29 setembro 2017
29 setembro 2017, Comentários 0

Os dirigentes do Centro Espírita Padre Zabeu Kauffman escolheram as instalações do Indaiatuba Clube da cidade de Indaiatuba – SP para acolher as mais de 2.000 pessoas que se reuniram na noite do dia 29.09.2017 para acompanhar a conferência de Divaldo Franco.

Assomando à tribuna Divaldo inicia a conferência abordando a necessidade de adotarmos um sentido à vida adotando objetivos superiores, uma vez que nossa existência não pode transcorrer impulsionada exclusivamente pelos instintos básicos – alimentação, abrigo e reprodução – ou ainda motivada pelos objetivos materialistas imediatistas exacerbando o individualismo, o consumismo e o sexualismo.

A criatura humana não pode continuar sendo um ser cuja preocupação básica é a de satisfazer impulsos e atender aos instintos. Assim pensando e agindo chegamos a um estranho paradoxo onde cada vez mais, as pessoas têm os meios para viver, mas não têm uma razão pela qual viver.

 

 

 

Para emoldurar o conteúdo moral da conferência, Divaldo recorre aos acontecimentos reais envolvendo o Bispo James Albert Pike (1913-1969), da Igreja Episcopal Americana pertencente à Comunhão Internacional da Religião Anglicana, cuja trajetória existencial sofreu uma brusca mudança.

Seu filho de 17 anos, Jim Pike fora encontrado morto em um hotel na cidade de Nova York, vitimado por suicídio, conforme avaliado pela autoridade policial novaiorquina.

O impacto devastador desse inesperado acontecimento levou-o a refletir sobre os recentes acontecimentos envolvendo o relacionamento com o filho, agora morto.

Lembrou-se de ter sido informado pela escola de que seu filho era um usuário de droga.

O Bispo Pike, mergulhando nas reminiscências, reviveu aquela ocorrência e se recordava da indisfarçável surpresa e constrangimento de que fora tomado.

No diálogo com o filho, esse admitiu o consumo da droga, mas – ao contrário do que informavam – ele era somente um usuário eventual.

Refletindo, agora, sobre esse acontecimento o Bispo Pike dera-se conta de que preferira confiar nas palavras do filho, quando o correto teria sido o de aprofundar as análises. Na verdade, meses mais tarde, ficou comprovado que Jim era um toxicômano carecendo, imediatamente, de desintoxicação.

A maioria dos pais – adverte Divaldo – busca não refletir com profundidade sobre os riscos envolvendo os filhos no uso das drogas. Pesquisas realizadas com os pais de jovens em tratamento de desintoxicação pelo uso de drogas, revelam um dado assustador e revelador desse comportamento que beira a omissão: Cerca de 80% tinham a firme convicção de que seus filhos JAMAIS usariam drogas.

Os pais devem ficar atentos aos sinais indicativos – físicos e comportamentais – de que seus filhos são usuários de droga: diferenciando do seu comportamento habitual ele se torna ou silencioso ou rebelde; tremores nas mãos; sudorese fria e viscosa; ligeira palidez na face. Na medida em que a dependência aumenta há uma dilatação dos vasos sanguíneos dos olhos e para disfarçar esse sintoma eloquente o dependente passa a utilizar de forma constante óculos de sol mesmo à noite pela fotofobia produzida uma das consequências do uso da droga.

No lar começa a construção moral dos filhos diante dos comportamentos dos pais, a lhes dar exemplos do valor do conhecimento, do caráter, da honra, da convivência doméstica e essa é uma tarefa indispensável, nunca devendo ser transferida totalmente para a escola, encarregada da instrução, na qual se devem induzir os hábitos saudáveis através da conduta dos mestres.

Infelizmente, a criança não é devidamente valorizada, tornando-se mais um objeto de exibição dos pais, que não lhes dão a atenção indispensável, o carinho e a assistência no lar, pois estão mais preocupados em dar coisas, ocultando-se no egoísmo de não se darem a si próprios, mesmo que isso resultasse em menos conforto e maior esforço na manutenção da família. O pensamento materialista, favorece o surgimento de uma sociedade imediatista, agressiva, cruel e indiferente ao sofrimento dos excluídos na miséria social, moral e espiritual.

Pais e mães não se iludam de que o seu lar será poupado desse flagelo. Observem o comportamento dos filhos. Caso, todavia, o drama das drogas já penetrou em seu lar, não fujam coniventemente ignorando. Da mesma forma não se revoltem, nem sejam hostil. Conversem, esclareçam, orientem e assistam as frágeis vítimas. Busquem o auxílio dos recursos médicos, mas não se esqueçam do amor e da moral e do apoio fornecida pela Doutrina Espírita, a fim de obterem a reeducação e a felicidade daqueles que a Lei Divina nos confiou para a felicidade nossa e a deles.

Após essas considerações Divaldo retorna ao drama do Bispo Pike, que se mudara dos EUA para a Inglaterra, habitando o mesmo apartamento onde por muitos anos seu filho residira.

Diante de fatos inusitados envolvendo ocorrências paranormais, o Bispo Pike busco o auxílio de uma médium inglesa – a Sra. Ena Twigg (1914 – 1984) – por cuja mediunidade psicofônica (“incorporação”) manifestou-se o filho desencarnado revelando-lhe de que sua morte não fora por suicídio. Na verdade ele morrera após ingerir, inadvertidamente, uma grande dose de remédios e calmantes para poder vencer a insônia e diante da ineficácia da medicação passou – em um gesto automático – a tomar vários até que sobreveio a desencarnação. Ele era sim um Suicida indireto por
ter sido um toxicômano.

O depoimento do filho amado que se fez acompanhar pela comunicação de um amigo de infância, também já falecido, deram-lhe as provas da imortalidade da alma e da comunicabilidade dos Espíritos.
Diante dessas evidências incontestáveis o Bispo Pike readquiriu a fé, agora iluminada pela Razão, levando-o narrar todos os pormenores dessa redescoberta em suas conferências, sermões e entrevistas pela Mídia, além de publicar o livro “The Other Side” (O Outro Lado).

Baseados na narrativa dos fatos que envolveram o Bispo Pike, Divaldo reitera nos fala sobre a majestade do pensamento Espírita, o Consolador prometido por Jesus.

Divaldo chega ao Espiritismo e a base sólida em que ele foi edificado citando os pilares que o sustentam.

1. Existência de Deus: Investigador emérito Kardec pergunta aos Bons Espíritos conforme O Livro dos Espíritos, questão 4 : Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus? E a resposta é sublime, pois é tirada do pensamento lógico advogado pelos cientistas: “Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

2. Imortalidade da alma: Ninguém morre somente o corpo físico.

3 Comunicabilidade dos Espíritos: A mediunidade abençoada que – à semelhança do que aconteceu com o Bispo Pike – instrui, consola e restabelece a esperança e revigora a fé.

4. Reencarnação: Que vem responder Por que eu sofro? A Reencarnação vem nos dizer que somos o que fazemos de nós e o nosso destino está em nossas mãos.

5. Pluralidade dos Mundos Habitados.

6. O Evangelho de Jesus: O Espiritismo tem por base o tratado mais notável de princípios éticos de que a Humanidade jamais teve a glória de conceber: O Evangelho de Jesus.

Allan Kardec, através da questão 625 de O Livro dos Espíritos, indaga aos Espíritos Superiores: Qual o ser mais perfeito que Deus ofereceu aos homens, para lhe servir de modelo e guia?

Os numes tutelares da humanidade respondem sinteticamente: Jesus.

Divaldo, fala então da interpretação da Doutrina Espírita sobre a felicidade ao nos ensinar que o ser humano deve aprender a ser feliz de acordo com as circunstâncias, incorporando e vivendo a certeza da transitoriedade do seu corpo físico e da sua eternidade espiritual. Filosofia esta, sintetizada no pensamento de Allan Kardec: “A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não da situação material em que ele vive”.

Estamos na Terra para construir um mundo melhor. E nesse momento de crise onde as dores se tornam mais acerbas e os convites para eleger a Mamon se intensificam, paira a doce figura do Mestre Jesus indicando-nos o caminho e servindo de referência para as nossas ações e pensamentos.

“Tenho-vos dito essas palavras para que a minha alegria permaneça em vós e a vossa felicidade seja completa. E o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei”. João 15:11

Texto: Djair de Souza Ribeiro; Fotos: Sandra Patrocínio

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