12 dezembro 2016
12 dezembro 2016, Comentários 0

Movimento Você e a Paz
Divaldo Franco
Salvador, 12 de dezembro de 2016
Texto e fotos: Paulo Salerno

A Praça Sérgio de Carvalho, no Parque São Brás, no Bairro da Federação, na capital baiana, foi palco para mais um magnífico evento de divulgação e conscientização sobre a paz. O público, na medida que chegava, foi recepcionado pela dupla Mary Vidal e André Luís que a todos encantavam com interpretações de belas melodias, recebendo muitos aplausos em reconhecimento.

Sob a coordenação de João Araújo, os expositores foram se apresentando. Ruth Brasil Mesquita enalteceu o protagonismo da mulher em ações de construção da paz. Não deixando de considerar uma multidão de anônimas, destacou as ações empreendidas em prol da paz e da não-violência por Madre Teresa de Calcutá, sempre solícita, solidária, acolhedora, minorando a dor alheia, pacificando almas sofredoras. O papel feminino na sociedade humana é de grande importância para a consecução de uma paz permanente em a criatura humana. Paz que se instala pela educação, função precípua dos pais conscientes de suas altas responsabilidades, principalmente na preservação da vida.

Marcel Mariano fazendo um relato sobre a Segunda Guerra Mundial salientou os seus nefastos efeitos durante a ocorrência, os imediatos e os consequentes, com preocupantes desdobramentos possíveis, pelo domínio e largo emprego tecnológico do aparato bélico disponível na atualidade. As guerras atuais, diferentes das duas mundiais, são de caráter cirúrgico, pontuais, com efeitos altamente destruidores. Há, também, ocorrências bélicas, de âmbito celular que se manifestam em várias partes do planeta, protagonizadas por grupos guerrilheiros. Por outro lado, frisou, há inúmeras organizações envolvidas em favor da paz, do desarmamento, principalmente o nuclear.

O homem, apesar de ainda ser predador, tem convivido com seres eminentemente pacifistas, adeptos da não-violência. São os vultos que a História registra, e que deram suas vidas pelo esforço de construção da paz. Porém, acima de todos, paira Jesus, o baluarte do amor, pacífico por excelência, assinalando o caminho a ser trilhado ao apresentar o Sermão do Monte.

Divaldo Franco, dinâmico e vibrante, assomou à tribuna destacando o autoamor como terapia restauradora e curativa. O ser humano, exercendo a função sexual em desalinho, resvala para os vícios, os desvios de condutas, as aberrações, os crimes, tais como, a pedofilia, a agressão à mulher, a violação, o estupro, o aborto, a agressividade provocada pelo instinto não controlado, bastando um motivo justificador qualquer para o homem agir com violência.

Demonstrando que o homem ainda é um ser que se relaciona pelas emoções básicas, destacou-as como sendo o medo, a ira e o amor. O medo e a ira são ancestrais, já o amor surgiu como emoção no ser humano há cerca de duzentos mil anos. Essas, são os fundamentos de todas as demais emoções do ser humano. Assim, é natural que o homem seja mais agressivo do que compassivo.

A paz se constrói com o desenvolvimento do controle dos instintos, transformando-os em emoções de caráter elevado. O amor é o sentimento que faz com que o homem seja terno, solidário, compreensivo. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. (…) – Jesus (João, 14:27). Essa é a paz do amor inconteste, a paz que não se perturba com o mal do outro, tanto quanto, o mal praticado pelo mau não provoca o mal no ser que é pacífico.

No mundo, destacou o ínclito orador, há dois tipos de criatura humana. Um é ponte, o outro é parede. O indivíduo caracterizado como ponte é solidário, prestativo, servil. Aquele denominado parede é egoísta, solitário, soberbo. O Semeador de Estrelas dando exemplo de um homem ponte, narrou uma história de um escocês que havia se perdido. Depois de muito perambular, exausto, com fome e sede, encontrou uma casa bela e grande. Foi atendido por formosa jovem a quem pediu um copo de água. Essa, percebendo-lhe a fome, ofereceu-lhe um copo de leite, um pedaço de pão e de queijo. Saciado, o homem agradecido, perguntou-lhe o nome e sobrenome. Satisfeito e localizado, retornou ao lar. Decorridos mais de vinte anos, aquele homem tornara-se hábil cirurgião em destacado hospital. Uma paciente, em estado gravíssimo, foi ali hospitalizada após percorrer outros estabelecimentos de saúde, tal era a gravidade que requeria acurado e delicado tratamento. O cirurgião, embora sabendo das poucas chances de recuperação, aceitou proceder a intervenção. Após três meses a paciente restabelecida recebeu alta hospitalar. A preocupação da paciente, agora, não era mais de ordem física, mas financeira. Sabedora dos elevados custos daquele hospital, receava não poder pagar as despesas contraídas. Na tesouraria lhe entregaram um envelope fechado. Nele um bilhete. Sua conta foi paga há muitos anos com um copo de leite, um pedaço de pão e de queijo. Obrigado. É o bem produzindo o bem. É a paz produzindo paz. A vida sempre responde conforme as ações, retornando aos protagonistas conforme tenham sido boas ou más.

Após narrar os episódios vividos por Jesus em Gadara, envolvendo um homem desvairado, os porcos e os gadarenos, Divaldo narrou episódio vivido por ele quando funcionário de uma repartição pública. Agredido, silenciou, encaminhando um propositura de solução a petição. Decorrido algum tempo foi visitado pela agressora que lhe pedia perdão. Por não se sentir ofendido, dizia-lhe estar impossibilitado de perdoar. Ouviu a sua história e condição de saúde. Recomendou que buscasse receber passes em uma instituição espírita. Assim o fez, recuperando-se parcialmente com a regressão da metástase. Desencarnada algum tempo depois, solicitou a Divaldo que vez ou outra contasse a sua história, lembrando-se dela, pois que o amor colocado em favor e a serviço do semelhante é bálsamo benfazejo. O público, tomado de emoção pelas duas narrativas, e expectantes, dava vazão aos sentimentos nobres, que se exteriorização pela emotividade estampada nas faces, alimentados por corações sensíveis e desejosos de paz.

Finalizando, Divaldo exortou à prática da oração, da paz, do silêncio interior, da gratidão a Deus, estimulando que cada um, ao voltar aos lares, dissesse o quanto amava aqueles que lá residiam, sintonizando os pensamentos com as forças cósmicas. Recitando o Poema Meu Deus e Meu Senhor, de Amélia Rodrigues, Divaldo despertou o sentimento de gratidão à vida. Concluindo, todos os presentes cantaram vibrantemente, em uma só voz, a canção Paz pela Paz, de Nando Cordel, sob aplausos e queima de fogos.

Abraço,
Jorge Moehlecke

Comments are closed.