17 outubro 2015
17 outubro 2015, Comentários 0

Encontro Fraterno com Divaldo Franco 2015

17 de outubro – Tarde

Para desenvolver o tema, O Ser Humano perante o Próximo, apresentaram-se os psicólogos Marlon Reikdal e Cristiane Beira. Marlon discorreu sobre o cultivo das emoções, particularmente sobre a projeção como impedimento para o amor ao próximo. Ambientando seu tema, apresentou o registro evangélico de Mateus, 22:37-40, quando concita aos homens amar a Deus e ao próximo como a si mesmo.

Apoiando-se em Sigmund Freud, Marlon trabalhou a questão dos conceitos sobre o inconsciente. Assumir o inconsciente é assumir que se é muito pior do que se realmente é. Isso exige coragem. Por outro lado, os conflitos entre os impulsos e os ideais, naturalmente aceitos, geram neuroses diversas.

Apresentando os conceitos sobre a repressão, a negação, a transformação reativa, e a projeção, Marlon explicou que o indivíduo ao olhar para dentro de si, tem dificuldades de assumir as suas próprias imperfeiçoes. Na negação não aceita o que lhe pertence. Na transformação reativa a criatura entra em confronto consigo mesma e seus conteúdos. Já na projeção, o ser é impotente para aceitar que o inimigo está nele mesmo, o habita.

O autodescobrimento é um grande desafio e necessita de muita coragem para alcança-lo. Enquanto se acredita que o mal está no outro, é o outro que deve se modificar, não o próprio. Ao contrário, quando se identifica, ao saber que o mal está dentro de si, se descobre com a necessidade de transpor esse mal, refazendo-se, transformando-se em uma pessoa melhor.

Como o mal ainda está dentro de cada um, é necessário refletir sobre as atitudes que toma, evitando transferir para o próximo o que realmente é, isto é, portador do mal. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo, esse o grande ensinamento a ser aprendido e executado. É necessário ter coragem para olhar para dentro de si mesmo e transformar os inimigos em amigos de amor e caridade.

Cristiane Beira, dando seguimento ao tema, reforçou a máxima de Jesus de se amar a Deus e ao próximo, tanto quanto se possa amar. A proposta é deixar o ranço do passado, das próprias iniquidades, e assumir a realidade do que realmente se é. Frisando nossa dependência, disse que o inconsciente é o grande comandante do ser, controlando-o. Ao contrário de assumir-se, a criatura transfere para outros, ou circunstâncias, as suas próprias responsabilidades, buscando um salvador, um herói, que não existem.

A primeira grande verdade, nestas questões é aceitar que não depende de salvadores, que não necessita de um salvador, ou herói. A segunda verdade é que o ser humano aprendeu a cultivar sofrimentos desnecessários, procedentes do inconsciente. A terceira verdade é desabrochar o potencial divino que cada um é detentor, que é o Amor. Elucidando a Estranha Moral, registrada em o Evangelho Segundo o Espiritismo, Cristiane decodificou-a a luz da psicologia. Cada um deve lutar por aquilo que deseja, pelo que almeja, desenvolvendo o autoamor, o autorrespeito.

Os heróis? Deixamo-los para as histórias infantis. Os adultos não necessitam deles para salvarem-se. A vida, como está, vai iludir as criaturas, por que não vemos o essencial. Não há ninguém, lá fora, capaz de salvá-lo, conscientize-se disso.

Na construção do EU, há uma horizontalidade inicial, formada pelos pais, em primeiro lugar. São as fontes dos exemplos e dos modelos. E na segunda posição estão os colegas, os amigos, sinalizando como se deve ser. Se se ficar nessa horizontalidade, pouco se crescerá verdadeiramente. É necessário buscar a verticalidade a partir desses dois pontos iniciais, descobrindo o EU que se é, voltando-se para dentro de si, conhecendo-se, aceitando-se. Nessa fase de verticalização é preciso romper com os modismos, modelos, as aspirações dos outros sobre si.

Finalizando, Cristiane ensinou a se agradecer ao Pai por Ele nos amar e O amar, também. Ajude-nos a perseverar na construção de uma nova história, construída de dentro para fora.

17 de outubro – Noite

Em noite agradabilíssima, e estando todos reunidos no Salão de Eventos Garcia D Ávila, Giovana e Priscila Beira, acompanhadas pelo pianista Mateus, interpretaram belas melodias. Foram momentos de puro encantamento. Divaldo Franco, inspirado como sempre, apresentou uma perfeita descrição física e social de Francisco de Assis, Benfeitor da Humanidade. Destacou a sua genialidade amorosa, o cantor suave de Deus. Casado com a pobreza, Francisco de Assis, renunciou aos apelos do mundo para concentrar-se em servir ao Mestre Galileu com as fibras mais puras de sua alma.

Francisco de Assis, deixando o homem velho no passado, transcendeu a todos os homens, de todos os tempos. Exaltava a natureza, envolvendo as criaturas na luz e no calor do amor. É um colar de luzes a glorificar o Senhor. O mundo sutil e raro está presente na realidade da criatura que se encontra com o Deus interno. O momento sublime do amor está latente no coração que ama.

Com sua magistral interpretação e riquíssimos comentários, Divaldo Franco apresentou o poema, Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis, conforme segue:

Altíssimo e onipotente Bom Senhor
Teus são os louvores, a glória a honra e toda a benção
A Ti somente, Altíssimo, eles convém
E nenhum homem é digno de te imitar
Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas
Especialmente o senhor irmão Sol
O qual faz o dia e por ele alumia
E ele é belo, radiante, com grande esplendor de Ti
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua
Pelas estrelas que no céu formaste-as claras preciosas e belas
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento
Pelo ar, pela nuvem, pelo sereno e todo tempo
Pelo qual dá às tuas criaturas o sustento
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água
A qual nos é muito útil, úmida, preciosa e casta
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo
Pelo qual iluminas a noite, ele é belo robusto e forte
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a mãe terra
A qual nos sustenta, governa e produz diversos frutos, flores coloridas e ervas
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal
Da qual nenhum vivente pode escapar
Bendito aquele que se encontra na Tua santíssima vontade
Ao qual a morte não fará mal
Louvai e bendizei o meu Senhor

Agradeça e sirva com grande humildade

Neste momento tão difícil, em que cada um experimenta as dores físicas e morais, rogamos a ti Pai Francisco que voltes, pois temos tantas saudades. Venhas acalmar nossas dores e feridas abertas.

Somente tu, na humanidade, podes ser o que fostes. Fale ao nosso coração, temos tanta necessidade de marejarmos os olhos com as lágrimas da esperança.

Todas as vezes que uma dor, que pareça insuportável, bater em nossa porta, lembremo-nos de que ela é infinitamente menor que a Natureza, Assim, Divaldo Franco finalizou o belo trabalho com um momento de visualização buscando a harmonia. Magnífico momento.

Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

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