2 março 2017
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O Centro de Convenções de Uberlândia, estado de Minas Gerais, foi insuficiente para atender a tantos que buscavam ouvir Divaldo Franco. Amplas e confortáveis instalações acolheram cerca de 4.200 pessoas.
Assumindo a tribuna, Divaldo Franco dá início à conferência citando as palavras de Allan Kardec a respeito da Ciência e do Espiritismo conforme está em A Gênese: “O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, o Espiritismo a aceita”.

Em seguida Divaldo apresentou uma espetacular e esclarecedora incursão pelo avanço da ciência e do pensamento racional e positivista passando pelos principais destaques e desbravadores de várias especialidades dos últimos 150 anos: Psiquiatria, Psicologia, Física, Química, Astronomia e a contribuição de cada um deles para o progresso do conhecimento humano.

 

 

 

A ciência – materialista e céptica com relação a Deus, alma e a continuidade da vida após a morte do corpo físico – começa a se dobrar ensaiando aceitar tais conceitos à força dos resultados concretos logrados por uma série grande de pesquisadores e confiáveis cientistas e que seguem, por hora, ainda desconsiderados pelo pensamento acadêmico que – refletindo sua arrogância e orgulho – refratários a ciência do Espírito. Mas é só uma questão de tempo para que a Ciência e o Espiritismo se unam complementando-se .

Divaldo, então, passa a enumerar as conquistas do pensamento científico materialista opondo-lhe as considerações da própria Ciência que o nega. Começa na Antiga Grécia com a Filosofia que busca responder: Qual o sentido da Vida? Há vida após a morte do corpo físico?

E brilhantemente Divaldo inicia por Leucipo e Demócrito precursores do pensamento atomista que reduz a criatura a um agrupamento de átomos. Mas qual seria o propósito existencial desse amontado de átomos? Divaldo cita Sócrates e Platão que se contrapondo à doutrina atomista, mostra que a vida tem um sentido ético e moral.

Após passar pelas considerações e interpretações de uma grande série de Doutrinas – Bahgavad Gita e os Upanishades da tradição hindu, passando pelos Livro dos Mortos dos Egípcios da antiguidade e as cogitações da Maçonaria revelando a preocupação manifesta em todas elas a respeito do significado superior da Vida, Divaldo chega ao Espiritismo e a base sólida em que ela foi edificada citando os pilares que a sustentam.

1. Existência de Deus: Investigador emérito Kardec pergunta aos Bons Espíritos conforme O Livro dos Espíritos, questão 4 : Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus? E a resposta é sublime, pois é tirada do pensamento lógico advogado pelos cientistas: “Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

2. Imortalidade da alma: Não devemos confundir Imortalidade – não destruição dentro do conceito de Espaço e Tempo – com a Eternidade que é a inexistência do Espaço Tempo.

3 Comunicabilidade dos Espíritos: Utilizando-se do conceito de Einstein de que Matéria e Energia se equivalem os Espíritos desencarnados experimentam a existência em uma outra dimensão e de que é possível a comunicação entre ambos estados vibracionais.

4. Reencarnação: Que vem responder Por que eu sofro? A Reencarnação vem nos dizer que somos o que fazemos de nós e o nosso destino está em nossas mãos. Felizes quando agimos em conformidade com as Leis Divinas e infelizes quando delas nos afastamos, plantando e colhendo. Sempre

5. Pluralidade dos Mundos Habitados. A Astronomia – a partir das imagens de campo profundo do Telescópio Espacial Hubble – estima de maneira conservadora – que existem 10 vezes mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra. Por quê? Qual a finalidade da existência de tantas estrelas senão a de abrigar vida, nem sempre da maneira como nós “definimos” que deva ser.
Em seguida Divaldo questiona: Na medida em que toda Doutrina tem uma Ética, qual é a Ética do Espiritismo?

O Espiritismo tem por base o tratado mais notável de princípios éticos de que a Humanidade jamais teve a glória de conceber: O Evangelho de Jesus.

Com uma clareza cortante associada ao domínio dos fatos Divaldo emprega as descobertas e constatações irretorquíveis de pensadores e cientistas para derrubar conceitos equivocados em torno dos Ensinamentos de Jesus, começando pela Reencarnação e o trabalho magistral do Prof. Hemendra Nath Banerjee (1929-1985), Diretor do Departamento de Parapsicologia da Universidade de Rajasthan, Índia e do Dr. Ian Stevenson – americano, que foi chefe da Divisão de Parapsicologia do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Virginia, EUA.

Muito embora essas pesquisas realizadas por Dr. Stevenson e Dr. Banerjee, não sejam ainda consideradas como provas científicas, trazem fortíssimas evidências que, com certeza, dentro de algum tempo, deixarão de serem consideradas como teoria para migrarem à categoria de prova concreta, tal é o critério científico utilizado nelas.

Baseado em fatos reais registrados pela história, Divaldo evidencia que o Cristianismo em seus primórdios admitia a Reencarnação a qual foi banida dos cânones religiosos católicos que no Concílio de Constantinopla em 552 condenou os pensamentos neoplatônicos de Origenes – divulgadas pelo livro A Doutrina dos Princípios no qual constava o princípio da Reencarnação.

Adentando-se pela parte da final da conferência Divaldo vem nos chamar a atenção para as questões morais vinculadas à figura da Reencarnação, evidência magistral da Justiça, Perfeição e Bondade Absolutas de Deus nosso Pai.
Todos nós podemos ser felizes ou desventurados através de uma escolha:
Manter o Ego, mantendo os nossos idealismos castradores e as nossas heranças do passado que transformamos em códigos e leis sem nenhuma estrutura de validade, fortalecendo nossos preconceitos sob a justificativa de que objetivam “proteger” a Sociedade. Mas de qual Sociedade estamos falando? A Sociedade que corrompe, indignifica, destrói valores morais edificando a luxúria e o imediatismo?

Kardec – na questão 621 de O Livro dos Espíritos – indaga os Espíritos Superiores: Onde está escrita a Lei de Deus? Ao que os Luminares da Humanidade em nome de Jesus respondem sinteticamente: Na consciência.

É na Consciência que devemos trazer o Evangelho de Jesus e não somente na mente. Retornarmos à suave montanha nas cercanias de Cafarnaum para reviver na alma o sublime poema das Bem Aventuranças no convidando a VIVER os atributos destacados pelo Mestre: Humildade, Mansuetude, Misericórdia , Paz e a Pureza de Coração, além do desenvolvimento da Resignação ao nos afirmar que todos os que choram e sofrem serão consolados.
Hoje, mais do que nunca, temos a necessidade de VIVER Jesus.

Enquanto a depressão e o vazio existencial dominam as criaturas que buscam afastar os objetivos superiores da vida, preferindo exaurirem-se nas metas imediatistas e superficiais do consumismo, egoísmo e sexualismo, correndo atrás do nada, Jesus continua de braços abertos e estendidos aguardando-nos como se estivesse a nos dizer: Vinde a mim todos vós que estais sobrecarregados e aflitos que eu vos aliviarei.

No tumulto que assola em toda parte no planeta terrestre, desequilibrando o comportamento humano, parece não haver espaço para a harmonia, tampouco segurança para a vivência espiritual que dignifica e tranquiliza o Espírito.

As distrações confraternizam com as tragédias e os sorrisos misturam-se às lágrimas, numa paisagem de ilusão e dor, que empurram suas vítimas para o desencanto, a saturação, empobrecimento moral, o vazio existencial.
Quanta saudade de Jesus!
A Sua mensagem de ternura e amor, repassada de misericórdia, possui o condão mágico de alterar o significado de todas as existências.
A ingenuidade inserta na sabedoria dos Seus ensinamentos é um poema de atualidade em todos os tempos, que comove, propicia equilíbrio e restaura a compreensão em torno dos deveres que a todos cabe desempenhar. (Saudades de Jesus – Joanna de Ângelis)

Fotos: Sandra Patrocinio
Texto: Djair de Souza Ribeiro

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