21 março 2016
21 março 2016, Comentários 0

No último domingo, dia 20/03, o médium e orador espírita Divaldo Franco realizou um seminário na cidade de Boston, Estado de Massachusetts, EUA.

O evento foi realizado no auditório do “Bunker Hill Community College” e contou com a participação de um público de 450 pessoas.
Na ocasião, o médium recebeu uma homenagem da Assembleia Legislativa do Estado de Massachusetts, representada nas figuras de seu presidente, o Senhor Robert A. DeLeo, e da Deputada Denise Provost.

O tema do seminário foi “Vitória sobre a Depressão”.

Abrindo sua conferência, Divaldo referiu-se a Friedrich Nietzsche e sua conhecida obra “Assim Falou Zaratustra”, destacando a sua proposição sobre a completa desnecessidade de Deus e também a sua morte. O filósofo alemão era um depressivo crônico.

 

Em seguida, descreveu o trabalho do médico francês Dr. Philippe Pinel, considerado por muitos o Pai da Psiquiatria, que libertou os seus pacientes esquizofrênicos do terrível pavilhão Bicêtre, do Hospital da Salpêtrière, para dar-lhes um tratamento mais humano e restituir-lhes a dignidade, criando, assim, o que passou a ser conhecido como “terapia moral”.

Fazendo uma retrospectiva histórica das questões em torno do tema proposto, principalmente a partir do século XVIII, o palestrante falou sobre os estudos e experiências hipnológicas do Dr. Jean Martin Charcot, no Hospital Salpêtrière, em Paris, assim como de Sigmund Freud, sobre os sonhos, os conflitos sexuais, o subconsciente, e de Carl Gustav Jung, sobre o inconsciente profundo- individual e coletivo-, os arquétipos etc., esclarecendo que, com os conhecimentos da Psiquiatria e das Neurociências, foi possível realizar-se grande avanço também na Psicologia, de maneira a se constatar que além das problemáticas de natureza puramente psiquiátricas, físicas, haveria outras de natureza psicológicas.

Nesse contexto, a depressão assumiria uma posição de grande relevo mundial, vez que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, até o ano de 2025, ela alcançaria a primeira posição como causa de mortes no planeta, especialmente por meio de suicídios com uso de arma de fogo.

Esses transtornos depressivos teriam estado presentes na Humanidade desde os primórdios da Civilização, embora sob outros nomes, já que o termo depressão teria surgido apenas no século XVII. O orador relatou os casos históricos das personagens bíblicas Jó (capítulo 3 do livro de Jó) e Rei Saul; e, ainda, de Arjuna, do livro hindu Bhagavad Gita. Além disso, recordou que na Grécia Antiga, tais transtornos eram frequentes e conhecidos como melancolia, sendo que Hipócrates já se referia à necessidade de uso da alegria para o combate àquele estado.

Divaldo discorreu sobre o trabalho de Emil Kraepelin, psiquiatra alemão e pai da moderna Psiquiatria, e sua descoberta a respeito das duas vertentes da depressão: a unipolar e a bipolar.

Sobre as causas dos transtornos psiquiátricos e psicológicos, e mais especificamente sobre a depressão, foi dito que, no passado, foram estabelecidas diversas gêneses, quase todas equivocadas, tais como o pecado original de Eva no Paraíso ou o desequilíbrio dos fluidos corporais. Mas, que com o avanço da Psiquiatria, da Psicolologia e das Neurociências, fora descoberto que as causas podem ser endógenas (hereditariedade, alterações fisiológicas etc) e exógenas (eventos de vida, traumas de infância etc), sendo elas, portanto, de dupla natureza: biológica e psicológica. Em suas colocações, explicou o trabalho dos neurocomunicadores, como a noradrenalina, a serotonina, a dopamina, e do funcionamento das neurocomunicações, esclarecendo sobre a importância da harmonia desses elementos em nosso cérebro.

Ainda a respeito das causas, Divaldo acrescentou àquelas conhecidas pela Ciência Acadêmica, os conflitos e culpas de reencarnações anteriores e as obsessões espirituais. A obsessão mereceu um capítulo especial na obra O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Essas influências negativas e persistentes de Espíritos inferiores sobre um indivíduo poderiam levá-lo a estados de transtornos psicológicos e psiquiátricos, como a depressão, afetando-lhe não apenas o equilíbrio psicológico, como também a sua estrutura física, nos casos de perturbações de longo curso.

Diante disso, o tratamento para esses transtornos deveria ser multidisciplinar, englobando as terapias psicológicas, psiquiátricas e espírita (passes, orientação espiritual ao depressivo e familiares, atendimento do obsessor em reuniões mediúnicas especializadas, palestras, a terapia da água fluidificada etc.).

Mencionando os estudos de James Hollis, de Carl Gustav Jung e de Milton Erickson, o palestrante ressaltou a importância de o paciente realizar um saneamento mental, mudando a sua forma de encarar a vida e criando em si um amadurecimento psicológico com ideias positivas, otimistas. Orientou que toda vez que surja uma ideia negativa em nossa mente, deveríamos substituí-la por uma positiva.

E, retornando ao filósofo Nietzsche, afirmou que a declaração dada por ele sobre a desnecessidade de Deus e de sua morte seria resultado de seu estado depressivo profundo, de sua revolta e do vazio existencial que lhe afligia. Dessa feita, Deus nunca teria deixado de existir e sua compreensão mais profunda e lógica seria trazida pelo Espiritismo, ajudando-nos a entender a nossa própria origem divina. Além disso, a Doutrina Espírita teria resgatado a mensagem pura e simples do Evangelho de Jesus, não em sua feição meramente religiosa, senão também profundamente terapêutica.

Divaldo explicou que a mensagem de Jesus está toda centrada na lei de Amor, a se constituir a mais profunda psicoterapia para o ser humano, segundo estabeleceriam renomados especialistas nas áreas da Psiquiatria, Psicologia e Neurociências.

Esse amor apresentar-se-ia em duas formas: o autoamor e o amor às demais criaturas. E um dos desdobramentos desse sentimento seria o perdão, também em duas formas: autoperdão e perdão aos semelhantes.

O amor e o perdão seriam uma das mais excelentes formas de profilaxia e tratamento para a depressão.

Por isso, ressaltou o médium, os psiquiatras Viktor Frankl e Carl Gustav Jung estabeleceram que é imprescindível que a criatura humana eleja para si e vivencie uma meta existencial profunda, para dar sentido à sua vida e evitar o vazio existencial e, por via de consequência, a depressão. Para eles, a mais profunda meta seria o amor.

Ao final de sua dissertação, Divaldo discorreu sobre os estudos em torno da empatia, de como devemos realizar o bem ao próximo colocando-nos no seu lugar e buscando identificar a sua real necessidade, a fim de oferecer-lhe aquilo que lhe seja de melhor e não conforme o nosso desejo. Falou, ainda, da importância de “enxergarmos” os seres humanos “invisíveis” na sociedade, aqueles que são desconsiderados e marginalizados pelos outros, para lhes tornarmos socialmente visíveis e dignificados. Finalizou, dizendo que devemos buscar a alegria nas coisas simples da vida, no cotidiano, amando sempre e em qualquer circunstância, nunca valorizando o mal, procurando, paulatinamente, vencer as nossas más inclinações, até que alcancemos a plenitude.

Texto e fotos: Júlio Zacarchenco

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