28 outubro 2017
28 outubro 2017, Comentários 0

Encontro Fraterno com Divaldo Franco 2017

Praia do Forte, Bahia, 28 de outubro

No período da tarde, Cristiane Lenzi Beira, psicóloga, de São Paulo, e Juan Danilo Rodriguez, médico de família e psicólogo, residente em Quito, no Equador, dividiram o espaço para falarem sobre as virtudes do herói e a consciência heroica de Jesus, respectivamente.

Apresentando a história de Jó, Cristiane discorreu sobre o seu significado, desvendando as virtudes do herói. Jó era um homem íntegro, reto e temente a Deus, reverenciava-O. Sua vida era coroada de sucessos familiares e econômicos. Considerava-se pleno, realizado na vida. Era saudável. Vivia em harmonia.

 

 

 

Porém, Jó, ainda, não era um herói. Suas conquistas não eram originárias de esforços que lhe custassem algum trabalho interior. Agradava a Deus, temendo perder seu status. Todo aquele que não é protagonista de sua própria vida, encontra-se cativo de bases instáveis. Deus é educador.

No decurso do tempo Jó foi testado, abalado, começou a perder suas posses materiais. O abalo continuava, agora seus sentimentos estavam sendo afetados, seus pertencimentos afetivos foram estremecidos. Teve todos os seus filhos mortos, vitimados pelo desabamento da residência provocado por um temporal. Além dessas perdas, atribuídas por Jó a Satanás, agora estava sendo abalado em seu psiquismo.

Há que se desenvolver o hábito de analisar os sonhos, os eventos, os recados que a vida oferece em uma sincronicidade ímpar. Jó, fragilizado, chora amaldiçoando a vida, lamentando-se. Neste estágio, três amigos vão visitar Jó. Um diz que deveria aceitar os fatos, pois que podem suceder coisas piores. Outro disse-lhe: – Certamente você é culpado. O terceiro, escutando a sentença dos anteriores disse a Jó que ele merecia sofrer. Jó ainda não assumira o papel de autor da própria vida.

Chegando-lhe outros amigos, estes lhe falaram da necessidade de ouvir-se, analisar-se, refletindo. Passou, então, Jó a relacionar-se com o Criador, conquistando a possibilidade de viver, participando e vivenciando a vida. Já não ouve mais falar de Deus, agora Jó passou a compreender os desígnios divinos. Jó enfrentou suas sombras, iluminando-as. Nascia, assim, o herói.

Finalizando seu trabalho, Cristiane ainda discorreu sobre a aquisição da consciência, conforme exposto pela benfeitora Joanna de Ângelis em O Homem Integral, cap. 9, psicografado por Divaldo Franco, destacando as qualidades do homem de bem, listadas em O Evangelho segundo o
Espiritismo, cap. XVII, item 3.

Juan Danilo Rodriguez, espírita e autor do livro Alliyana, voltado ao auxílio aos portadores da síndrome do autismo, discorreu sobre a consciência heroica de Jesus. A consciência é a voz interior a “falar” ao ser psicológico. Com apoio nas observações e ensinamentos registrados na Revista Espírita de abril de 1860 e em O Livro dos Espíritos, questão 835, o orador apresentou reflexões a respeito da consciência e os relacionamentos que cada um tem com ela.

Facilitando o entendimento, Juan Rodriguez apresentou as senhas, ou sintomas, do desenvolvimento da consciência. São: sentir-se insatisfeito, permanecer apático, e apresentar quadro depressivo. Desta forma, analisando-se, o indivíduo irá adquirindo uma consciência sobre a realidade que vive.

Ao trabalhar, a partir da própria realidade psicológica, será possível descobrir quem é, quais são as suas realidades e de que maneira poderá se expressar. O autoamor é o primeiro passo para o desenvolvimento da consciência, gerando o discernimento. A autoestima, que é conhecer a humildade, irá gerar a relaxação. A oração, a conexão a ser estabelecida com Deus, gerará o crescimento da consciência.

Há pontos importantes para o desenvolvimento da consciência: O sofrimento, gerado pelo conflito com o próprio si. O sofrimento ativa o intelecto, fortalece a vontade na busca de mudanças de hábitos que precisam ser educados. Já a fé, é o próximo ponto. Ela estabelece um processo de racionalização, do conhecimento presente, produz uma claridade de pensamentos, gerando uma capacidade de decisão. A ternura vem a seguir, cujo processo e prática transitam por praticar o bem, a gentileza e a bondade.

Mais dois importantes pontos para o desenvolvimento da consciência são a alegria e o amor. A alegria permite que o indivíduo alcance a compreensão do merecimento. A integração e a resiliência, completam a aquisição da alegria. O amor é o final da aquisição consciencial.

Ele é o ideal (idealismo), há nele um propósito e uma generosidade.

Finalizando sua conferência, Juan apresentou o conceito de conquista da consciência elaborado por Joanna de Ângelis nos seguintes termos: “O ser consciente deve trabalhar-se sempre, partindo do ponto inicial da sua realidade psicológica, aceitando-se como é e aprimorando-se sem cessar.”

Com a bela lenda das três árvores, que experimentaram frustrações em seus ideais iniciais, concluirão, ao final, que eles se realizaram conforme a providência divina. Assim deve compreender o homem.

A atividade noturna do encontro teve início com a excelente apresentação musical levada a efeito pela cantora lírica Vanda Otero, dona de uma voz brilhante, potente e harmônica.

Foi lançado, e está disponível, o aplicativo Mansão do Caminho, voltado à divulgação do Espiritismo através da tecnologia e da mobilidade. Seus desenvolvedores são André Pinto e Leonora Nedia.

Divaldo Franco, Juan Rodriguez, Cláudio e Íris Sinoti analisaram as respostas oferecidas pelo público à pergunta: O que te falta para tornar-se um herói? Selecionadas algumas respostas, elas foram interpretadas pelos expositores, oferecendo possíveis soluções de caráter psicológico-terapêutico. Elas versaram sobre orgulho, relacionamentos conflitivos, vazio existencial, olhar-se para si, falta de persistência, mudanças de hábitos, o exercício da disciplina, o autoperdão, sentimento de culpa. A dificuldade de ser herói para si mesmo, a preocupação com a vida dos outros, agressividade, autoestima, arrogância, medo, o não perdoar, apego à familiares. Essa é uma pequena amostra dos dragões internos que devem ser conquistados pelos heróis internos de cada um.

Essas perguntas, e outras, com suas respectivas análises serão transformadas em livro, cuidadosamente elaborado para tornar-se um guia, devendo ser lançado em 2018, no próximo Encontro Fraterno com Divaldo Franco.

Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

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