3 novembro 2017
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Divaldo Franco no Rio Grande do Sul
9º Congresso Espírita do Rio Grande do Sul
Porto Alegre, 03 de novembro de 2017

O Movimento Espírita Gaúcho está participando do 9º Congresso Estadual do Rio Grande do Sul, realizado no período de 03 a 05 de novembro de 2017,  nas instalações da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS. A apresentação artística, com teatro e músicas, recepcionou o público, harmonizando e preparando os participantes para o momento solene da abertura do evento sob o tema: Espiritualidade nas Relações: para viver e conviver em paz.

Com os dirigentes da Federação Espírita do Rio Grande do Sul – FERGS -, e outras lideranças do movimento espírita nacional e do estado, e estando presente o convidado especial José Raul Teixeira, a mesa diretiva foi composta para receber o palestrante, humanista, médium e orador Divaldo Pereira Franco, de Salvador, Bahia.

 

 

 

Gabriel Nogueira Salum, Presidente da FERGS, saudou o público, acolhendo a todos, abrindo oficialmente o congresso, destacando a importância das antigas lideranças que legaram as bases do atual movimento espírita. Apresentou, também, a obra Espiritualidade nas Relações: para viver e conviver em paz, lançada nesse evento e que conta com artigos de diversos autores a respeito da temática do congresso, inclusive de conferencistas do congresso ora em desenvolvimento. Também foi lançada a web rádio da FERGS, já em pleno funcionamento.

Discorrendo sobre os horrores da II Guerra Mundial, Divaldo Franco, o Paulo de Tarso da atualidade, apresentou um episódio marcante vivenciado por Simon Wiesenthal (1908 – 2005), sobrevivente de campos de concentração. Quando a Alemanha nazista invadiu a União Soviética em junho de 1941, Wiesenthal e a sua família foram detidos. Passou quatro anos e meio em vários campos de concentração, como o de Mauthausen-Gusen, na Áustria, de onde foi libertado pelas tropas americanas em maio de 1945.

Wiesenthal, polonês e judeu, no campo de concentração de Mauthausen-Gusen, localizado próximo da cidade de Linz na Áustria, testemunhou o assassinato da sua avó e o embarque de sua mãe em um vagão de carga contendo mulheres judias idosas. Da família de Wiesenthal foram trucidadas 182 pessoas. Ele foi destacado para remover o lixo em um hospital para soldados alemães feridos na ofensiva dos aliados. No trajeto entre o seu alojamento e o hospital ele passava por um cemitério dedicado aos despojos dos soldados nazistas. Por entre as sepulturas, a enfeitar, foram plantados girassóis. Wiesenthal, ao passar por ali pensava: para esses monstros um cemitério enfeitado, à nós o martírio, o trabalho forçado, as câmaras de envenenamento, os fornos de cremação, as fossas coletivas, o desprezo.

Enquanto trabalhava na limpeza do hospital acercou-se dele uma enfermeira e certificando-se de que Wiesenthal era judeu lhe fez sinal para que a acompanhasse. Ela o levou para visitar um soldado alemão Karl Silberbauer, gravemente enfermo, coberto de ataduras, pútrido, ferido durante a ofensiva dos aliados, e que desejava falar com um judeu. Silberbauer tinha sido educado no cristianismo, porém, fascinou-se pelo discurso de Hitler.

Em fazendo parte da elite militar nazista, havia cometido vários atos de barbárie. Estava atormentado e arrependido em seu leito de morte. Após narrar as atrocidades que cometera, solicitou o perdão a Wiesenthal, um judeu. Deseja ser perdoado por um judeu, certificando-se que Wiesenthal era realmente um judeu. Simon Wiesenthal, diante de seu próprio sofrimento, não foi capaz de perdoar.

Karl Silberbauer fez outro pedido: que Wiesenthal procurasse a sua mãe e lhe dissesse que estava arrependido e que morrera cristão, o que efetivamente fez. Porém jamais perdoou o nazista. Essa história está contida na obra The Sunflower (O Girassol), uma autobiografia de Simon Wiesenthal. Ela foi escrita depois de um período de muito sofrimento vivido pelo autor. Fala-se tanto de paz, mas essa é tão rara! O indivíduo belicoso, a sociedade agressiva, os trabalhadores do bem cansados e o religioso indiferente à dor ainda não encontraram a paz.

Encerrando a narrativa, Divaldo perguntou: – Você perdoaria a Karl Silberbauer? – Seria realmente capaz de perdoar? Conduzindo para as reflexões sobre o perdão, refletindo sobre o quanto se fala de paz, inclusive com reuniões de lideranças mundiais influentes, conclui-se que a paz ainda não se estabeleceu, muito pelo contrário. O perdão é essencial para a construção da paz, porém, quando se deseja perdoar, apela-se para a razão, e essa estabelece os parâmetros do equivocado, do crime.

Divaldo Franco aconselhou a perdoar em qualquer circunstância, pois a vítima merece ter paz: perdoando um criminoso, liberta-se do tóxico que foi injetado pelo bandido. Não se deve perder a razão de viver esperando uma vingança. O indivíduo merece paz, e para que a logre, é necessário que se perdoe.

Na atualidade, frisou o ínclito orador, a sociedade humana está vivendo um momento de terror e materialismo. O homem perdido de si mesmo age através de seus instintos vis, onde o amor é confundido com paixão, com posse, dominação. Falar de perdão, para muitos soa como a atitude de um covarde, fracassado. A paz é indispensável para a vida. Perdoar é não devolver a ofensa. É necessário que se estabeleça uma jornada diferente da de Wiesenthal, almejando, assim, o primado do perdão, da compaixão pelo outro. A verdadeira paz é a harmonia interior que nunca devolve aquilo que é danoso.

A vida perdeu o encanto porque o homem moderno perdeu o endereço de Deus. Apresentando as imorredouras lições do Cristo, os postulados da Doutrina Espírita e o desenvolvimento do amor pelo homem, Divaldo descortinou o caminho seguro para a paz, onde o homem encontrará novamente Deus, cultivando a alegria de viver, olhando para traz sem sentir vergonha. A preservação dos valores éticos, o esforço em domar as inclinações más, a iluminação das sombras íntimas, serão os alicerces do momento glorioso.

Esse congresso, frisou, está estruturado na paz, na harmonia. É preciso perdoar até doer, como ensinava Madre Teresa de Calcutá. O sentimento de ternura, do amor, é bálsamo purificador, preparando os indivíduos para a plenitude, para viver em paz e na felicidade. A Doutrina Espírita desceu dos céus para os corações doridos da Terra. À luz da caridade, tem o homem a possibilidade de imitar o samaritano, fazendo aos outros o que deseja para si. A proposta é a de nos amar uns aos outros, de perdoar e compreender. O exemplo que edifica, canta hinos de louvor a Deus. Com o Poema de Gratidão, Divaldo Franco encerrou seu brilhante trabalho, pelo qual foi aplaudidíssimo.

A FERGS homenageou-o como educador, ofertando-lhe, para a Mansão do Caminho, as almofadas com os motivos dos personagens da obra Conte Mais, cuja coleção foi doada para as crianças da instituição baiana.

Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

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