3 março 2017
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O Centro Cultural Cenecista Joubert de Carvalho, em Uberaba-MG acolheu, na noite de 03 de Março de 2.017, cerca
de 1.100 pessoas para ouvir Divaldo Franco.

Da tribuna Divaldo Franco deu início à palestra abordando as causas que governam o enorme sofrimento que
envolve o comportamento humano da atualidade, onde o materialismo e o desprezo pelos valores morais e éticos
associados ao ateísmo  tiranizam grande parte da sociedade pela imposição de seus valores transitórios e
alienantes do sexismo, do individualismo e do consumismo.

Divaldo faz, então, uma sucinta, porém brilhante, incursão pela história da humanidade perpassando os eventos
chaves que resultaram no fortalecimento da filosofia materialista e ateísta.

 

 

 

Cansados e oprimidos pela intolerância religiosa e os privilégios ao clero e em associação aos pensamentos
filosóficos materialistas os Revolucionários buscaram impor os seus pensamentos e Pierre Gaspard Chaumette
(1763 –1794) político Frances e pertencente ao grupo dos ultras radicais fanáticos no período da Revolução
Francesa e que considerava ser a religião uma relíquia das superstições da era medieval e não mais
correspondendo às conquistas intelectuais obtidas com o Iluminismo. Chaumette considerava a Igreja e os
inimigos da Revolução Francesa como sendo a mesma coisa e apoiado em seu fanatismo iniciou o movimento de
descristianização do povo Frances.

O auge da imposição do pensamento materialista e ateísta ocorreu na Catedral de Notre Dame de Paris no dia 10
de novembro de 1.793 quando se deu a destruição do altar da catedral e a entronização da deusa Razão
(representada pela atriz Mademoiselle Candeille) em substituição a Deus. A partir de então nesta data passou-se
a comemorar o Festival da Razão.

Governada pela deusa Razão e separada de Deus, a Revolução Francesa abandona os objetivos inicias e dá início
ao Período do Terror onde milhares de pessoas são submetidos à morte pela guilhotina.

Em 1801 Napoleão Bonaparte assina com o Papa Pio VII o acordo de restabelecimento da religião e trazendo de
volta Deus para a França, que ficou conhecida por “Concordata de 1.801”.

Em 1.804 enquanto o Imperador francês Napoleão Bonaparte invade outros países para impor sua dominação, nascia
em na histórica cidade de Lyon na mesma França de Bonaparte Hippolyte Léon Denizard Rivail – mais tarde Allan
Kardec – representando uma luz na terrível noite a que se entregava a humanidade.

Enquanto s terríveis consequências das Guerras Napoleônicas prosseguiam  impondo sofrimento o jovem Hippolyte
Denizard ingressava na escola fundada por Henrique Pestalozzi em Iverdum na Suiça construindo as bases da
estrada de luz que viria em socorro da humanidade.

Napoleão morre e anos mais tarde seu sobrinho – Napoleão III – se faz coroar Imperador da França, cedendo,
contudo total controle à Igreja Católica sobre as questões religiosas, como por exemplo a necessidade de se
submeter às análises da censura religiosa toda e qualquer obra literária.

Para atender essa obrigatoriedade, Allan Kardec encaminhou para análise da censura da religião dominante a obra
O Livro dos Espíritos. Uma vez mais nós vemos a Divindade abençoando essa obra impar porque ela vai cair nas
mãos de um venerando sacerdote que poderia impedir a sua publicação: o Abade de Dussenguy.

O abade ao ler o livro sob censura, se fascina e declara na primeira página:

— Imprima-se, porque esse livro possui tudo aquilo que é indispensável para levar qualquer alma ao Reino dos
Céus.

A Doutrina Espírita lograra ultrapassar a primeira de uma série de barreiras colocadas pela ignorância e
sectarismo. Anos mais tarde no dia 1 de maio de 1864 a Igreja Católica incluiu a obra no “Index Librorum
Prohibitorum” – o catálogo das obras cuja leitura é vedada aos seus fiéis.

Divaldo segue ilustrando o caminho da filosofia materialista no Século XIX com o surgimento do Positivismo com
Auguste Comte (1798-1857) que descarta a necessidade da Religião.

Freud, Nietzsche e o niilismo, Karl Max e a afirmação de que a religião é o ópio do povo, representam o máximo
do pensamento materialista ateísta.

Teve início, então, a fase dos combates e perseguições não somente por parte das religiões dogmáticas cujos
ataques eram previsíveis. As reações mais contundentes, porém, partiram dos meios científicos europeus.

Pierre-Marie-Félix Janet (1859 — 1947) psicólogo, psiquiatra e neurologista francês foi o mais destacado entre
todos que assestaram seus ataques contra a Doutrina Espírita e publica o livro L’automatisme psychologique:
Essai de psychologie expérimentale sur les formes inférieures de l’activité humaine. (O Automatismo Psicológico
– Ensaio de Psicologia Experimental sobre as Formas Inferiores da Atividade Humana) concluindo: ” Os fenômenos
ditos mediúnicos eram, na verdade, manifestações patológicas, doentias e se equiparavam aos distúrbios
psiquiátricos como a esquizofrenia, a histeria e a epilepsia”.

Um rótulo amargo e terrível estava sendo colocado nos médiuns: A mediunidade é sinônimo de loucura.

O fato mais grave é que Pierre Janet jamais houvera pesquisado e efetuado experiências com médiuns ou mesmo
assistido a uma seção mediúnica. Seus estudos e conclusões basearam-se em trabalhos divulgados por outros
pesquisadores.

Fazendo contraponto ao ilusório império materialista-ateísta Divaldo cita o Químico americano e Presidente da
Academia de Ciência de Nova York o Dr. Abraham Cressy Morrison (1864 – 1951) que publicou um artigo na imprensa
americana intitulada “Sete Razões que um Cientista Acredita em Deus” (Seven Reasons a Scientist Believes in
God).

Nesse artigo o Dr. Morrison – baseado na lógica das descobertas científicas – enumera as razões que comprovam
cientificamente a existência de Deus.

Utilizando-se do conhecimento da velocidade de rotação da Terra, da distância da Terra em relação ao Sol, da
espessura da camada da atmosfera que circunda a Terra, do ângulo de inclinação do eixo vertical da Terra, da
existência da Lua etc, o Dr. Morrison conclui que tudo foi cuidadosamente pensado e construído para que a vida
na Terra fosse possível e, dessa maneira, ALGUÉM se preocupou com isso e cuidou de todos os detalhes. Se não
foi Deus – pergunta o cientista – quem teria sido?

Deus retorna a pauta das considerações científicas e o homem deixa de ser apenas um amontoado de átomos,
moléculas e células fadado ao túmulo após uma breve existência para se transformar em herdeiro do Universo.

Mas para sentirmos a presença de Deus é necessária uma condição: amar.

Amar, como nos convidou Jesus  – o tipo mais perfeito que Deus deu aos homens para lhes servir de Modelo e Guia
– e anotada pelo evangelista Marcos no capítulo 12:29 e 30: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo
como a si mesmo

A tecnologia e a ciência auxiliam, mas somente o amor edifica permanentemente.

Divaldo Franco, conclui sua palestra emocionando a todos os presentes com a narrativa da página de autoria de
Felício Terra em torno da vida de Leland Stanford Senior, sua esposa Jane Stanford e do filho Leland Stanford
Junior (1868-1884) cuja morte – por tifo – durante uma viagem pela Europa, despertou nos pais a motivação para
as preocupações transcendentais da vida.

Tocada pelos exemplos de amor do filho Leland pelas crianças desassistidas e excluídas de um orfanato que um
dia visitara junto com a mãe, o casal Stanford passou a considerar a ideia de fazer das crianças da California
as crianças da família Stanford.

Com essa motivação o casal fundou a Universidade Stanford (oficialmente o nome é Leland Stanford Junior
University)

Nessa emocionante história vemos retratado, uma vez mais, a aplicação das recomendações do Mestre Jesus o amor
incondicional a Deus e ao próximo.

Divaldo encerrou a conferência luarizando a todos com poema da gratidão evocando Chico Xavier e agradecendo-lhe
pela sua linguagem de ternura.

TEXTO: Sandra Patrocinio
FOTOS: Djair de Souza Ribeiro

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