26 setembro 2017
26 setembro 2017, Comentários 0

Divaldo Franco – Conferência em Bauru/SP – 26/09/2017

O Centro Espírita Chico Xavier, da cidade de Bauru – SP, cedeu suas instalações para receber mais de 1.500 pessoas para a palestra de Divaldo Franco, evento promovido pela União das Sociedades Espíritas da Intermunicipal (USE).
Divaldo inicia sua conferência citando pensamento do psiquiatra austríaco Viktor E. Frankl, sobrevivente dos campos de extermínios nazista, que afirmava “Uma vida que não tem um sentido psicológico, não alcançou a maturidade do ser humano”. Na mesma linha de pensamento, anos mais tarde, o pai da Psicanálise Analítica, Carl Gustav Jung considerava: “É necessário que cada um de nós tenha, na existência, uma meta, a fim de que essa existência dê-nos a maturidade psicológica”

A partir desses pensamentos, Divaldo delineia os dias graves da atualidade da sociedade humana a qual, concentra todos os esforços e energias quase que exclusivamente aos objetivos imediatistas em prejuízo daqueles transcendentais.

 

 

O resultado dessa opção vem se refletindo nas estatísticas oficiais e a OMS espera já para o ano de 2025 que as mortes provocadas pelos efeitos da Depressão ultrapassarão os óbitos de câncer e cardiopatias, que hoje lideram as causas de morte.

Os efeitos da Depressão levarão a um aumento estarrecedor dos suicídios, hoje já tão elevados.

O mecanismo é insidioso e gradativo: A tristeza somatiza-se em Angústia. A angústia leva à Perda do Sentido existencial, que por sua vez gera a Perda de Afetividade que vai levar à Depressão.

A depressão gera o Vazio Existencial que leva, por final, ao desejo de morrer.

Não se trata de que desejamos a morte. Na realidade aspiramos a “libertação” da terrível Angústia e do Nada Interior.

A partir desse diagnóstico, Divaldo realiza uma análise da Depressão revelando sua presença já em tempos recuados, buscando casos desde o Rei Saul (1065 a.C.), e até mesmo na Mitologia grega com a personagem Belorofonte (dono do cavalo Pégaso).

Divaldo cita ainda Hipócrates (Séc.IV a.C.) e as preliminares pesquisas em torno da Melancolia. Por essa ocasião acreditava-se que o ser humano pensava pelo fígado e amava com o coração e por essa razão o Pai da Medicina estabeleceu a Teoria Humoral (os 4 Humores – sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra) e que a Melancolia era causada pelo desequilíbrio entre esses Humores. Essa teoria prevaleceu até o Séc. XVII (d.C.) quando a Ciência atribuiu ao cérebro a responsabilidade pelos pensamentos. Foi nessa época que teve início o uso da palavra Depressão (do latim Deprimere: apertar, empurrar para baixo)

Foi somente a partir do Século XX que a Psiquiatria passou a melhor entender a Depressão e classificando-a como Unipolar
(tristeza, desinteresse pela vida) e Bipolar (alternando a tristeza com a euforia).

A partir dos anos 1940 com a descoberta dos Neurônios e das sinapses neuronais é que a Ciência passou a melhor entender os mecanismos do Transtorno Depressivo Unipolar ou Bipolar cuja causa foi estabelecida no distúrbio na produção dos neurotransmissores, perturbando as comunicações entre os Neurônios. Surgem, então, os remédios que buscam compensar esses desequilíbrios.

Paralelamente a Psicologia vai também ampliando sua forma de entender e, consequentemente, assistir os pacientes. A primeira foi a Psicanálise, depois surgiu a Psicologia Comportamental (Behaviorista), mais tarde a Psicologia Humanista e, finalmente, a Psicologia Transpessoaç que passa a “enxergar” o ser humano como um ser Bioespirtual (possuidor de corpo físico e Espírito) proporcionando um tratamento holístico (global, integral, completo).

Após essa análise Divaldo aborda a questão do ponto de visto Espírita, afirmando que na raiz psicológica do transtorno depressivo ou de comportamento afetivo, encontra-se uma insatisfação do ser em relação a si mesmo e que não foi solucionada, produzindo conflitos resultantes dos desejos não realizados e que se convertem em melancolia que se expressa em desinteresse pela vida.

Vivendo em uma sociedade individualista, consumista e sexista a criatura passa a não encontrar outro motivo ou significado existencial a não ser o fruir incessantemente, até a exaustão.

Além desse fator, Divaldo aponta ainda, o luto ou perda, como analisado por Freud, responsável por uma alta porcentagem de ocorrências depressivas, que arrojam os incautos no precipício do abandono de si mesmos. Esse sentimento de luto ou perda é inevitável, detestada, arrebatando a presença física de um ser amado, ou – então – gerador de consciência de culpa, quando ocorre de maneira imprevista, sem chance da reconciliação de relações inamistosa deixando arrependimento, agora transformados em conflitos punitivos.

O luto, contudo, não fica restrito somente à morte, mas também se manifesta na perda do trabalho profissional, gerando incerteza para viver com segurança no meio social. E, ainda, vamos ver o luto presente na perda de algum afeto que nos deixou na solidão e até mesmp na perda de um objeto de valor sentimental ou monetário.

É natural que qualquer tipo de perda produza aflição e perturbação, permanecendo nessa situação por algum tempo, que não deve ultrapassar a oito semanas, configurando-se um saudável comportamento emocional.

Caso, porém, quando esse estado de prostração se prolongue, ou até mesmo se agrave acaba por se tornar patológico, requerendo assistência.

Após examinar as causas psicológicas, genéticas e orgânicas temos que levar em conta o Espírito imortal, gerador dos quadros emocionais e físicos de que necessita na sua luta evolutiva intelecto-moral, que transfere seus dramas e tragédias de uma para outra existência física, gravados no íntimo do ser e que despertam na nova existência, no mecanismo de Ação e Reação (causa e efeito) magistralmente apresentada por Allan Kardec.

Assim, a depressão tem origem no Espírito, que reencarna com a consciência culpada, que lhe imprime nos neurônios, nos neurotransmissores, e consequentemente nas sinapses, os elementos que as desestabilizam o equilíbrio, gerando o surgimento dos transtornos.

A cada um segundo suas obras, como nos ensinou Jesus.

Divaldo passa, então, a delinear a terapêutica. Jamais abandonar os tratamentos preconizados pela Psiquiatria (medicamentos) e a Psicológica (terapia), mas sem deixar de lado o verdadeiro causador: o Espírito.

E para tanto, Divaldo, agora, apresenta-nos a medicação que vem nos auxiliar a substituir o vazio existencial pela solidariedade.

A Doutrina Espírita – nos seus aspectos religiosos, filosóficos e científicos – é capaz de preencher esse vazio existencial, por nos oferecer metas que concorrem para o real sentido da vida: a evolução intelecto-moral. A de sermos hoje, melhores do que ontem e amanhã melhores do que hoje.

O Espiritismo vem despertar a nossa consciência para a necessidade de encontrarmos um sentido psicológico para a vida deixando a fase do primarismo representado pelos instintos e as sensações.

O sentido da vida, conforme nos ensinou Jesus, é AMAR.

Nós somos mais do que o ser definido pelos antropologistas: Bípede e emocional. Somos também aqueles que trazemos na alma a presença de Deus e nascidos para amar, pois o amor é o ápice do nosso processo evolutivo ético e moral.

Divaldo silencia e arremata: A vida tem que ter um significado: O desenvolvimento do amor.

Amorterapia – eis a proposta de Jesus.

Abre-te ao amor e combaterás as ocorrências depressivas, movimentando-te, em paz, na área da afetividade, com o pensamento em Deus. Evita a hora vazia e resguarda-te da sofreguidão pelo excesso de trabalho. Adestra-te, mentalmente, na resignação diante do que te ocorra de desagradável e não possas mudar. Joanna de Ângelis.

Extraído de o livro RECEITAS DE PAZ, psicografia de Divaldo Franco, LEAL.

Texto: Djair de Souza Ribeiro; Fotos: Sandra Patrocínio

Comments are closed.