15 janeiro 2016
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III Congresso Espírita Paraense 15 a 17 janeiro 2016 – Belém/PA, Brasil

Ao som da música Paz pela Paz, de autoria de Nando Cordel, tocada e cantada pelo Grupo Sol da Vida e depois de assistir a um vídeo que mostrou um pouco de sua trajetória e também a história da Mansão do Caminho para os internautas e para 5 mil presentes no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, o médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco abriu o III Congresso Espírita Paraense, na noite do dia 15 de janeiro de 2016.
Suas primeiras palavras foram de gratidão e transferiu a homenagem de receber das mãos de crianças e adolescentes 88 rosas brancas, à figura incomparável de Allan Kardec, graças a quem: …” é possível manter o equilíbrio emocional, psíquico pelo conhecimento do espiritismo”… Divaldo lembrou a todos que aprendeu a amar Belém e o Estado do Pará, desde que esteve pela primeira vez no Teatro da Paz na década de 50 e nunca mais esqueceu esta terra em suas peregrinações doutrinárias. Um presente na semana dos 400 anos de Belém.

 

O homenageado, iniciou sua palestra, O Amanhecer de uma Nova Era, fazendo uma reflexão panorâmica de fatos históricos recheados de guerras e calamidades e nos mostrou que podemos ter esperança e a consolação que a reencarnação nos dá. A reencarnação é a base para explicar os nossos sofrimentos. Nessa revolução da violência estamos fazendo a transição do mundo de provas, de expiações para o mundo de regeneração. Amanhece um dia novo. Essa é uma aurora de bênçãos. Quando a dor fugirá da Terra. Já estão reencarnadas centenas de milhares de almas nobres, crianças geniais na música, na matemática, nas artes variadas, na ciência, estamos entrando numa era nova de bênçãos que é o Reino dos Céus, asseveram os espíritos nobres que está havendo uma mutação dos nossos genes como houve no passado por ocasião dos visitantes de capela para que o corpo do futuro possa resistir as enfermidades de natureza degenerativa.

Começando pelo Primeiro Triunvirato estabelecido em 59 a.C., na República Romana, entre Júlio César, Pompeu, o Grande e Marco Licínio Crasso. Três homens que representaram o auge do poder até o desequilíbrio, quando Roma estremece nas bases e o trio irado desaparece para reaparecer nos anos 39 a.C., agora sob o comando de um homem jovem que se passava por filho de Cesar. Tratava-se de Caio Julio Otaviano. Periodicamente, espíritos em suas evoluções vêem reencarnando para promover o progresso na Terra. Vem o Segundo Triunvirato, com Antonio Ottaviano, Marco Antonio e Lépido que se tornam os governantes de Roma. Mas Marco Antônio formou uma aliança com a ex amante de César, a rainha Cleópatra, pretendendo usar as fortunas do Egito para dominar Roma. Uma terceira guerra civil eclode entre Otaviano e Marco Antônio. Otaviano então conquista o Egito. E na batalha naval de Áccio, Antonio perde a guerra perde o posto, corre para a residência de Cleópatra e se suicida assim como ela, sabendo que ia ser levada como escrava para Roma.

Finalmente só resta a figura grandiosa de Ottaviano. E também de Lépido, e é nesse período que acontece um dos fenômenos históricos mais notáveis da humanidade porque durante 600 anos Roma sempre estivera em guerra mas Ottaviano era um grande pacificador, amante das letras, das artes, da poesia, naquela época não se reencarnaram os grandes comandantes. Alexandre Magno, da Macedônia, Ciro, rei dos persas, Aníbal, o cartaginês e outros. Reencarnaram-se poetas, homens das letras, como Tito Livio, Salustio, Mecenas e Virgilio, grandes inspirados que transformaram a capital embelezada no centro de cultura do mundo. E muitas vezes, o próprio imperador, mostrou sensibilidade porque estabeleceu uma nova ética para Roma: que só existe governo bom e nobre quando é digno. O Império caracteriza-se pela honradez, pelo respeito às leis, pelos Princípios da Cidadania e Otávio, o imperador que deu nome ao século I, o Século de Augusto, pela vida digna que mantinha, caracterizava-se pela honra que produz inveja em muitos governantes da atualidade. Ele era tão severo que exilou sua própria filha, neta e esposa que procederam de forma reprovável. E assim o fez afim de que todos soubessem que o seu governo era geral para todos.

Daí surge a pergunta dos historiadores: o que aconteceu? Descobriram que foi exatamente naquele período que a humanidade receberia Jesus, rejeitado por Israel que queria um messias assassino, que submetesse a humanidade à todo tipo de força. Mas esse homem extraordinário que é o nosso modelo e guia, o maior da história da humanidade de todos os tempos.
Divaldo nos recorda que, no século XIX, Ernest Renan, que não era cristão nem acreditava em Deus, publica, em Paris, “A vida de Jesus” onde asseverou que Jesus era tão grande que todos os vultos da história da humanidade nasceram na história, Jesus não. O seu berço de palha foi tão grandioso que dividiu a história em antes e depois de seu nascimento. Jesus é a primeira representação do amor. Porque Confúcio na China escreveu sobre a cultura e sobre a civilização; na Índia, Siddhartha Gautama, o Buda, também não fala sobre o amor, ele fala sobre a compaixão, a estrada do meio, o quarto caminho. Se ainda formos ao Egito encontraremos ali a doutrina das reencarnações mas não encontraremos viva a palavra amor nem no período em que Aton apresentou o sol como sendo a representação máxima daquilo que a humanidade pretendia conhecer como Deus. Destituindo o todo poderoso clero de Amon para impor um deus único, representado pelo disco solar Aton, Akenaton abria pela primeira vez na história da humanidade um caminho rumo ao monoteísmo.
E Divaldo cita o mais sublime poema que a humanidade já escutou: o sermão das bem aventuranças. Reverteu a ordem ética da humanidade, superou Sócrates, foi além de Platão, desenvolveu uma doutrina que esmaga o pensamento aristotélico, foi ali que ele estabeleceu a ordem dos contrários porque bem aventurado não é aquele que goza, que desfruta, que tem uma posição social, bem aventurados são os pobres em espírito, os simples de coração, os puros, são aqueles que choram, somos aqueles que perseguidos pelo seu nome elevamos o Reino de Deus na Terra para que a humanidade seja feliz.

Para Carl Gustav Jung, Jesus é o maior modelo que ele encontrou na história da humanidade porque alcançou o estado luminoso, o estado de luz.
Doze séculos depois do sermão da Montanha, o mundo escuta a voz de Francesco Bernardone, sua mensagem é um poema de esperança. Pela primeira vez na humanidade os infelizes sorriem. Tenta erguer a igreja de Jesus, mas ouve a mesma voz que lhe diz: não é essa a igreja, Franscesco. É a igreja moral, é a igreja dos sentimentos que está ruindo. Porque a doutrina de amor e de ternura foi transformada na religião do Estado. E ao ser transformada na religião do Estado perdeu a grandeza do sacrifício e a idade média se apresenta como a grande noite da ignorância, a fé cega, a necessidade de se aceitar aquilo que os teólogos estabeleciam distantes de Jesus. A humanidade enfrentou as guerras santas, as cruzadas. Deixando o legado da ordem fransciscana que deveria ser de pobreza mendicante transformada em grandiosos templos.
O Semeador de Estrelas cita Dante Aliguieri que nos oferece o seu poema A Divina Comédia: “ nasceu para o mundo um sol” e Francisco de Assis nos oferece a oração simples: “Ó senhor, faze de mim instrumento da tua paz” canção que vem ecoando através de 8 séculos.
O conferencista continua mostrando que no século XVI há uma outra revolução psicológica, sociológica, moral da história da humanidade. Surgem grandes pensadores. Galileu Galilei, que teve a coragem de dizer que a Terra não é o centro do universo; Nicolau Copérnico apresenta a sua obra heliocêntrica demonstrando que a Terra se move em torno do sol e não o inverso, e também os astros que estão a sua volta e vai além, o sol não é fixo porque no universo não existe vácuo; Johannes Kepler, desvendando as leis; Isaac Newton que detecta a lei da gravidade e toda uma elite de pensadores que resolvem abandonar a religião e seguir a doutrina atomista dos gregos, do tempo de Sócrates, Platão, Aristóteles, Leucipo, Demócrito, que afirmavam que tudo que existe é resultado de 3 fatores: os átomos, o vácuo e o movimento e quando um desses elementos se desajusta advém a desordem, a morte o aniquilamento. Então nasce o materialismo na sua feição de atomismo grego do século XVII.

Segundo Divaldo temos que saber usar a razão, a lógica mas também a solidariedade, a fineza, a gentileza para que haja o espírito do coração. Porque a sociedade está se “devorando”, estamos nos matando uns aos outros, e o maior número de guerra foi de religiões, que pregam Deus, o amor e a solidariedade, demonstrando o paradoxo da criatura humana. Aí estão a droga, o menino de rua, o abandono sem escola, os revoltados que não acham vagas nos hospitais, os desempregados, a revolta caminhando braços dados com a violência. Uma verdadeira guerra e das mais vergonhosas porque o país é rico de bênçãos, porque foi escolhido por Jesus para ser o coração do mundo, a pátria do evangelho. Porque as leis divinas são insuperáveis.
E nesse período de materialismo, quando as religiões vigentes não conseguiam atender as necessidades humanas, e no século XVIII com Voltaire, Montesquieu, Denis Diderot, a Revolução Francesa em 1789 e Os Direitos Humanos em 1992. O século que Napoleão Bonaparte deseja fazer da França, Paris, a capital da Europa e pouco depois do seu fracasso, em 1804 mesmo ano em que é coroado imperador, no dia 3 de outubro, na cidade de Lyon, nasce Hippolyte Léon Denizard Rivail, que será Allan Kardec, e a semelhança do que aconteceu com Otavio, veio uma revolução espiritual, a Terra recebe espíritos de Skol, grandes pensadores, a ciência desatou os nós, apartir do século XVII e agora descobre-se a vida microscópica, a vida macroscópica e Allan Kardec terá a grandeza de dizer: o espiritismo é aquilo que o microscópio se tornou para vida microbiana. E o que o telescópio se transformou para interpretar o Cosmo. Para descobrir os Sóis. A mediunidade explodiu e nasceu a doutrina espírita. Jesus nos trouxe a Lei de Amor e a doutrina espírita nos trouxe a Lei da Reencarnação.

Nós somos imortais, o espiritismo matou a morte, eu tenho uma razão lógica para viver explicando que Deus é amor, que Deus não castiga, que Deus não perdoa, Deus ama. Quem ama, não castiga, nem pune, educa. A Lei é de progresso. E todo aquele que desrespeita a Lei incide em um delito, que tem necessidade de recomeçar para reaprender, para evoluir. A doutrina espírita chega e vai para os gabinetes de ciência, os maiores cientistas do século XIX a começar por William Crookes a continuar com Cesare Lombroso, Charles Robert Richet , o maior sábio da França no século XIX, que recebeu o premio Nobel pela doutrina da fisiologia, eles constatam a imortalidade da alma e dão a todas as religiões o apoio que lhes faltava porque toda a religião diz que a alma é imortal, que Deus é justo, é bom, é misericordioso mas quando pedimos que nos dêem uma prova da justiça divina, entre o príncipe que nasce em berço de ouro e o miserável que nasce nas ruas da amargura, quando vemos a criança deformada, agora com a microcefalia, nós perguntamos: porque? Porque estamos tendo oportunidade como tivemos em outras existências de agirmos corretamente. Como Deus é amor nos dá a oportunidade de reabilitação. Essa reabilitação é o nosso processo de auto iluminação porque o reino de Deus está dentro de nós, não está fora.
Estamos entrando num mundo novo onde desaparecerá a violência e as grandes epidemias. No futuro não teremos mais as deformidades porque os maus serão exilados da Terra. A tradição religiosa católica e protestante diz que os maus irão para o inferno. É verdade. Mas não um inferno perpétuo e que fica embaixo, porque não existe embaixo ou em cima já que estamos no infinito mas o inferno da consciência.

O maior médium da atualidade conclui afirmando que estamos entrando numa era nova, nunca houve tanto amor na Terra. Esses são dias novos e cada um de nós é um mensageiro da esperança, a dor vai embora envergonhada. O Espiritismo nos traz esperança, consolação, alarga as portas da verdade e mostra que o céu é um estado de consciência tranqüila. O inferno é um estado de consciência de culpa. Aquele que está de mal consigo mesmo, carrega o inferno. Os seus neurônios cerebrais, os seus demônios íntimos, esses arquétipos atormentantes das falhas, do remorso, da culpa, da inveja, mas graças a Deus a ciência está colaborando, a psicologia, utilizando-se de Amorterapia, utilizando-se do evangelho de Jesus para depressão. Então nós podemos mudar de vida, as esperanças, as consolações e o amanhecer de uma nova era objetiva fazer que este mundo novo já se estabeleça em nossos corações. Porque não há governo que possa manter a paz. A paz é íntima, ao invés de sermos paredes que obstaculizam um passo que sejamos pontes de amor, que o sorriso substitua a “cara feia”, que a agressividade ceda lugar a fraternidade. A gentileza deve ser para nós o primeiro passo, a primeira caridade, ser gentil, sorrir mais, sorriso é saúde.

O palestrante, no final nos convida a vivermos esse dia novo, preservando a esperança, contando com o consolo da verdade, não entremos nesse tormento das crises porque só existe uma crise, é a crise moral da criatura humana. E encerrou com o Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues.
Texto: Maria Rachel Coelho Pereira
Fotos: Maria Rachel Coelho Pereira e Marcelo

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