15 dezembro 2016
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Mansão do Caminho
Caravana Auto de Souza
15 de dezembro de 2016
Texto e fotos: Paulo Salerno

A Caravana Auta de Souza, fundada em setembro de 1948, foi o primeiro departamento do Centro Espírita Caminho da Redenção. É um trabalho voluntário voltado para o atendimento de idosos e pessoas inválidas portadoras de doenças irrecuperáveis e degenerativas. A misericórdia é rotina para os colaboradores. Não só para os inscritos se destinam o esforço e o atendimento. O socorro alcança muitas pessoas carentes que não são inscritas no atendimento, mas que se encontram em situação de emergência. A Assistente Social Romilda, incansável dirigente, informa que esse ano estão encerrando o ano com 330 inscritos. Eles estão distribuídos por sete grupos. Dois são formados por doentes graves, geralmente aidéticos, cancerosos e tuberculosos. Um grupo é formado por gestantes. Os idosos, com mais de 65 anos de idade, ou incapacitados, formam quatro grupos.

Os dois grupos de doentes graves estiveram reunidos na manhã do dia 15 de dezembro. Foram, como de costume, recebidos com alegria e muito carinho. Acolhidos com uma prece, receberam lanches, presentes para os filhos ou netos e, na saída cada um levou uma cesta básica composta de 27 itens, do feijão ao sabonete. Ainda no acolhimento, Maurício Fonseca, através da música, foi asserenando aquelas almas sofridas em busca de dignidade e socorro para suas vidas.

Tia Raimunda, uma dileta e abnegada trabalhadora da Caravana Auta de Souza, desencarnada a pouco, foi homenageada, quando pelas fotografias, a lembrança da trabalhadora disciplinada que deixou um legado muito importante, foi reverenciada com afeto.

O encontro serviu, também, para lembrar que esse período é dedicado pelos cristãos para se homenagear o Mestre amoroso e fraterno, Jesus Cristo. A vida de Jesus, do nascimento ao batismo, foi objeto de uma projeção, descrevendo a narrativa de João 3:16 e 17. Rubens Rocha, colaborador da Caravana Auta de Souza, se dirigiu ao público disciplinado e atento, apresentando bela história retratando a caridade. Em suma, sempre que a caridade for feita a qualquer necessitado, será a Jesus que a caridade estará sendo prestada. Seja através de uma sopa, de uma moeda, de um agasalho, de um copo d’água, ou principalmente acolhendo o aflito envolto em dores físicas ou morais. O natal pode e deve ser o período em que cada um, cada família, se prepara para receber Jesus, sempre presente junto à humanidade, mas pouco percebido.

Que permaneça com cada indivíduo a esperança, a certeza de dias melhores, orando em nome de Deus. Receber a visita de Jesus é devotar compaixão, carinho, ou no ato de doar um simples copo com água. Quando se faz por alguém um benefício, é a Jesus que se faz. Rubens Rocha estimulou a que cada um abra o seu coração para Jesus, recebendo-O em visita, desenvolvendo o amor ao próximo, adotando como conduta diária os Seus ensinamentos de amor imenso. O natal deve ser o da lembrança do sublime amigo que permanece em nós, estimulando a vida.

 

Reunião Doutrinária

No período noturno, às 20h00min, houve a palestra doutrinária do Centro Espírita Caminho da Redenção. Formavam a mesa diretiva João Araújo, Divaldo Franco, Mário Sérgio, Cristiane Beira e Solange Seixas, que fez a prece inicial. Cristiane Beira foi convidada a comentar o momento atual, o de final de ano, onde normalmente as pessoas costumam fazer um balanço, uma avaliação das atividades vividas no ano, traçando planos para o período seguinte. Utilizando-se da figura mitológica de Páris, filho do Rei Príamo de Tróia, Cristiane fez um paralelo entre as atitudes de Zeus, que optou por não reconhecer a situação, evitando, ou negando a existência de um problema e as atitudes de Páris que desconhecia a sua origem e sua destinação.

Os problemas, ou situações que exijam respostas, quando não enfrentados adequadamente, não resolvidos, retornam, instalando dificuldades ainda maiores. Por outro lado, aquele que não se conhece, não sabe de sua origem, a sua realidade interna isto é, não realiza a viagem para dentro de si, autoconhecendo-se, não chega a conclusão de que é filho de Deus, possuidor de potencial. Um bom número de pessoas, a grande maioria, toma suas decisões optando por ações e situações superficiais, não agindo como um ser divino, imortal.

Cristiane salientou ser necessário que os indivíduos façam a viagem interior, redescobrindo suas potencialidades, desenvolvendo o autocontrole, abandonando a visão imediatista, pequena, temporária. É hora, salientou, de fazer diferente, assumindo a responsabilidade, tornando-se verdadeiro, mudando a intimidade para fazer um mundo diferente, o mundo almejado e necessário, tornando-se belo interiormente, refletindo-se exteriormente. Todos desejam um ano novo diferente, porém, poucos sabem construí-lo a partir das estruturas internas.

Divaldo Franco argumentou que a viagem interior se destina a valorizar o deus interno, sufocando as más inclinações que afligem e atormentam. Nesse natal, frisou, que a opção seja pela compaixão, apesar das indiferenças. Muitos querem viver bem, quando deveriam bem viver. Sempre que a opção for pelo viver bem, o homem arma-se contra o outro, ao passo que bem viver faz com que os indivíduos se amem, construindo a paz íntima, tornando-se fiel, desenvolvendo a retidão de caráter e de costumes, construindo valores éticos.

O ser humano ainda vive no ressentimento, embora se considere bom. Sem o exercício da tolerância, ressente-se, e por conseguinte não perdoa. Para ilustrar, Divaldo narrou experiência vivida por Chico Xavier, que ao atender uma mulher cujo marido era alcoólatra, e por ter vivido com ele 25 anos, imaginava já ter alcançado o número suficiente para perdoar, segundo a resposta de Jesus a Pedro: Perdoar sete vezes sete vezes. Ela desejava se separar do marido. Queria ter a certeza de que, convivendo com ele durante 25 anos, já estaria liberta a tal ponto que em outras reencarnações não o encontraria mais. Aturando o marido por tanto tempo, imaginava que estivesse perdoada e liberada.

Chico Xavier meditou e disse-lhe que o que Jesus dizia sobre o perdão e a multiplicação das vezes que deveria perdoar se referia a cada ofensa, a cada erro, isto é, indefinidamente. Como Chico não respondeu conforme desejava, saiu contrariada. Passados alguns meses ela retornou, agora coberta de luto, o marido havia desencarnado. Aproximando-se do venerável médium, de imediato perguntou sobre o estado em que se encontrava o marido que havia desencarnado meses antes. Antes de dar uma resposta, Chico perguntou quantos anos ele tinha sido alcoólatra. Vinte e cinco anos, respondeu a viúva. Bêbado, respondeu o médium do século.

Analisando o perdão sob o aspecto psicológico e religioso, Divaldo esclareceu que o desejo de não devolver a ofensa é psicológico, por que compreende que o ofensor é um doente da alma, compreende a sua natureza. As pessoas difíceis são educadoras e tudo o que acontece possui um significado útil, contribuindo para a melhoria íntima. No aspecto religioso, o perdão é esquecer a ofensa. É não conservar mágoas. Perdoar, continuou o Semeador de Estrelas, é encontrar algo que diminua a importância da ofensa, como sugere Allan Kardec quando afirma que não se pode amar da mesma forma uma pessoa que faz o bem e aquela que faz o mal, há diferenças.

É importante desenvolver a convicção de não aceitar a ofensa que o outro faça. Deus sempre faz o que é melhor para cada indivíduo. É de suma importância saber que tudo o que se faz a outrem retorna. Todo o perdão concedido, toda a misericórdia, toda a compaixão, todo o afeto distribuído, plenifica o ser, felicitando-o. Ao contrário, quando se carrega mágoas, conflitos, miasmas, os indivíduos se infelicitam, adoecem. Finalizando, solicitou que o Divino Amigo, Jesus, preencha as nossas vidas. Mário Sérgio proferindo a prece final, sensibilizou os corações.

Abraço,
Jorge Moehlecke

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