20 novembro 2015
20 novembro 2015, Comentários 0

Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, proferiu na noite desta quarta-feira, 18/11, uma conferência pública no Clube de Tênis de Catanduva/SP., para um público de 2000 pessoas.

A sua dissertação teve como ponto de partida as reflexões do psicólogo russo Pedro Ouspensky, para quem a sociedade está dividida em dois biótipos: um de natureza fisiológica e outro de natureza psicológica. Os indivíduos pertencentes ao primeiro grupo vivem para o atendimento dos instintos básicos de comer, dormir e ter sexo e, invariavelmente, são egoístas. As pessoas do segundo grupo, além de atenderem àqueles instintos, também possuem ideais a que se dedicam.

Dentro dessa perspectiva, a criatura humana teria cinco características básicas: a personalidade, o conhecimento, a identificação, a consciência e a individualidade. O desenvolvimento e a educação dessas características levariam o ser ao estado de individuação ou numinoso, conforme afirmara o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung.

Prosseguindo na análise da Psicologia de Ouspensky e das considerações de Joanna de Ângelis a esse respeito, Divaldo asseverou que as pessoas estagiam em diferentes níveis de consciência, desde o estágio de sono sem sonhos até o nível cósmico, sendo-lhes possível a ascensão dos níveis primários aos superiores mediante o exercício do amor.

Referindo-se aos grandes impérios que surgiram no mundo ao longo de sua história, como o babilônico, o macedônico, o chinês e o romano, destacou que após atingirem os seus respectivos ápices, todos desmoronaram, em razão de estarem fundados sobre bases morais pouco desenvolvidas.

As guerras, as crises geopolíticas, econômicas, sociais, nas palavras do médium, são todas frutos de um só fator: a crise moral dos indivíduos, que ainda não lograram ser pacíficos e nem pacificadores. O super avanço científico-tecnológico do planeta não teve o correspondente desenvolvimento ético-moral de seus habitantes humanos.

Abordando os estudos do psicólogo estadunidense Dr. John B. Watson, Divaldo recordou que no processo evolutivo antropossociopsicológico, o ser humano desenvolveu três emoções básicas, sendo elas, na ordem em que surgiram nos seres, o medo, a ira e o amor, de modo que o amor, aparecendo por último na vivência humana, é, destarte, uma emoção ainda imatura e muito eivada da influência do ego, que precisa de educação e burilamento.

Em conexão com essa análise, foi referida a proposta de Carl Gustav Jung a respeito da necessidade de estabelecermos um sentido profundo para nossa existência, o qual deve ser a imortalidade.

Segundo Jung, o momento da consciência é quando o ser humano adquire o discernimento entre o bem e o mal e entre o que pode e o que deve fazer e quando pode realizar. Para o Espiritismo, esclareceu o conferencista, no momento do despertar da consciência, que se dá por meio do trabalho de autoconhecimento, passamos a identificar as leis divinas dentro de nós mesmos.

Dentro dessas propostas, que também pertenciam às filosofias de Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant e do próprio Evangelho de Jesus, o amor é condição imprescindível para uma existência digna, harmoniosa e feliz, pois que nos confere um sentido profundo à vida, preenchendo os nossos espaços íntimos, de modo a nos livrar da depressão, e preparando-nos para a vida futura, a imortalidade.

A proposta do amor, contida na mensagem de Jesus –  esclareceu Divaldo-, não tem apenas uma conotação religiosa ou mística, mas sobretudo psicoterapêutica, como hoje demonstra a moderna Psicologia, assim como a Medicina e a Física Quântica. Amar gera bem-estar emocional, psicológico, espiritual e físico, estimulando o sistema imunológico e promovendo a saúde integral da criatura humana.

Esse amor lecionado e exemplificado por Jesus teria duas formas de manifestação: o autoamor, identificando-se o indivíduo como ser divino, filho de Deus, e o amor ao próximo, com o reconhecimento no outro da paternidade divina. Dessas manifestações, surgiria o perdão, também em duas formas: o autoperdão e o perdão às faltas alheias. Quando reconhecemo-nos seres ainda em processo evolutivo, consideramos os nossos equívocos como parte desse aprendizado e, por isso, autoperdoamo-nos e eliminamos o conflito de culpa. Identificando o nosso semelhante como participante desse mesmo processo evolutivo e, portanto, passível de cometer equívocos, desenvolvemos a compreensão para as dificuldades alheias, daí derivando-se o perdão.

Para ilustrar sua dissertação a respeito da felicidade e da paz no ser humano, Divaldo narrou a história contada pela escritora americana Ruth Stout em sua autobiografia, a qual fala a respeito das duas janelas existentes na vida de todos nós, aquela cuja vista dá para a alegria e a outra, cuja vista dá para o sofrimento, a tristeza. A sabedoria estaria em, toda vez que estivermos na janela do sofrimento, demandarmos o outro lado, em busca da janela da alegria, e, toda vez que estivermos na janela da alegria, recordarmos que muitos de nossos irmãos estão detidos na janela da dor, sendo, assim, necessário movimentarmo-nos da direção deles para lhes oferecer a nossa solidariedade.

Foi também recordada a história da composição da “Sonata ao Luar”, por Ludwig van Beethoven, que compadecido da limitação visual de uma senhora, criou a referida peça musical para retratar-lhe melodicamente a beleza de uma noite de luar, em perfeita demonstração da vivência do ideal do amor ao próximo.

Explorando os postulados básicos do Espiritismo a respeito de Deus, da imortalidade da alma, da reencarnação e do Evangelho de Jesus, o palestrante asseverou que a Doutrina Espírita oferece-nos uma ética superior, um roteiro de vida dignificante e iluminativo, tendo a caridade como base central de toda ação.

A conferência foi encerrada com a narrativa da belíssima história da meretriz babilônica e de seus dois encontros com o Mestre Galileu: o primeiro, nos seus dias de gozo e glória transitórios, e o segundo, já vitimada pela hanseníase em estado avançado, quando, finalmente, libertou-se das ilusões da matéria para aceitar o Amor Transcendente de Jesus.

Texto: Júlio Zacarchenco
Fotos: Edgard e Sandra Patrocínio

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