19 novembro 2016
19 novembro 2016, Comentários 0

“É fundamental, à criatura humana, em sua vilegiatura carnal, encontrar o sentido existencial. A perda desse objetivo condu-la ao desespero ou à indiferença por tudo quanto lhe acontece, empurrando-a pela via da morte emocional, sem que tenha estímulos para as lutas que se apresentam, convidando-a ao crescimento e à felicidade”. Joanna de Ângelis

O Clube de Tênis Catanduva foi o local escolhido pelo Núcleo Educacional Joanna de Ângelis para acomodar cerca de 1.500 pessoas que ali compareceram para participarem da conferência de Divaldo Franco na noite de 19 de novembro de 2016.

Divaldo Franco inicia a conferência abordando – de maneira muito clara e elucidativa – o grande paradoxo da criatura humana nos dias atuais.

De um lado os grande avanços da Ciência e da Tecnologia que desnudou as estruturas sub atômicas e invadiu o Cosmo perscrutando e desvelando seus maiores segredos.

 

Essa mesma Ciência nos permitiu alongar a expectativa de vida que, em pouco mais de 20 séculos, ampliou a idade média dos humanos de 35 para os atuais 78 anos, mediante a erradicação de moléstias que no passado recente dizimaram populações inteiras.

A tecnologia, em suas múltiplas especialidades, gerou grande conforto solucionando problemas e dificuldades que exauriram a humanidade por muito tempo. A comunicação em tempo real entre, praticamente, todas as regiões do globo terrestre, encurtam distâncias e aproximam pessoas.

Mas, por outro lado, nunca foi tão presente e eloquente o desencanto das criaturas como se observa no presente momento. Acompanhando o crescimento acelerado do PIB da economia da maioria dos países, segue igualmente junto a taxa de suicídios. A Organização Mundial da Saúde divulgou recentemente que, em alguma parte do mundo, uma pessoa morre pelo suicídio a cada 4 segundos. Por ano, em todo o mundo, mais de 850.000 pessoas fugiram da vida pelo suicídio. Mais do que o dobro do daqueles vitimados pelas guerras, revolução e violência armada.

Projeções tenebrosas nos informam que por volta de 2025 que o suicídio será a primeira causa de morte – impulsionada pela depressão causa primária.

Diante desse paradoxo nós nos perguntamos: Por quê?

Com uma pequena pausa, Divaldo possibilita aos presentes a chance de refletirem na importante questão. E rompendo o silêncio que se fez natural, ele nos apresenta o diagnóstico para essa situação.

A criatura humana perdeu o sentido existencial da vida.

A eleição do comportamento hedonista – ganhar dinheiro para comprar e gozar o prazer de ter – nos faz adotar metas transitórias, efêmeras e imediatistas fomentando o sexismo, o individualismo e o consumismo.

Viktor E. Frankl, autor do livro Em Busca de Sentido e sobrevivente dos campos de extermínios nazista, afirmava: “Se percebemos que a vida realmente tem um sentido, percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser um ser humano, é trabalhar por algo além de si mesmo. A vida para ser digna tem que ter um objetivo”.

A criatura humana – que não se conhece – confunde com muita facilidade Felicidade e Prazer. Divaldo, então – fazendo parecer fácil uma coisa tão complexa – apresenta os conceitos Junguianos de Felicidade (emoção) e Prazer (sensação).

Conforme Jung a Felicidade é o estado interior que flui do Self (aquilo que somos, o nosso eu) para o Ego (aquilo que aparentamos; a máscara da persona). Já o Prazer promana dos Instintos e flui do Ego para o Self.

Nesse mecanismo nos desorientamos e confundimos EMOÇÕES (produzidas a partir dos nossos sentimentos) com SENSAÇÕES. (produzidas a partir dos estímulos sensoriais físicos) e nessa confusão priorizamos o Prazer em detrimento à Felicidade e passamos a buscar o comportamento hedonista (sexismo, individualismo e consumismo) anteriormente abordada.

O resultado é o vazio existencial.

Uma vez mais Divaldo faz uma pausa e a eloquência do silencio revela que os presentes assimilaram e compreenderam o Diagnóstico dos sofrimentos humanos da atualidade.

Divaldo, agora, apresenta-nos a medicação que vem nos auxiliar a substituir o vazio existencial pela solidariedade.

A Doutrina Espírita – nos seus aspectos religiosos, filosóficos e científicos – é capaz de preencher esse vazio existencial, por nos oferecer metas que concorrem para o real sentido da vida: a evolução intelecto-moral. A de sermos hoje, melhores do que ontem e amanhã melhores do que hoje.

E Divaldo finalizando nos convida a riscarmos de nossas vidas o pessimismo dos dias atuais proporcionado pelo despautério, cinismo e desvario de alguns.

A vida vale a pena ser vivida. A Felicidade é sim, possível desde que o ser humano logre aprender a ser feliz de acordo com as circunstâncias, incorporando e vivendo a certeza da transitoriedade do seu corpo físico e da sua eternidade espiritual.

E no ápice da apresentação Divaldo aponta para a multidão e afirma: “Se olharmos nossa vida, com certeza teremos tido mais momentos de felicidades do que de desdita”. E num transporte de emoções indescritíveis encerra a conferência com o Poema da Gratidão testemunhando de maneira inequívoca o quanto temos a agradecer à Divindade pelas benesses que Dela temos recebido.

De alma renovada e com os corações alimentando novas esperanças a multidão vai se retirando. Lentamente.

Diagnóstico apresentado.

Medicação receitada.

Agora nos compete – e somente a nós – fazer uso do remédio.

Nunca ficou tão clara a mensagem e o alerta de Jesus: “Onde estiver o teu tesouro, aí também estará o teu coração”. (Mateus 6:21)

Fotos: Sandra Patrocinio
Texto: Djair de Souza Ribeiro

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