21 março 2016
21 março 2016, Comentários 0

No dia 21 de março, o médium e orador espírita Divaldo Franco realizou uma conferência pública na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

O evento foi realizado na sede da organização “Casa do Brasil”, em Manhattan, e recebeu um público de mais de 450 pessoas que lotaram o auditório.

O tema da conferência foi “Esquizofrenia e Obsessão”.

A conferência teve início com a narrativa do notório trabalho do médico francês Dr. Philippe Pinel, na época dos dias de terror da Revolução Francesa. Dr. Pinel, chamado de “o pai da Psiquiatria”, somente teria aceitado o convite para trabalhar como médico no Hospital da Salpêtrière, em Paris, com a condição de poder libertar os 53 pacientes esquizofrênicos do tétrico pavilhão Bicêtre. Na época, o pensamento religioso dominante considerava a esquizofrenia uma punição divina. A Ciência ainda não tinha explicações para a doença. O nobre médico notabilizou-se por considerar os pacientes com transtornos mentais como doentes, merecedores de compaixão e tratamento humano, para que pudessem ter sua dignidade restituída, e jamais serem tratados com violência ou indiferença. Para a indagação que lhe fora feita a respeito do que faria se o seu tratamento com os esquizofrênicos falhasse, Dr. Pinel teria apenas respondido: “se falhar, então irei apenas amá-los”.

 

O conferencista explanou sobre os avanços da Ciência, notadamente nas áreas das Neurociências, da Psiquiatria, da Psicologia, destacando a complexidade de nosso cérebro e suas funções, assim como de nossa psique, lembrando que, ao longo da História, várias teorias e tratamentos foram desenvolvidos e , posteriormente, abandonados por se revelarem inócuos, prejudiciais ou, ainda, superados por outros mais eficientes e humanos.

Foi apresentada a história da descoberta do “centro de uso da palavra” (ou centro de Broca), realizada pelo médico e anatomista francês Pierre Paul Broca.

Divaldo falou, também, sobre a importância de outra descoberta, a dos neurônios cerebrais e que, mais tarde, o conhecimento científico teria desvelado que tais estruturas poderiam se ramificar, mediante o exercício mental do indivíduo, que criaria, com isso, super-redes de comunicação neuronal e propiciaria para si uma vida mental e cerebral saudáveis, mesmo em idades avançadas.

Em seguida, dissertou sobre algumas relevantes teorias e trabalhos da Psiquiatria, referindo-se às experiências hipnológicas de Jean Martin Charcot, a demonstrar o poder da mente; à descoberta de Sigmund Freud sobre a existência do subconsciente e de doenças que não teriam causas físicas, mas psiquiátricas; e à revelação de Carl Gustav Jung a respeito do inconsciente (individual e coletivo) e dos arquétipos.

No que tange aos arquétipos, foi esclarecido que o termo tem como significado “registro antigo” e que fora primeiramente usado por São Irineu, no século II d.C. Essas informações armazenadas em nós poderiam ser desta ou de existências anteriores. Os registros negativos poderiam constituir-se conflitos a migrarem de uma existência para outra, de uma reencarnação para outra, o que estaria perfeitamente concorde com a Doutrina Espírita, conforme ensinado no capítulo 5 da obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que trata das causas atuais e anteriores das aflições humanas.

Os conflitos, quando não devidamente tratados, transformar-se-iam em fobias, depressão etc., ensejando campo de desenvolvimento da esquizofrenia, essa doença mental crônica caracterizada por sintomas como: presença de alucinações e delírios, alterações do pensamento, confusão mental, perda da capacidade de ter e demonstrar emoções, apatia etc.

A criatura humana seria, então, constituída de 2 arquétipos essenciais: o ego e o Self. O primeiro seriam as nossas “máscaras”, a nossa personalidade, o “eu” inferior. O Self seria o Espírito imortal fadado à perfeição, que traz em si a chama divina, a luz, que ainda se encontra oculta na maioria de nós. Jung afirmaria que quase todos nós trazemos elementos negativos em nosso mundo íntimo, o que ele designou de sombra.

Em uma análise paralela entre o Espiritismo e a Psicanálise Junguiana, Divaldo correlacionou a sombra com o estudo de Allan Kardec a respeito de nossas más inclinações e do esforço que o ser humano deveria realizar para vencer as suas imperfeições morais. E, seguindo na mesma linha comparativa, demonstrou a concordância entre o pensamento do psiquiatra Emilio Mira y López, que, no século XX, teria afirmado que as 3 primeiras emoções desenvolvidas pela criatura humana seriam, nesta ordem, medo, ira e amor, e o ensinamento espírita, contido no texto “A Lei de Amor”, que, no século XIX, já afirmava que no início de seu processo evolutivo o Espírito só teria instintos, para mais tarde desenvolver sensações/emoções e, finalmente o amor.

Divaldo recordou que até o início do século XX os métodos de tratamento da esquizofrenia eram cruéis. Com o progresso da Ciência, novas terapêuticas teriam surgido, como a convulsoterapia com uso de metrazol, depois de insulina, desenvolvida pelo Dr. Manfred Sakel; ou a terapia do eletrochoque, proposta pelos Drs. Bini, Cerlletti e Kalinowski.

Além dos métodos físicos, começariam a ser utilizadas abordagens psicoterápicas para os tratamentos desses pacientes; e, na sequência, substâncias químicas desenvolvidas em laboratórios, os chamados barbitúricos, seriam usadas nos esquizofrênicos, para suprir as deficiências dos neurocomunicadores naturais.

Na atualidade, a esquizofrenia não seria mais uma doença incurável, do ponto de vista médico, conforme asseverou o palestrante, necessitando de tratamento de ampla abordagem: psiquiátrica, psicológica e espiritual.

Isso porque, além das causas endógenas (hereditariedade, doenças infectocontagiosas etc) e exógenas (eventos da vida, conflitos da infância, conflitos sexuais, narcisismo etc), haveria uma terceira causa para os transtornos psiquiátricos e psicológicos (incluindo a esquizofrenia), que seriam as obsessões espirituais, isto é, as influências negativas e de longa duração de um Espírito sobre outro. Conforme mencionado, Allan Kardec teria estudado profundamente o tema “obsessões” no capítulo XXIII, da obra “O Livro dos Médiuns”, explicando que nem toda loucura é apenas uma doença física ou psicológica, podendo, muitas vezes, ser o resultado de uma influenciação espiritual negativa, a obsessão.

Utilizando-se da proposição da Organização Mundial de Saúde, que afirmaria não existirem doenças, mas doentes, foi esclarecido que é o Espírito imortal que adoece, com reflexos em seu corpo somático, por causa dos seus conflitos íntimos, das culpas que carrega, da má conduta, dos maus pensamentos, necessitando o paciente de realizar o esforço para mudar de padrão de pensamentos e de comportamentos, para melhor.

Ressaltando um outro dado daquele mesmo órgão internacional de saúde, a respeito da pandemia mundial de depressão, que poderá elevar o suicídio ao “status” de causa de mortes no mundo número 1, Divaldo afirmou que a crise pela qual a Humanidade passe é , em realidade, individual; trata-se da crise moral do ser humano.

A solução para esse panorama sombrio estaria na Doutrina dos Espíritos, a propor que o indivíduo empenhe todos os seus esforços para vencer as suas más inclinações e realizar todo o bem que esteja ao seu alcance. Esse ensinamento estaria resumido na recomendação evangélica do “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo”.

O amor seria não apenas uma recomendação teológica, mas verdadeira proposta psicoterápica de profilaxia e tratamento dos transtornos psiquiátricos e psicológicos.

Evocando o pensamento de Carl Gustav Jung e Viktor Frankl, o orador falou sobre a imprescindibilidade de eleger-se um sentido psicológico profundo para a existência. Para o Espiritismo, a meta mais profunda seria a imortalidade: viver com vistas à nossa imortalidade, amando sempre e em qualquer circunstância.

Na parte final de sua conferência, Divaldo destacou a união entre a Ciência e o Espiritismo, mencionando que a Psicologia Transpessoal, a denominada Quarta Força ou Psicologia com Alma, corrobora a proposta Espírita, falando-nos a respeito do ser imortal que somos e da necessidade de descobrirmos e vivenciarmos essa nossa transcendência, cultivando a alegria de viver e a saúde moral, para conquistarmos a saúde integral, a plenitude.

Texto: Júlio Zacarchenco

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