de Jesus e passou a viver de maneira simples, a fim de melhor alcançar os corações sofridos, chegando, ainda, a escrever ao czar Nicolau II para lhe advertir dos abusos cometidos e da necessidade de se viver segundo valores morais superiores. Mohandas K. Gandhi, depois de ler o livro de Tolstói, comoveu-se e decidiu realizar algo em favor da Humanidade, dando a sua vida em holocausto, em prol da liberdade e da pacificação do mundo. Albert Schweitzer, outro missionário, teria abandonado a sua confortável vida e a fama para servir aos seus semelhantes que viviam miseravelmente na África. E Martin Luther King Jr., que sofrendo a opressão e a discriminação social, erguera sua voz para declarar que ele tinha um sonho de liberdade, de paz, de fraternidade entre as ditas raças, de solidariedade entre os seres, de amor, compaixão e perdão. Seriam quatro vidas baseadas na ética do Amor, que elegeram para si, como objetivo existencial de profundidade, o próprio Amor, libertando-se do ego para viver a plenitude do Self.

O orador apresentou algumas estatísticas atuais e disse que todo o avanço científico-tecnológico logrado por nossa sociedade não evitou os mais de 400 milhões de depressivos no mundo, hoje, e os suicídios que ocorrem na razão de 1 a cada minuto no planeta, inclusive de jovens e crianças.

Onde, então, poderíamos encontrar uma saída para esse panorama aterrador? Segundo asseverado, teríamos a instrumentalidade para resolvermos esses magnos problemas da Humanidade numa doutrina científica, de consequências filosóficas e baseada numa ética superior, surgida no século XIX: o Espiritismo. Demonstrando os seus postulados por meio de provas e da lógica, a Doutrina Espírita explicaria sobre a imortalidade da alma, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnação. Com isso, teríamos a perfeita compreensão da justiça divina com relação às aflições humanas; pela lei de causa e efeito, seríamos os artífices de nosso destino, criando em nós o equilíbrio ou a perturbação, a depender de nosso comportamento e de nossos pensamentos, e traríamos em nós mesmos a solução para os problemas que nos afligem. A ética do Amor, então, seria, antes de tudo, uma proposta psicoterapêutica de saúde integral, convidando-nos a viver em equilíbrio, em plenitude, a partir do exercício da caridade legítima, descobrindo-se os infortúnios ocultos, os nossos irmãos “invisíveis” aos olhos da sociedade, que enfrentam sofrimentos os mais diversos e que aguardam mãos generosas que lhe possam aliviar as angústias do coração ou as penúrias da matéria.

Texto: Júlio Zacarchenco
Fotos: Lucas Milagre

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