13 março 2016
13 março 2016, Comentários 0

6a. CONFERÊNCIA DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA DA FLÓRIDA – 2016

“Desvelando A Morte, O Céu E O Inferno”

O segundo dia da Conferência da Flórida, no último domingo, 13 de março, realizada na “University of Central Florida”, em Orlando, teve como subtema “Uma Jornada Pessoal para se Vivenciar o Céu”.

Discorrendo sobre “Pérolas do Evangelho: Tesouros do Coração”, Dr. Haroldo Dutra Dias apresentou uma abordagem menos histórica e mais transcendente da figura de Jesus, considerando que, se de um lado os dados históricos sobre o Nazareno não sobejam, de outro, a força da sua mensagem segue avultando-se ao longo dos séculos. Utilizando-se das lentes do Espiritismo para falar sobre Jesus – as quais possibilitam aos indivíduos uma compreensão mais profunda e ampla de sua existência, ensinamentos e exemplos-, o conferencista concluiu que o Mestre é a verdadeira mensagem, o verbo de Deus para a Humanidade, a revelar para todos nós os aspectos inabordáveis, até então, do Amor. Dr. Haroldo encerrou sua palestra, destacando uma interessante observação a respeito da existência de Jesus: Ele utilizava-se de todos os Seus poderes para consolar as dores alheias, para socorrer, amparar, ensinar, servir ao próximo, mas nos momentos mais graves de sua experiência carnal, notadamente nos episódios de sua prisão, condenação e crucificação, Ele não usou de nenhum outro poder transcendente senão o do Seu mais puro Amor, chegando mesmo a, do alto da cruz, rogar a Deus o perdão a todos os seus algozes.

 

No bloco de perguntas e respostas, Divaldo Franco e Haroldo Dias responderam a várias dúvidas do público, dentre as quais, a prática do abortamento, a identificação do ser com Jesus, a misericórdia divina, Jesus e a valorização da mulher.

No período da tarde, Divaldo Franco realizou o mini-seminário, em dois módulos, sobre o tema “O Cavaleiro da Armadura Enferrujada”, baseado na obra homônima de autoria de Robert Fisher. Conforme esclarecido pelo orador, a proposta desse seminário seria fazer uma abordagem do conteúdo do livro à luz do Espiritismo, oferecendo ao público recursos terapêuticos que facilitassem a solução de nossos conflitos íntimos, a fim de vivermos em plenitude. Ao longo da narrativa da estória, o público teria, então, a oportunidade de realizar uma verdadeira jornada interior, em busca do si profundo, tomando-se conhecimento dos conteúdos do ego, das sombras, num intento de libertação dos conflitos para a vivência da paz.

Como preparação para a viagem do autodescobrimento e da autoiluminação, foram apresentados, didaticamente, alguns conceitos da Psicologia Analítica, como: o consciente, o inconsciente coletivo e o individual, os arquétipos, o ego, o Self, a sombra, “anima” e “animus”, os processos de associações etc.

Na sequência, o público pode acompanhar a narrativa da estória sobre um cavaleiro que, ao longo de muitos anos, habituou-se a manter-se vestido com sua armadura de ferro, que acabou enferrujando. Ele era casado e tinha um filho, mas o seu relacionamento com a família era muito distante e difícil. Havia nele uma necessidade de intrometer-se nas vidas alheias, soba a alegação de que tinha o dever de salvar os indivíduos, esquecendo-se, contudo, da necessidade primordial de “salvar-se a si mesmo”. Após uma discussão com a esposa, que o acusava da ausência doméstica e da indiferença pela própria família, aborrecido, decidiu o cavaleiro afastar-se do domicílio e realizar uma viagem. Nesta viagem, ele passou a ter contato com outros personagens, com os quais se relacionou e que o ajudaram a refletir sobre a própria existência. Por fim, o cavaleiro considerou que já era tempo de retirar a armadura, pois que ela, de fato, gerava-lhe muitos problemas. Mas isso não foi possível de imediato, uma vez que ela já se encontrava muito enferrujada e de difícil remoção. Um dos personagens que encontrou em sua viagem disse-lhe que, para que lograsse a retirada da armadura, seria necessário atravessar uma determinada trilha, onde encontraria três castelos: o do silêncio, o do conhecimento e o da vontade e ousadia. Ser-lhe-ia indispensável permanecer certo tempo em cada um deles, para se lhes aprender as lições, de modo a estar apto a seguir para o seguinte e, ali, ter novas experiências e aprendizados. E assim procedeu o cavaleiro, em verdadeira jornada de autoconhecimento. Passando por cada castelo, ele pode introjetar os diferentes ensinamentos que cada experiência lhe ofertava, refletir sobre a própria vida, conhecer mais de si mesmo, ao tempo em que também mudou a estrutura de seus pensamentos, substituiu comportamentos perturbadores por outros mais saudáveis, eliminou conflitos e culpas, lidou com o ego etc. A cada etapa desse processo, parte de sua armadura (ego) desprendia-se de seu corpo, até que, por fim, ele viu-se totalmente livre e pleno. Ao final, segundo a narrativa, o cavaleiro era um com o Universo, ele era Amor!

Divaldo esclareceu que a viagem do cavaleiro pela trilha, visitando cada um daqueles castelos, é bem a viagem de autodescobrimento e de autoiluminação de todos nós, que a armadura é o nosso ego, que trazemos as nossas máscaras, as personas a que se referia Carl Gustav Jung. Segundo ele, ao longo de nossa jornada evolutiva, criamos em nós condicionamentos negativos, que tornaram-se uma segunda natureza em nós; passamos a usar máscaras que compõem a nossa personalidade e que servem para agradar as convenções sociais. O resultado inevitável disso foi perdermos o contato com o Self, isto é, com o nosso ser profundo, a nossa realidade espiritual.

Realizando a ponte entre o conhecimento espírita e o pensamento científico, notadamente dos eminentes psiquiatras Milton H. Erickson, Carl Gustav Jung, Viktor Frankl, e dos físicos quânticos Dr. David Bohm e Dr. Stewart Wolf, o orador asseverou que é necessário que façamos a viagem interior, em busca do conhecimento da Verdade, dessas leis divinas que estão escritas em nós, para que tomemos consciência de que somos Espíritos imortais e de que a nossa meta psicológica profunda deve ser a imortalidade, amando sempre a Deus, ao próximo e a nós mesmos, vencendo os nossos medos e dúvidas, eliminando as nossas imperfeições morais e estabelecendo-se, assim, a conexão entre o ego e o Self, de maneira a atingirmos a comunhão plena com Jesus e com Deus.

O seminário foi concluído com a declamação do belíssimo “Poema da Gratidão”, de autoria do Espírito Amélia Rodrigues.

E a 6a. Conferência Espírita da Flórida foi encerrada com a mensagem de que, maior do que qualquer liberdade democrática que uma nação pudesse alcançar, está “a verdadeira liberdade que somente se dá através da libertação das consciências”.

Texto: Júlio Zacarchenco.

Comments are closed.