18 novembro 2015
18 novembro 2015, Comentários 0

Na noite desta segunda-feira, 16/11, o médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco realizou uma conferência pública na cidade de São José dos Campos/SP, no auditório do Parque Tecnológico, para um público de 1800 pessoas, com entrada franca.

O tema abordado na palestra foi a felicidade.

 

Divaldo iniciou suas considerações acerca da temática enfatizando que todos os seres humanos buscam a felicidade sem, contudo, saberem exatamente o que ela é, onde encontrá-la ou como a conquistar. Esclareceu que, dentro de nossas experiências humanas, em nosso estágio evolutivo, o que se constitui a felicidade para uns, para outros, aquela mesma coisa é motivo de infelicidade; e que algo que nos traz alegria num determinado momento, pode ser também o que nos provoque dor num período posterior. Isso porque, segundo ele, confundimos prazer, ilusão e alegria momentânea com felicidade, procurando-a em comportamentos individualistas, sexólatras e consumistas.

Nessa análise sobre a felicidade, foram estudadas as propostas terapêuticas de Viktor Frankl, médico psiquiatra austríaco, e de Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço. Ambos propuseram que o ser humano necessita de estabelecer para si um sentido existencial profundo, de eleger um ideal nobilitante, e passar a vivenciá-lo. Para Frankl, a vivência desse sentido profundo da vida seria essencial para o equilíbrio da saúde integral; e para Jung, essa vivência evitaria que nos tornássemos um peso morto na economia social, contribuindo, assim, para uma sociedade harmônica e feliz, decorrência da harmonia e felicidade do indivíduo.

Para ilustrar as suas reflexões em torno do tema, Divaldo narrou a comovente história do médico estadunidense Dr. Tadeu Merlin que, quando ainda jovem e recém-formado em Medicina, era a favor da eutanásia. Certo dia, ao atender uma senhora que estava em difícil trabalho de parto em sua residência, viu-se diante de um grande dilema: a criança nasceu com uma deformidade em uma das pernas e, para ele, aquilo era uma verdadeira desgraça, pois considerava que a criança não teria nenhum futuro e que seria um grande peso na vida da senhora, que já era mãe de 6 filhos e cujo marido a havia abandonado. O que fazer? A sua lógica materialista dizia que a solução mais acertada seria a eutanásia. Mas no exato momento em que iria praticar tal ato, ouviu sua própria consciência a lhe advertir: que tens tu com isso? Deixa-a viver! E o jovem abandonou o local.  Muitos anos mais tarde, Dr. Tadeu experimentou a dor da desencarnação trágica de sua filha e genro, assumindo, com sua esposa, os cuidados com a neta. Tempos depois, a garotinha apresentou uma gravíssima enfermidade, cujo prognóstico dos melhores especialistas dos EUA e da Europa era de morte breve e dolorosa. Como último recurso, Dr. Tadeu e esposa procuraram um outro médico que investigava aquela doença e tinha desenvolvido uma vacina para ela, ainda não testada em humanos. Após submeter sua neta àquele tratamento, a menina ficou radicalmente curada e, com a aprovação da vacina para uso em pessoas, a doença tornou-se perfeitamente tratável e erradicada. O médico que descobriu a cura da doença e que salvou a neta do Dr. Tadeu Merlin era aquela criança que ele, um dia, pensou na possibilidade de exterminar pela eutanásia, porque houvera nascido com um defeito na perna.

Dessa narrativa, ressaltou o conferencista, podemos compreender a felicidade como o resultado ou a colheita de todo o bem que espalhamos pelo mundo.

Divaldo também analisou as 4 propostas filosóficas em torno da felicidade. A primeira, que é a proposta hedonista ou epicureia, afirma que a felicidade consiste em se “ter”, mas a crítica a ela está no fato de se constatar que a maioria daqueles que possuem sofre e é infeliz, porque, invariavelmente perturba-se com a posse e teme perder o que tem. A segunda, em sentido oposto, diz que ser feliz é não se ter nada e a crítica feita a essa proposta é a que muitos são escravos até daquilo que não tem e tornam-se infelizes por não possuírem algo ou alguma condição. A terceira, centralizada na doutrina estoica, apregoa que a pessoa deveria abandonar-se a um estado de apatia, resistindo à dor sempre, como demonstração de virtude; e a crítica a ela consiste no fato de que não é possível viver constantemente resistindo a todas as dores, em decorrência de nossas limitações naturais, morais e físicas. A quarta proposta, fundamentada nos ensinos de Sócrates, assevera que a felicidade não consiste no “ter”, mas sim em “ser”, em cultivar-se os valores ético-morais e viver-se em conformidade com a nossa consciência, na qual estão escritas as leis divinas.

Essa proposta socrática também foi apresentada por Jesus, que recomendou-nos o amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos, portanto o amor aos semelhantes e o autoamor, assim como também ofereceu-nos a regra áurea de conduta, ao dizer-nos que não deveríamos fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem.

Nesse mesmo sentido, o Espiritismo aponta o verdadeiro espírita ou o verdadeiro cristão como sendo aquele que realiza a sua transformação moral para melhor e envida todos os esforços para evitar ser arrastado por suas más paixões.

Com essa filosofia, a Doutrina Espírita teria traçado um verdadeiro caminho para a felicidade, oferecendo um sentido ético-moral profundo para a existência humana, que é a imortalidade, a qual nos premiará com os frutos centuplicados de todo o amor que tivermos espalhado na Terra.

Em suas palavras finais, Divaldo destacou que todas as crises existentes no mundo, como a econômica, a política etc, são meras decorrências da verdadeira crise, que é individual, a crise moral e espiritual do ser humano e que não há outra solução para ela senão o amor, conforme nos propusera Jesus.

A conferência foi encerrada com os versos do Poema da Gratidão, de autoria do Espírito Amélia Rodrigues.

Texto: Júlio Zacarchenco
Fotos: Edgard e Sandra Patrocínio

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