2 maio 2017
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A Diretoria Executiva do Centro Espírita Caminho da Redenção outorgou a Divaldo Franco uma medalha comemorativa relativa ao seu 90º aniversário, reconhecendo a importância do trabalho desenvolvido por ele, agradecendo-lhe a oportunidade de participarem das atividades do CECR, sob a sua liderança segura.

Agradecendo, Divaldo Franco disse que, em realidade, não há méritos para si e que justifique a homenagem, tendo em vista que é a equipe de colaboradores que possui os méritos, dando o suporte para poder trabalhar em prol do desenvolvimento e propagação da Doutrina Espírita. Lembrando o trabalho e a dedicação de Eurípedes Barsanulfo, cuja data de aniversário transcorreu em 1º de maio, dividiu a homenagem com todos, pois que o trabalho na seara de Jesus e de caráter coletivo, solidário.

 

 

 

As dores morais provocam cicatrizes nos cristãos. Divaldo afirmou que ainda não teve a oportunidade de ostentar uma dessas cicatrizes. Agradeceu a comenda como estímulo para continuar no labor do Cristo. Os verdadeiros merecedores da homenagem são todos os diretores e voluntários da Instituição.

Professor por excelência, Divaldo Franco abordou um tema que colabora para a aquisição de saúde emocional, física e mental, vivendo o Evangelho de Jesus, conhecendo as suas más inclinações, perdoando.

Para falar sobre o perdão, o amoroso conferencista narrou a saga de Simon Wiesenthal (1908-2005) sobrevivente de campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Após passar mais de quatro anos em diversos campos durante a Segunda Guerra Mundial, até ser libertado ao final da guerra. Dedicou sua vida a localizar, identificar e levar à justiça criminosos nazistas.

Wiesenthal investigou o paradeiro de Adolf Eichmann, alto oficial nazista que organizava o transporte de judeus para campos de extermínio na Europa. Encontrado por ele, Eichmann foi sequestrado na Argentina pelo Mossad (serviço secreto israelense), e levado para ser julgado e condenado à morte em Israel no ano de 1962.

Na condição de prisioneiro, Wiesenthal foi destacado para fazer parte de uma equipe para auxiliar na manutenção e limpeza dos hospitais de campanha destinados a assistir os soldados nazistas. Nesses deslocamentos observou um cemitério para soldados nazistas, considerados indignos por ele. Notou que as sepulturas eram enfeitadas com girassóis, enquanto aos judeus mortos eram destinadas valas comuns onde os corpos, alguns ainda com vida, eram empilhados e soterrados com o uso de máquinas.

Baseado no livro The Sunflower, de Simon Wiesenthal, Divaldo narra um episódio emocionante. O prefácio, disse, é de uma beleza trágica e termina com uma questão intrigante. Certo dia Wiesenthal foi procurado por uma enfermeira alemã, retirando-o do trabalho para levá-lo à uma enfermaria para visitar um soldado das tropas SS, orientando-o para que somente o escutasse. O soldado Karl Silberbauer, em seu leito de morte, após ferimentos recebidos, havia solicitado a presença de um judeu. Simon Wiesenthal foi o escolhido.

– Você é realmente judeu? Sim, respondeu Wiesenthal, 100% hebreu. Karl, tremulo, esticou o seu braço para cumprimentar. Wiesenthal recusou tocar aquela mão coberta de ataduras. Odores pútridos exalavam daquele corpo recoberto de ataduras ensanguentadas. Certificando-se da condição de judeu, a narrativa de Karl segue nesse teor:

– Meu nome é Karl – disse uma voz entrecortada e distorcida pelas ataduras que lhe cobriam grande parte do rosto – Preciso lhe contar algo que me devasta a alma. De formação religiosa Católica, alistei-me na juventude hitlerista após ser seduzido pelo discurso do Führer. Trabalhando com afinco e dedicação à causa, passei a integrar as tropas SS. Retornei recentemente, muito ferido, do front russo.

Durante um cerco às tropas russas que fugiam, minha unidade fora atraída a um campo minado que resultou na morte de mais de 30 soldados. Como vingança, nós reunimos cerca de 600 judeus franceses de uma pequena aldeia, a Oradour-sun-Glane, trancafiando-os em um sobrado de 3 andares, espalhamos combustível e a incendiamos. Ordenei que atirassem contra qualquer um que tentasse escapar. Obs: Dessa aldeia, somente duas pessoas sobreviveram, uma mãe e sua filha que se homiziaram em uns escombros, após terem fugido do cerco, contando mais tarde como se desenrolou a tragédia.

Karl fez um breve silêncio, prosseguindo a narrativa macabra. Wiesenthal acompanhava tomado de ódio, em profundo silêncio.

– Os gritos das vítimas na casa eram horríveis. Nós sorríamos. Era a vingança.

– Divisei um homem com uma criança nos braços. Suas roupas estavam em chamas. Ao lado havia uma mulher, sem dúvida a mãe da criança. Com a mão livre, o homem cobria os olhos daquele pequeno ser, pulando para a rua. Segundos depois a mãe jogou-se também. Nós atiramos matando todos aqueles que tentavam fugir.

– Depois surgiu um adolescente no telhado. Trocamos olhares. Ele saltou. Bem posicionado, atirei, matando-o. Caiu praticamente aos meus pés. Seus olhos estavam abertos como a me fitar.

– Nunca mais pude esquecer o olhar de incredulidade daquele menino cujos olhos me pareciam perguntar: Por quê?

– Sei que em poucas horas morrerei, e por essa razão solicitei a presença de um judeu. Mas antes queria pedir a um judeu que me perdoasse pelas atrocidades.

– Quero, também, que minha mãe saiba que voltei à Jesus, diga a ela que morri cristão.

– Desejo dar-lhe tudo o que tenho. É a minha identificação militar. Tentou retirá-la do pescoço, porém, seus dedos feridos e sem tato não lograram êxito.

– Meu pedido final: perdoe-me em nome de todos os que matei!

Simon Wiesenthal, impassível, olhou para o corpo do homem moribundo abriu a porta e deixou o local em silêncio sem conceder o perdão solicitado, recusando suas ofertas, lembrando-se do cemitério adornado de girassóis para os alemães e a vala comum para os corpos empilhados dos judeus.

Um pouco mais tarde os russos, vencendo os alemães, libertaram todos os prisioneiros. Simon Wiesenthal foi para um campo de refugiados. Era primavera, os campos estavam floridos com flores miúdas e com papoulas, os pássaros cantavam.

Era a liberdade, mas o que era a liberdade? Havia esperado 5 anos por ela, vivendo com a expectativa de ser eliminado a qualquer momento. A família de Wiesenthal havia sido destroçada pelos nazistas. Ele procurou a mãe de Karl, dizendo-lhe que havia visto o filho morrer e que morreu cristão.

Tentando fazer justiça, o denominado caçador de nazistas, iniciou a sua saga, identificando, capturando e levando à julgamento centenas de criminosos de guerra alemães.

Com dúvidas, através dos anos, Wiesenthal perguntou a muitos rabinos e sacerdotes o que deveria ter feito. Finalmente, mais de vinte anos depois da guerra, ele escreveu essa história e submete o leitor a uma questão no final do prefácio: – Você perdoaria?

Falando sobre julgamento e vingança, Divaldo apresentou um pensamento de Aristóteles: Quando você se vinga, você tem um momento de prazer. Quando você perdoa, tem a vida toda de prazer.

Jesus é sui generis na história da humanidade. É um dos mais notáveis sábios que a humanidade jamais conheceu. Jesus trouxe a mais desafiadora proposta filosófica: o amor. Jesus superou todos os heróis e sábios de todos os tempos e nacionalidades. Ele deu-se pela humanidade. Não inteiramente amado, prometeu um novo consolador. Dezenove séculos depois os Espíritos trouxeram para o conhecimento humano a Doutrina Espírita.

Jesus é o símbolo perfeito do amor, é ímpar, unindo os lobos aos cordeiros. O lobo de Gúbio bebeu água nas mãos de Francisco de Assis, o cordeiro. Eram tão identificados que o lobo morreu quando Francisco de Assis desencarnou. O amor, apresentado e exercido por Jesus, jamais havia sido pensado, muito menos praticado. Ensinou o Mestre: Um pensamento vos dou. Que vos ameis uns aos outros, como vos amei.

A Doutrina de Jesus é tão excelente que não temos o direito de não sermos gentis, simpáticos para com todos. Se amamos, amparemos o próximo. Ame mais àquele que mais te cobra. O perdão é possível de ser praticado depois de muito esforço. Cada um deve adotar atitudes saudáveis, ainda hoje, para ter saúde integral.

Não aceite o mal dos maus, perdoe-os, espelhe-se em Jesus, em Francisco de Assis e outros Espíritos numinosos. Louve a natureza, à Deus. Viva hoje o cristianismo mais do que nunca, os dias atuais são perversos como nunca. Seja aquele que tem a honra de amar. O dever de cada indivíduo é amar, ser amado é consequência. Assim, Divaldo Franco chegou ao final de seu excelente trabalho, apresentando uma síntese da Doutrina Espírita e do pensamento cristão.

Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

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