13 dezembro 2016
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Centro Espírita Caminho da Redenção
Divaldo Franco
13 de dezembro de 2016
Texto e fotos: Paulo Salerno

 

No final da tarde do dia 13 de dezembro, às 17h00min, foi inaugurado um presépio com a presença de alunos da Creche A Manjedoura e do Jardim de Infância Esperança. O presépio visa oportunizar aos alunos, desde cedo, o significado do nascimento do Cristo, desvinculando-o das comemorações de caráter eminentemente natalino, cuja figura maior é o mito do Papai Noel. Empolgada, a meninada cantou, aplaudiu e respondeu perguntas, tanto quanto exteriorizaram seus desejos e pedidos ao Menino Jesus, através de uma oração ali formulada.

Às 20h00min Divaldo Franco iniciou a sua atividade doutrinária no Centro Espírita Caminho da Redenção, reflexionando sobre o natal de Jesus, confabulando sobre a paz, dizendo que ela é urgente e é para a vida. Todos desejam a paz, porém, é de importância fundamental que cada indivíduo se conscientize sobre essa necessidade premente.

O Centro Espírita Caminho da Redenção está estruturado em treze departamentos, atendendo diversos e múltiplos encaminhamentos através de dedicados voluntários e funcionários. Com atividades incessantes, requer assistência perseverante, recursos de ordem financeira e humana, prestando um serviço de alta e relevante qualidade.

Como o período natalino suscita solidariedade, perdão, caridade, benevolência, desprendimento, Divaldo Franco, orador de escol e lúcido servidor do Cristo, narrou emocionante história de uma mãe, seu trabalho e amor dedicado ao filho. É uma história real, vivida no Bairro do Uruguai, em Salvador/BA, há alguns anos. Essa experiência fez com que Divaldo fosse grandemente influenciado sobre o sentido de gratidão e ingratidão, de lealdade e traição, de perdão, de amor e de indiferença, de humildade e de orgulho.

Era uma área alagadiça, um pântano transformado em depósito de lixo. A necessidade foi obrigando as pessoas a construírem seus casebres, de pau a pique, no estilo palafitas e com ligações entre os casebres através de rústicas e precárias passarelas pênsil. Divaldo e Nilson visitavam constantemente o local, inclusive lá pernoitando, atendendo os miseráveis, notadamente aqueles que se encontravam em processo de desencarnação, com a morte do corpo físico. Tinham no local uma daquelas precárias palafitas para acolher e recolher doentes abandonados, quase sempre próximos à morte do corpo físico, os moribundos, que eram assistidos pelos dois até a consumação da vida orgânica.

Houve um tempo em que ali, mães vendiam suas filhas em troca de um litro de cachaça. Divaldo teve a oportunidade de resgatar uma menina que estava sendo “comercializada”, levando-a para a Mansão do Caminho, conseguindo com a Justiça a guarda daquele pobre criatura.

Em uma dessas noites em que velavam pelos moribundos, Divaldo recebeu um chamado para atender a uma senhora que estava morrendo, ali perto. Tratava-se de uma lavadeira e vendedora de acarajé. Desejava conversar, confiando um segredo. Com dificuldades para falar, debilitada pela pneumonia, disse que tinha um filho que muito amava e que se mostrou dotado de grande inteligência. Com dificuldades e grandes sacrifícios a mãe extremosa, com seu trabalho árduo, conseguiu com que o menino estudasse e pudesse alcançar seu sonho, tornar-se médico.

Brilhante nos estudos, o rapaz passou a cursar a faculdade de medicina. A mãe, sempre trabalhando, e desdobrando-se em atividades extras, dava condições financeiras para que seu filho pudesse estudar e concretizar o sonho acalentado. Intercedia por ele. Identificava-se como madrinha de batismo, para não ferir o filho, diminuindo-lhe a importância, pois que era analfabeta e extremamente pobre. Conhecendo, casualmente, um professor da faculdade, solicitou a esse que o auxiliasse, empregando o filho em seu consultório. O estudante era conhecido no meio acadêmico como “a mosca no leite”. O apelido lhe foi atribuído por se vestir sempre de branco, contrastando com a sua pele negra. Aplicado, aluno brilhante, logo granjeou a confiança do professor, passando a privar com a família. Enamorou-se pela filha do professor. Estava por casar-se, logo após a formatura.

Antes da formatura a mãe preparou-se, comprando fino anel de formatura para o filho amado, comprou vestido, sapatos, enfim, procurou estar a altura da importância do evento de colação de grau. Nos dias próximos que antecederiam a formatura, o filho foi retirando seus pertences do barraco, e na véspera, em conversa com a mãe, disse-lhe, que ela não precisaria ir a sua formatura e que a noiva lhe acompanharia. A mãe amorosa disse, então, que realmente se sentia aliviada pelo filho tê-la dispensado. Seu coração apertava dolorosamente.

Antes de sair deu ao filho a caixa forrada de belo veludo onde estava formoso e caro anel de formatura. Agradecido, o filho disse-lhe que se necessitasse de cuidados médicos, não o procurasse em seu consultório, que lhe telefonasse utilizando o número que lhe dera em um papel e ele mandaria um colega cuidar dela, pois que ali não mais voltaria.

A mãe, moribunda e cada vez mais debilitada, com esforço dizia à Divaldo que se sentia triste, porém o sonho acalentado de ver o filho formado dava-lhe alegria. Solicitou que Divaldo guardasse um baú onde ela depositava os recortes de jornal com as notícias sobre o filho. Justificou o pedido por que tinha a certeza que o filho procuraria Divaldo ao saber que ela havia morrido. Pela alva a mãe expirou. Divaldo e Nilson providenciaram o enterro do corpo, recolheram o baú e colocaram fogo no casebre, como medida profilática.

Decorrido alguns dias, no Centro Espírita, Divaldo foi procurado por um elegante homem. Pelas fotos daqueles recortes identificou-o. Constrangido, e sem declarar quem era, disse que havia interesse em saber como havia morrido aquela senhora e o que ela lhe contara, se tinha queixas, guardado mágoas, rancores. Divaldo disse que era assunto reservado e que não comentaria com um estranho, a não ser que fosse familiar, embora tenha dito que era afilhado da morta. Constrangido o senhor ausentou-se.

Dias mais tarde voltou a visitar o Centro Espírita. Na conversa com Divaldo, profundamente cauteloso, foi abrindo-se, ao ponto de se declarar como filho. Divaldo, então, disse-lhe que aquela mãe dedicada e amorosa não havia guardado nenhum rancor, embora sentisse tristeza, pois que amava o filho imensamente, sacrificando-se em favor do filho que desejava fosse vitorioso. O filho demonstrava sentir remorso pelo tratamento que havia dispensado à mãe. Queria confessar-se, aliviar o conflito, o remorso, pois que reconhecia o equívoco. Havia nele o sentimento de arrependimento. Divaldo orientou-o a renascer, recomeçando a vida. Reparando o mal, praticando o bem, dedicando-se aos necessitados.

Continuando, Divaldo ensinou que todos necessitam de ternura, de carinho, de solicitude, como um pai, ou mãe fazem aos filhos e vice-versa. Amar-se mutuamente, independente de condicionamentos, pois que as consequências do desamor são implacáveis. Na solidão da jornada de cada um, há que se fazer algo de bom aos outros. As construções físicas não são importantes, mas as necessidades do Espírito devem ser atendidas pelos corações generosos, seja através de um pedaço de pão, de um acolhimento, de um aperto de mão, de um abraço que possa transparecer ao assistido a disposição de estar junto, doando-se, demonstrando que ele é importante na vida e para a vida. A maior caridade, ensinou Divaldo, não é dar coisas, é dar-se, dando suas energias, o seu tempo, sentindo-se honrado em servir.

Finalizando, disse que deseja que a mansão do Caminho seja um lar de amor, que todos fossem trabalhadores de Jesus em qualquer lugar. O lema deve ser solidariedade. Exortou para que cada um, neste natal, eleja Jesus Cristo como o único homenageado.

Abraço,

Jorge Moehlecke

 

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