18 março 2018
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Divaldo Franco no Paraná

XX Conferência Estadual Espírita

Pinhais, 18 de março de 2018

Encerramento

Estando presente alguns dirigentes de federações espíritas estaduais, Jorge Godinho, da Federação Espírita Brasileira, e os diversos expositores que desenvolveram suas atividades tanto no interior do estado, como os que se apresentaram na culminância da XX Conferência Estadual Espírita, bem como a Diretoria Executiva da Federação Espírita do Paraná, Adriano Lino Greca conduziu o encerramento deste magnífico evento. Após os agradecimentos, Divaldo Franco foi recebido com a canção Paz pela Paz, de Nando Cordel.

 

 

No amor que Jesus nos ensinou está a resposta para todas as amarguras. Está a resposta para a nossa busca no amor. (Divaldo Franco)

Divaldo Franco, superando as dores cruciantes que o atingem e mantendo sua jovialidade e alegria de viver, disse que aqueles eram dias diferentes. Referia-se aos dias em que Jesus se apresentou na Terra. Faziam 400 anos que a boca profética silenciara, Israel parecia totalmente sem rumo, acostumando o país a ser conduzido pelas vozes da imortalidade.

Magdala era uma formosa e celebre cidade à beira do mar da Galileia. Célebre por que a Rainha Cleópatra, por duas vezes, passou o verão tórrido do Egito, na calma e agradável cidade, que também tinha fama pelo seu mercado e pelo câmbio de importantes moedas.

Para desenvolver o tema proposto: Nunca desista do Amor, Divaldo narrou a comovente história de Maria de Magdala, a meretriz, que conhecendo Jesus, tornou-se uma nova mulher, abandonando, de chofre, todos os maus hábitos, distribuindo todos os seus bens, dispensando empregados e escravos, para seguir Jesus incondicionalmente.

A vida da meretriz famosa de Magdala era visitada periodicamente por forças misteriosas que a deixava prostrada, hebetada. E porque procurara Jesus, ao encontrar um mendigo leproso que lhe pedia dinheiro, este disse-lhe que naquelas imediações havia um homem bom que curava os doentes. Maria, então, solicita-lhe que se o encontrasse fosse ter com ela, informando-a sobre o paradeiro. Ele tinha lepra por fora e ela por dentro, isto é, a consciência em tormento. Era uma pecadora, uma vendedora de ilusões.

Assim sucedeu. O leproso encontrou o Messias, foi ter com Ele e ficou curado. Imediatamente foi informar a equivocada de Magdala. A noite se fazia presente. Ela se encontrava aturdida pelo acometimento que lhe visitava inesperadamente. Nestas ocasiões não recebia a ninguém. Mas o mendigo insistiu tanto que logrou o seu tentame. Informou-lhe com o Messias estava em Cafarnaum, onde pernoitaria para sair no dia imediato. Não poderia perder tempo. De barco, atravessaram o mar da Galileia e foram ter com Ele ao amanhecer.

Ao encontrar Jesus, Maria de Magdala atirou-se aos seus pés, chamando-o de Mestre querido (Raboni). Jesus se dirige a ela chamando-a pelo nome, – o Mestre a conhecia, tal qual o pastor conhece as suas ovelhas. Maria disse que deseja seguir-lhe os passos, acompanhá-lo. Porém, o Nazareno disse-lhe não, por ora não seria possível, não agora, mas depois.

Por ora, Maria, ame, ame os filhos do mundo, tome conta deles e depois venha a mim. Vai Maria, Eu te esperarei. Vá e ame.

A meretriz parecia ter enlouquecido. Ninguém a compreendia. Ela atirava pelas janelas de sua imensa casa luxuosa, as joias, seus bens preciosos, moedas e outros valores, perfumes raros e caros. Dispensou seus empregados. Libertou os escravos. Apanhou um vaso com perfume raro e foi ter com o Mestre, servindo-o com deferência e sublime amor.

O AMOR é libertador. A meretriz de Magdala amou-O como nunca. Passou a fazer parte das atividades de Jesus. Ela assistiu-O entrar em Jerusalém, no período de ramos, quando o Mestre iria, pouco depois, para o suplício no Gólgota. Jesus foi para o seu martírio, João e a pecadora conversa acompanharam-nO de perto.

Após percorrer o caminho de dor imposto pelos poderosos temporários, e já no monte da caveira, ou do calvário, Maria de Nazaré, a Santíssima, acompanhada de Maria de Magdala e de Mônica, que lhe secou o suor sanguinolento, experimentam a dor da angústia, do medo e o tormento do suplício aplicado ao inocente. A cena era tenebrosa, Jesus tomba pendurado na cruz. Tudo estava consumado.

A noite caiu sobre a terra antes mesmo de o sol se pôr. Aqueles últimos momentos foram de terrível angústia e tristeza. A ex-meretriz permaneceu ali, constrita, em profunda tristeza e ao amanhecer foi ao sepulcro e lá já não encontrara o corpo do Messias. Vislumbra, na penumbra da madrugada, uma silhueta, imagina ser um zelador, e pergunta para onde haviam levado o seu Senhor. Ele, então, se volta, ela se viu diante do Mestre, que não se deixa tocar.

Maria de Magdala saiu dali e foi ter com os demais discípulos, informando-os sobre o sucedido. O Mestre está vivo, exclama ela. Não acreditaram nela. Maria Santíssima, disse-lhe, então: – Minha filha, meu coração de mãe diz que tu o viste. Já Tomé, somente mais tarde foi acreditar, desejava tocar em suas chagas para que tivesse certeza de era
realmente o Mestre.

Depois desta aparição, Jesus ainda teve outras oportunidades para se fazer notar pelos circunstantes, reafirmando a sua natureza espiritual ímpar. Estimulou e encorajou aos que estiveram com Ele a saírem por toda a parte para pregarem o Evangelho para todos.

No passado, como na atualidade, o preconceito vige soberano. Maria de Magdala não conseguia trabalhar. E por não encontrar, ao passar uma caravana de sírios leprosos que procuravam pelo Mestre, no desejo de serem curados e não sabendo do que havia sucedido no Gólgota, Maria de Magdala dá-lhes a notícia.

Ela falou aos leprosos sírios com ternura como nunca, e como não tinha a ninguém, foi ter com eles, passando a falar de Jesus para aqueles doentes. Em estando no meio de leprosos, adquiriu a peste. A lepra se alastrou, tomou-lhe o corpo outrora belo e, agora, quando falava aos leprosos, se dirigia não mais a vós, mas a nós, pois que, então, fazia parte do número dos contaminados.

Maria de Magdala decidiu, então, visitar a Mãe Santíssima, em Éfeso. Viajava à noite, para não ser importunada. Depois de longas noites caminhando, chegou à Éfeso pela manhã.

Já quase sem forças, desfaleceu, e um casal de cristãos recolheram-na para a casa de Maria Santíssima e de João.

Por três dias e três noites Maria de Magdala permaneceu em delírio. Na manhã do terceiro dia sentiu algo estranho e uma força arrancou-a da carcaça. Viu-se à beira do mar, ouvia suave melodia e aquela luz, pairando sobre as águas, arrebatou-a às alturas, acolhendo-a. Era Jesus. Luz fulgurante rasgou os céus. Maria de Magdala havia transposto a porta estreita. No amor que Jesus nos ensinou está a resposta para todas as amarguras. Está a resposta para a nossa busca no amor.

Mensagem psicofônica de Bezerra de Menezes, pela mediunidade de Divaldo Franco, ditada ao final da XX Conferência Estadual Espírita.

“Se nos amarmos quanto Ele nos pediu, as nossas dores serão transformadas em alegrias no Reino de Deus. Lembrai-vos, filhos da alma, Jesus é os dois extremos da vida, o zênit e nádir, das nossas aspirações. Quando as dores nos parecerem insuportáveis, quando a solidão se vos apresentar tenebrosa e fria, lembrai-vos de Jesus. Uma voz sequer levantou-se para inocentá-lo, e eram centenas aqueles a quem Ele atendeu. Quando vos sentirdes desamado ou rejeitado mantém-te a irrestrita confiança no amor e vos entregar àquele que é a vida da própria vida, não temais nunca, por que Ele nunca nos deixa à sós.

Elegemos o tema da mulher equivocada, por que todos nós carregamos um espinho na carne, nas carnes da alma. Todos nós, ainda imperfeitos, somos algo Maria de Magdala ou Miriam de Migdor. Que o amor de Jesus nos receba com ternura infinita sem nos perguntar quem fomos, mas nos propor o que seremos. Tende ânimo, são horas muito difíceis, de testemunho e de lágrimas, de ansiedade e de desamor, mas credes, filhos da alma, Jesus não venceu no mundo, venceu o mundo das paixões. Sede vós aqueles que podemos vencer as sombras do pretérito que vos arrebatam muitas vezes de volta aos abismos da alucinação. Amai, pagai o preço do amor, socorrei por amor, erguei por amor, libertai por amor e vos sentireis
salvos, erguidos, amparados por alguém que distenderá as mãos e dirá com sorriso: – Vinde, já atravessastes a porta estreita, vinde a casa de Meu Pai.

Nestes dias, meus filhos, o endereço de Deus chegou aos vossos corações. Tendes agora o mapa da vitória, cabe-vos alcançar, pela rota abençoada da bondade, da misericórdia, do amor e da doutrina libertadora dos imortais para que a plenitude do Reino dos Céus, desde hoje, se vos instale no coração. Muita paz. O Servidor humílhimo de sempre que vos fala em nome dos Espíritos Espíritas aqui presentes. Ide em paz! Bezerra.”

Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

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