2 junho 2018
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Divaldo Franco na Europa

Bad Honnef, 02 de junho de 2018

Seminário

O sábado, dia 02 de junho de 2018, se constituiu no dia esperado do seminário iluminativo de almas, um convite à busca pelo herói que reside em cada ser humano. Na pequena Bad Honnef encontraram-se mais de trezentas pessoas, previamente inscritas, para o tradicional seminário anual com Divaldo Franco.

Pela manhã Divaldo Franco iniciou o seminário formulando um convite à coragem, pois que os indivíduos estão acostumados a viajar para fora de si, e por isso, a necessidade da coragem para empreender a viagem, agora, para dentro de si. Os valores externos, os mais fáceis de serem conseguidos, criam um herói de fácil declínio. A psicologia do comportamento, afirmou o nobre conferencista, leva o homem até a borda do túmulo, e daí por diante, restam interrogações.

 

 

 

A partir deste ponto, Divaldo discorreu acerca da psicanálise, da psicologia humanista, e do comportamento, adentrando-se na vida do herói além-túmulo, de onde procede a criatura humana, e que se interroga sobre quem é e para onde vai. A psicologia espírita levanta o véu e demonstra a realidade do ser, suas lutas, os desvarios, as conquistas e o porvir. A psicologia espírita é o vir a ser, porque o ser humano está no momento transitório, a caminho do que será. A visão externa é tão fascinante, advertiu, que os indivíduos se deixam envolver e fascinar pelo erotismo, uma vez que tudo é magia para o pensamento. A criatura humana adora viver a fantasia, o encanto, porém, o ideal, que é a beleza, está em quem vê, nem sempre no que é visto.

Encerrando a etapa da manhã, Divaldo arrematou sugerindo que não se deve, nunca, desistir, nem abandonar os sonhos, nem deixar de tentar ser herói. Isto significa não confundir humildade com covardia, muitos são humildes com os poderosos e poderoso com os humildes. Todos saíram reflexivos, pois as colocações de Divaldo Franco foram um convite à visitação ao mundo interior, ainda muito comentado e pouco conhecido.

No início da tarde o Dr. Juan Danilo, médico, psicoterapeuta transpessoal, apresentou, também, suas considerações sobre a palpitante temática, afirmando que o amor é solidário, porém, advertindo sobre as ilusões que o ser humano alimenta e carrega consigo e que o leva a perceber de forma muito equivocada inúmeros eventos de sua vida. Contribuindo para um perfeito equilíbrio, o Dr. Juan enumerou e comentou o decálogo do Caminho do herói:

Reserve um momento para si mesmo;

Esteja disposto a descobrir verdades sobre você;

Aceite o fato de que o mundo que você vive é o reflexo de sua alma;

Reconheça seus medos, mas não se detenha neles;

Aprenda com sua sombra;

Seja sempre um aprendiz;

Direcione sua vida para um propósito superior;

Lute por uma causa justa e guarde seus princípios e valores;

Diga sim a si mesmo, não desista de você;

Aceite o chamado e viva plenamente;

Após as profundas abordagens iluminativas, pois ilustrando estes passos com exemplos próprios e narrativas de histórias pertinentes as metas apresentadas, fez com que cada um dos presentes pudesse se colocar na situação e viver cada meta apresentada, em sintonia com a vida quotidiana de cada um. Juan Danilo fez uma explanação simples e significativa, de fácil compreensão, uma vez que, de fato, o objetivo maior é apresentar uma ferramenta apropriada para a mudança para melhor, tornando a vida fácil de ser vivida.

Ato contínuo, Divaldo Franco, que acompanhava a narrativa do amigo Juan, retomou a palavra fazendo uma abordagem sobre as doutrinas do oriente, no que se refere às virtudes e aos vícios, mergulhando em seguida na figura incomparável de Jesus, apresentando e discorrendo sobre as bem-aventuranças. Este homem, Jesus de Nazaré, que apenas com algumas palavras, sem ter escrito nada, venceu um império de setecentos anos.

Discorrendo sobre a ética, nascida com Platão, comentou sobre Aristóteles, o surgimento da estética, chegando ao conhecimento, a arte de pensar, a busca da perfeição. Porém, com Jesus, em seus ensinamentos, asseverou Divaldo, é que o homem irá encontrar a verdadeira ética, que é o amor, este amor que preexiste a vida e sobrevive ao corpo, pois é a ética da vida.

Allan Kardec, ressaltou o preclaro expositor, é o herói dos tempos novos, ele enfrentou o dragão da ignorância e venceu com a lança do conhecimento. O professor Rivail, em sua monumental obra, sob o pseudônimo Allan Kardec, apresenta a armadura para os heróis, a Doutrina Espírita.

Todos possuem em si, afiançou o Semeador de Estrelas, o Divino pensamento, ainda nublado pelas sombras da ignorância, combatê-la é a proposta da nova era. Afinal, o Espiritismo é este equipamento que dá força, coragem e resistência para o homem vencer a antiética, que de tão intensa, é a sombra na vida dos indivíduos. Somente avançando para o conhecimento Numinoso é que o homem encontrará a plenitude.

O herói está em cada um, é necessário fazê-lo surgir, vencer os dragões do medo, da ignorância, da agressividade, para se transformar em doçura e paz. Esta é uma luta íntima de cada criatura humana, como assevera Santo Agostinho na pergunta 919 de O Livro dos Espíritos.

Finalizando as atividades do dia, e tocando nas fibras íntimas de cada coração que ali buscava conhecer e sentir o amor, Divaldo discorreu sobre a figura do doce cantor de Deus, Francisco de Assis, grande herói medieval que põe o mundo de joelhos aos seus pés, com as armas do amor, da bondade, da renúncia, dos louvores a Deus.

Oitocentos anos depois, Assis, cidade italiana, ainda respira aquele clima, e as papoulas e lavandas de Santa Maria dos Anjos embalsamam a natureza onde ele cicatrizou as feridas dos leprosos. Talvez ainda hoje, nos poentes ricos de beleza, e nas noites de luar, se possa ouvir o uivo longo do irmão Lobo, de Gubbio.

Saudades de termos de volta o cantor da natureza, o amigo das abelhas, das andorinhas, que em sua simplicidade, seguindo as pegadas do mestre de Nazaré, venceu também, ele, o mundo…

Texto e fotos: Ênio Medeiros
Revisão e adaptação: Paulo Salerno

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