25 agosto 2016
25 agosto 2016, Comentários 0

O Salão dos Capuchinhos, em Caxias do Sul, engalanou-se para receber o ilustre conferencista baiano. Recepcionado pelas lideranças espíritas da região, Divaldo Franco falou para um público formado por mil e duzentas pessoas, lotando o auditório. O tema selecionado foi: Perturbações Espirituais. Após harmonização através da música e as apresentações normais, o Professor Divaldo Franco discorreu sobre a história da humanidade, abordando particularmente o conhecimento produzido por notáveis pensadores, filósofos e cientistas de várias época, notadamente a respeito de Deus.

Blaise Pascal (1623-1662), gênio da matemática, inventor da máquina de calcular, filósofo e místico, percebeu, de golpe, a grande contradição dos tempos modernos que acabavam de se firmar: a desarticulação entre dois princípios que ele chamou de esprit de géométrie e esprit de finesse. Espírito de geometria representa a razão, o cálculo, de cunho instrumental-analítica, que se ocupa das coisas, numa palavra, a ciência moderna que com seu poder mudou a face da Terra. Espírito de finura que pode ser traduzido por espírito de gentileza representa a razão cordial – logique du coeur (a lógica do coração), segundo Pascal – correlacionando as pessoas e as relações sociais, numa palavra, outro tipo de ciência que cuida da subjetividade, do sentido da vida, da espiritualidade e da qualidade das relações humanas. O filósofo francês é autor da famosa frase “o coração tem razões que a razão desconhece”, que tratou nos seus Pensées (Pensamentos) sobre estas duas disposições da alma humana, caracterizando cada uma com muita perspicácia e inteligência.

 

Nas suas várias experiências, o homem incansável e insaciável, buscou soluções no materialismo histórico, dialético e mecanicista, nas revoluções, no desenvolvimento das artes, da literatura, da filosofia e de tantos outros ramos do saber. Contudo, somente a Doutrina Espírita, com o advento de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, codificado por Allan Kardec, conseguiu responder positivamente, caracterizando o ser humano, sua origem, seu destino, os efeitos da lei de ação e reação, em uma lógica irretocável, com conteúdo científico, filosófico, ético/moral, preparando o homem para alcançar o estado numinoso, conforme designação do eminente filósofo Carl Gustav Jung, ou como ensinou o Mestre dos Mestres: o reino dos céus está dentro de cada um.

De conquista em conquista, iluminando-se, o ser humano vai construindo-se, aperfeiçoando-se. Acentua-se a compreensão da mensagem lúcida de Jesus, enaltecendo o amor e suas ações envolvendo o homem. Apesar do destaque com que o desamor é apresentado, gerando perturbações, há, por outro lado, na atualidade, a ação benfazeja do amor, que enriquece-se através da solidariedade, da fraternidade, da caridade.

Com duas histórias que retratam a ação irresistível do amor, Divaldo Franco soube tocar os corações sedentos de paz e serenidade, destacando que o amor não encontra barreiras, que liberta, que restitui a saúde, que encarrega-se de apaziguar algozes, que perdoa e promove o próximo. Todos os que estão sintonizados nas faixas vibracionais do amor sentem-se repletos de energias benéficas, vivendo em um mundo de afinidades de energias benfazejas. Toda a vez que o indivíduo sai da normalidade, relaciona-se com entidades perturbadoras, ensinou o nobre conferencista.

É necessário criar uma revolução – a do amor – e voltar aos ensinamentos do Mestre Galileu, colocando em prática cotidiana a parábola do Bom Samaritano, isto é, exercitando, com todo ímpeto, a caridade, a fraternidade, o exercício do amor. O Espiritismo é amorterapia, em várias ações que contemplam as necessidades do ser humano, tornando as criaturas melhores, fazendo com que elas posterguem as ações nefastas, tornando-as melhores, lúcidas, úteis. O amor cala a violência, o amor enaltece a paz, a fraternidade, o perdão, sentenciou Divaldo Franco, homem notável, exemplo de amorosidade, íntegro.

Assim, finalizou o magnífico trabalho de despertar e esclarecer, consolando e pacificando, fazendo com que as perturbações sejam cada vez menos expressivas. O Poema de Gratidão, de Amélia Rodrigues, apresentado com emoção, constituiu-se em verdadeira prece que se elevou da crosta ao infinito em busca de corações aflitos e perturbados, aliviando-os com os óleos do amor. Após efusivos aplausos, as pessoas foram se retirando, em meditação, sorvendo as bênçãos que ali foram buscar.

Texto: Paulo Salerno
Fotos; Jorge Moehlecke

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